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A Petrobras registrou um prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo assim o lucro de pouco mais de R$ 4 bilhões para o mesmo período de 2019. Esse é o pior resultado da história da empresa. 

Para chegar a esse prejuízo recorde, a Petrobras fez um ajuste contábil – denominada impairment – em que reconhece o cenário nada favorável para seu setor e, com isso, reduz a avaliação do preço de seus ativos. Sem essa iniciativa, o prejuízo da companhia seria de apenas R$ 4,6 bilhões.

De acordo com a petroleira, haverá uma mudança estrutural na economia mundial, os hábitos dos consumidores tendem a ser perenes, o elevado nível de estoque de petróleo mundial atrasará o reequilíbrio do balanço de oferta e demanda, e as indústrias consumidoras de petróleo deverão diminuir os patamares de consumo no longo prazo.

Por isso, a Petrobras que esperava a venda do barril do petróleo à US$ 65 por um longo prazo, neste ano passou a considerar o valor de US$ 25. No entanto, o preço do Brent já está em US$ 32,84. A média estimada pela estatal para o longo prazo passou a ser de US$ 50.

Petrobras brent 1T20

A companhia, ao que tudo indica, exagerou na revisão para baixo do preço do Brent. Isto é o que sinaliza a área de pesquisa do Goldman Sachs, que estima o preço médio de 2020 em US$ 35,80.

De acordo com o BTG Pactual, este baixo nível de preço do petróleo é insustentável no longo prazo. Somando-se a isso, com o real desvalorizado e a continuidade do programa de venda de ativos da empresa, o preço atual da ação da Petrobras está descontado.

Além disso, caso o preço se mantenha baixo por um período longo, a tendência é que muitos produtores norte-americanos de petróleo a partir do xisto decretem falência, uma vez que seu custo de produção é mais alto. Neste cenário, a oferta total do produto diminuiria, o que pode causar uma elevação no preço novamente.

Apesar do prejuízo líquido, a Petrobras apresentou um aumento de 36,4% no EBITDA ajustado em comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

A empresa registou um aumento de US$ 2,1 bilhões no endividamento em relação a dezembro de 2019. Em contrapartida, a estatal está com um caixa de US$ 15,5 bilhões – 94% maior se comparado ao quarto trimestre do ano passado.

Petrobras- endividamento 1T20

Isso foi possível, de acordo com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, porque a empresa optou por privilegiar a liquidez, sacando linhas de crédito compromissadas (revolving credit facilities) e postergando desembolsos de caixa.

“No ambiente de incerteza prevalecente, decidimos por manter, durante a crise, saldo de caixa bem mais elevado do que anteriormente, o que no curto prazo possui reflexo negativo sobre o retorno sobre capital empregado, mas que também não significa abandono da meta de maximizá-lo para criar valor ao longo do tempo”, disse Branco.

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