Nova ação na Carteira KB

Com o fim da temporada de divulgação dos balanços do segundo trimestre, uma substituição será feita na Carteira KB: sai Taesa (TAEE11) e entra PetroRio (PRIO3)

A PetroRio produz 8,1 mil barris de óleo por dia no Brasil – sendo a quinta maior fabricante do país. Suas principais fontes de receita são provenientes do campo de Polvo, na Bacia de Campos (RJ), e do campo de Manati, na Bacia do Camamu (BA), adquirido em março deste ano. Além disso, a empresa também é dona dos campos de gás FZA-M-539 e FZA-M-254, em Pirapema, na Foz do Amazonas, e possui 10% de Camarão Norte, ao sul de Manati.

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No entanto, a exploração do campo de Polvo foi responsável por 84% da receita líquida da empresa no segundo trimestre deste ano.

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Campo de Polvo

A PetroRio começou a explorar o campo de Polvo em 2014, quando fez a aquisição de 60% do contrato de concessão pertencentes a BP Energy do Brasil Ltda. No ano seguinte, a empresa passou a ser operadora exclusiva da área ao adquirir os 40% restantes da Maersk Energia Ltda.

Desde então, a companhia tem investido na extensão da vida útil do campo – o que possibilitou quintuplicar a expectativa de produção:

PetroRio estimativas

Os investimentos não param por aí. A PetroRio planeja perfurar novos poços no campo de Polvo. Segundo relatório da consultoria DeGolyer and MacNAughton, é possível que a capacidade total alcance até 21 milhões de barris.

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Brent x Lifting Cost

A questão central do modelo de negócios da PetroRio é a relação entre o preço do brent (petróleo do mercado internacional) e o lifting cost (custo de extração). Enquanto o preço do petróleo em dólares é exógeno (não depende da companhia), o custo de extração está diretamente ligado à eficiência operacional da PetroRio. Nesse sentido, a empresa tem tomado medidas visando a redução do custo – como corte de cerca de 70% das despesas gerais e administrativas – e, consequentemente, aumento da margem de lucro.

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Campo de Manati

A PetroRio fez um contrato de take or pay – que prevê a venda do gás extraído a um preço fixo, em reais, reajustado anualmente pela inflação – com a Petrobrás. O acordo é referente a Manati, terceiro maior campo produtor de gás natural do Brasil. O negócio rende à PetroRio um fluxo de caixa estável e previsível com uma ótima margem EBITDA em torno de 70%.

Aquisições

A PetroRio é um caso singular na bolsa: o caixa da companhia é maior do que seu valor de mercado! Com o plano de desinvestimentos anunciado pela Petrobrás, a empresa é candidata natural a adquirir ativos a fim de aumentar sua produção.
Segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da PetroRio, Blener Mayhew, “todo o caixa está 100% disponível para aquisições”. “Independente de trazermos ou não parceiros, temos condições de adquirir novos ativos”, disse em resposta à consulta da B3/CVM.

Novos campos

PetroRio novos camposDe acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a Bacia da Foz do Amazonas é uma bacia de nova fronteira com potencial para descobertas de gás e óleo leve.

A PetroRio é dona de dois poços na região, sendo que o campo Pirapema já possui dois poços perfurados e aparenta ter alto potencial para a produção de gás.

O campo Camarão Norte, por sua vez, pode apresentar economias de escala em função da proximidade ao campo Manati.

Preço do petróleo

A PetroRio mostrou durante uma apresentação institucional que as consultorias Wood Mackenzie e a Bloomberg sinalizam para uma alta do preço do brent nos próximos anos.

Entretanto, o valor dessa commodity é altamente imprevisível. Quem diria que o brent cairia de mais de US$ 100/ barril em meados de 2014 para menos de US$ 30/ barril em janeiro de 2016?

Por conta disso, a receita da PetroRio tende a ser mais volátil do que a de outras indústrias.

PetroRio estimativa brent

PetroRio X Taesa

A Taesa possui contratos duradouros de transmissão de energia elétrica com fluxo de caixa estável. No entanto, neste ano, ela deve apresentar lucro líquido menor por conta do recuo dos índices de inflação – IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) –, o que impacta diretamente a conta Correção Monetária do Ativo Financeiro da demonstração de resultado da empresa.

Já no primeiro semestre de 2018, três das principais concessões da companhia sofrerão redução de 50% da RAP (Receita Anual Permitida), afetando substancialmente a receita líquida da empresa.

Taesa RAP das concessões

Apesar das qualidades de previsibilidade de fluxo de caixa e da alta margem de lucro da Taesa, optamos por substituí-la.

Para nós, a PetroRio possui maior potencial de valorização. 

Com isso, essa passa a ser a nova Carteira KB:

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Carteira KB – Agosto de 2017

Pela oitava vez seguida, a Carteira KB rendeu mais que o Ibovespa; no ano, nossas ações lucraram 62,9% – entre valorização e dividendos –, enquanto o índice apenas 17,6% 

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Os resultados da Carteira KB estão cada vez melhores. Neste mês, a valorização foi de 12% contra apenas 7,5% do Ibovespa. Os R$ 100 mil investidos no primeiro dia do ano na Carteira KB valem hoje R$ 162.861,70. Nesse período, quem tivesse aplicado o mesmo valor no Ibovespa teria  R$ 117.613,36. São lucros de encher os olhos, ou melhor, o bolso.

Boa parte dessa valorização no mês se deve aos excelentes dividendos pagos pela Unipar, que, somando proventos e valorização da ação, nos rendeu 50,4% no período. A divulgação de um balanço favorável do segundo trimestre de 2017 e o fim da novela da OPA (Oferta Pública de Ação), com a rejeição da proposta de R$ 2,50 por ação UNIP6 oferecida pelo controlador, tornou possível a nova onda de valorização do papel.

Os resultados da Carteira KB ainda contaram com o bom desempenho da Ferbasa. A única produtora de ferrocromo das Américas teve uma valorização de 23%. O alto preço das ligas no mercado internacional e o aumento da produção das montadoras, que indica a recuperação do setor, são motivos potenciais para novas valorizações das ações da companhia.

A EZTec, Itaúsa e CSU Cardsystem vêm na sequência, com crescimento de 13,8%, 10,9% e 9,6%, respectivamente. 

A única ação que teve um resultado negativo foi a Taesa, com 2,4%.  A empresa responsável por 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica viu seu lucro do segundo trimestre despencar devido ao menor IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), se comparado ao mesmo período do ano passado. Por causa disso, a conta “Correção Monetária do Ativo Financeiro de Concessão”, que ficou em R$ 84 milhões positivos entre abril e junho de 2016, terminou com valor negativo de R$ 87 milhões no mesmo período desse ano.

Carteira detalhada - ago-17

Dividendos

Quatros ações pagaram dividendos neste mês: Taesa, Itaúsa, Grendene e Unipar. As três primeiras distribuíram proventos trimestrais equivalentes a pouco mais de 0,5% do valor das ações.

A Unipar, por sua vez, quitou a primeira parcela dos dividendos extraordinários anunciados em julho. Cada ação UNIP6 recebeu R$ 3,355 em 8 de agosto. A segunda parcela, de R$ 1,1727, deverá ser paga em 20 de dezembro desse ano. Além disso, a empresa distribuiu dividendos complementares de R$ 0,0345 por ação.

Conforme temos feito mensalmente, todos os dividendos recebidos foram utilizados para comprar ações das mesmas empresas.

 Veja como está a atual Carteira KB:

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Você quer saber como foram os desempenhos nos meses anteriores?

Acesse os balanços abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

Carteira KB – Junho de 2017

Carteira KB – Julho de 2017

Para este mês, planejamos fazer algumas alterações na Carteira KB.

Carteira KB – Julho de 2017

Os resultados de julho garantiram a sétima vitória consecutiva à Carteira KB contra o Ibovespa e um rendimento no ano de 45,4% contra apenas 9,5% do índice

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O segundo semestre começou com bons resultados para a Carteira KB. Com uma valorização de 5,3% contra 4,8% no mês de julho, abrimos ainda mais a diferença em relação ao Ibovespa no acumulado do ano. Enquanto as nossas ações somam um ganho de 45,4%, o índice tem 9,5%.

Grande parte desse rendimento é resultado do bom desempenho da Qualicorp, Ferbasa e EZTec que tiveram uma valorização de 14,3%, 11,2%  e 10,3%, respectivamente.

As únicas ações que se desvalorizaram no período foram Unipar, com perda de 8,7% de seu valor, e CardSystem, com 0,2%.

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O caso Unipar

O mês de julho foi agitado para a empresa fabricante de soda, cloro e derivados. Vimos a tentativa frustrada de OPA para o cancelamento de registro de companhia aberta e o anúncio de distribuição extraordinária de dividendos.

O resultado da Carteira KB foi diretamente impactado por esses eventos. O frisson causado pelas notícias da OPA, a união dos acionistas minoritários contra a proposta do controlador e a exposição dos principais indicadores da companhia na mídia destravaram o preço das ações, levando a uma forte valorização.

Ao mesmo tempo, as ações ficaram “ex” – sem direito a dividendos –, mas o pagamento somente será efetuado em agosto e dezembro. Portanto, o valor investido em Unipar em nossa carteira diminuiu, mas, se considerarmos os proventos que adquirimos direito a receber no mês, tivemos um ganho de quase 50%! 

O rendimento dos dividendos da Unipar serão contabilizados na Carteira KB nos meses em que forem pagos pela companhia.

 Veja como está a atual Carteira KB:

carteira kb - julho 2017.png

 Você quer saber como foram os desempenhos nos meses anteriores?

 Acesse os balanços abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

Carteira KB – Junho de 2017

Em cartaz: Unipar e a OPA frustrada

sala de cinema Unipar

Parecia enredo de filme a saga da Unipar Carbocloro para fechar o capital. Faltando poucas horas para o então aguardado leilão da OPA (Oferta Pública de Aquisição), a fabricante de soda, cloro e derivados divulgou que vendeu sua fatia de 17,8% no capital da Tecsis Tecnologia e Sistema Avançado.

O anúncio da Unipar – feito durante a madrugada – fez com que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) suspendesse a OPA “tendo em vista as condições extraordinárias em que se encontra a oferta e as incertezas que a realização do leilão nesta data traria às partes envolvidas na operação”.  A Vila Velha Participações, controladora da Unipar, ainda deverá encaminhar à CVM os detalhes da transação envolvendo a Tecsis.

O edital da oferta determina que durante a OPA não pode haver mudanças nos negócios da empresa que represente 5% ou mais do seu lucro do ano passado. No entanto, a venda da Tecsis teria superado esse montante de acordo com a Vila Velha. Sendo assim, a Comissão de Valores Mobiliários suspendeu a oferta até que a fabricante de soda encaminhe todas as respostas sobre o impacto que essa transação provocou. O prazo encerra-se nesta quarta-feira (2). 

Já nesta segunda-feira (31), a controladora da Unipar encaminhou um documento à CVM sobre sua intenção de revogar a OPA. 

Essa não é a primeira vez que a Unipar Carbocloro tenta fechar o capital. Em 2015, a oferta da companhia foi de R$ 4,40 por ação preferencial classe B (UNIP6) e no ano seguinte de R$ 7,50 pelo mesmo papel. Desta vez, a companhia teve a “coragem” de oferecer R$ 2,50. Ficou com vergonha?

Pois é, nós também!

Não à toa, nos habilitamos para o leilão e oferecemos R$ 25 por UNIP6 para vendê-las.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos!

Vale a pena comprar ações no mercado fracionário?

pequeno investidor

A ideia de escrever esse texto surgiu a partir da dúvida de um dos nossos leitores. Ele nos perguntou: “É melhor comprar ações todo mês ou juntar uma quantia durante um período e aportar?”. A pergunta que – aparentemente – parece simples, não é!

A maioria das ações listadas na Bovespa é negociada em múltiplos do lote padrão – normalmente composto de 100 ações. Assim, apesar de uma ação da Smiles, por exemplo, estar cotada hoje (22) em R$ 61,22, são necessários R$ 6.122,00 para comprar um lote padrão. Para pequenos investidores esse valor pode ser uma barreira importante à entrada ou à diversificação de seus investimentos.

No entanto, há a possibilidade de adquirir os papéis mesmo sem ter o montante para comprar o lote. Basta recorrer ao mercado fracionário, onde as ações são negociadas em quantidades menores em relação ao lote padrão.

Ao decidir comprar ações no mercado fracionário, o investidor terá algumas vantagens:

Diversificação

Suponha que o investidor tenha R$ 12 mil e pretenda dividir igualmente em quatro ações para diminuir seu risco. Se tivesse apenas o mercado de lotes padrão à disposição, os papéis da companhia de milhagem não seriam uma boa opção para este investidor.

Ficaria este investidor sem poder entrar na Bolsa? Não! O mercado fracionário de ações vem para corrigir esse problema. Nele, é possível negociar até mesmo uma única ação de cada vez.

Em nosso exemplo, o investidor poderia adquirir R$ 3 mil em Smiles comprando 49 ações.

Pequenas compras mensais

Outra situação em que o fracionário é útil ocorre quando o investidor pretende fazer pequenas compras mensais. Digamos que o fim do mês chegou, todas as contas foram pagas e você conseguiu juntar R$ 500 para investir em ações.

Sua intenção é comprar ativos da Grazziotin, cotadas nesta quinta-feira a R$ 23,80. Neste ritmo, seriam necessários cinco meses até conseguir os recursos para comprar um lote padrão por R$ 2.380. Com o mercado fracionário, ele poderia, por exemplo, optar por comprar apenas 21 ações da Grazziotin.

Mas… nem tudo são flores! Quando pensamos em vantagens, logo precisamos lembrar que lá estão elas: as desvantagens.

Mais negócio = mais corretagem

Utilizar regularmente o mercado fracionário não é a melhor estratégia para todos. Quem negocia nesse mercado tende a fazer maior quantidade de negócios e, assim, gastar mais com corretagem. Mesmo que algumas corretoras cobrem menos para operações no mercado fracionário em relação ao mercado de lotes padrão, o desconto não chega a 50%.

Vamos comparar as alternativas:

  • Compra mensal de R$ 500 em ações da Grazziotin até atingir um lote padrão de 100 ações
  • Compra única no quinto mês do lote padrão

Para fins de simplificação, vamos considerar um  preço fixo nesses cinco meses e utilizar a corretora Rico, que cobra R$ 8,90 por ordem no mercado fracionário e R$ 16,20 no mercado tradicional.

Na primeira opção, o investidor teria 100 ações da Grazziotin ao final do quinto mês, tendo gasto 5 x R$ 8,90 = R$ 44,50 com corretagem. Na alternativa, o investidor gastaria apenas R$ 16,20 ao fim do quinto mês. Quase um terço do custo!

Maior spread entre compra e venda no fracionário

As ações escolhidas para exemplificar não foram à toa. Enquanto as ações da Smiles participam do Ibovespa e negociam em torno de R$ 50 milhões por dia, as da Grazziotin não chegam a R$ 500 mil diariamente.

Quanto maior o volume de negócios, menos tende a ser o spread (a diferença entre o preço de compra e o preço de venda). Ou seja, menor é o custo de transação para efetuar compras e vendas no mercado. No mercado fracionário não é diferente: as ações da Smiles possuem maior volume de negócios e menores spreads que a Grazziotin.

Vamos aos exemplos com dados atuais:

No mercado fracionário de Smiles, era possível comprar SMLE3F (código para a ação ordinária negociada da Smiles no mercado fracionário) a R$ 61,30, enquanto que, na negociação de lote padrão, o melhor preço possível era R$ 61,24 – uma pequena diferença de apenas 0,1%.

No caso da Grazziotin, a CGRA4F era vendida a R$ 24,54. Ao passo que no mercado padrão poderíamos comprar CGRA4 pagando R$ 23,90, o que resulta numa diferença de preço de 2,7%. É muito mais caro comprar Grazziotin no fracionário!

Assim, quem opta pela compra no fracionário deve se atentar para a liquidez da ação. Ações muito líquidas (com alto volume de negócios) tendem a ter um preço muito próximo ao mercado de lote padrão. Já para as ações ilíquidas, em geral, paga-se caro demais. É necessário analisar caso a caso antes de decidir.

 

Seguro catástrofe pode proteger seus investimentos?

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A maior alta do dólar dos últimos 18 anos – registrada na semana passada – entrou para a história. A moeda não tinha uma alta tão expressiva desde a maxidesvalorização promovida por Gustavo Franco, então presidente do Banco Central, no milênio passado. O Ibovespa acompanhou o ritmo do mercado e sofreu a maior queda diária desde o ápice da crise de 2008, com redução de quase 9%. Algumas ações, como Cemig (CMIG4) chegaram a cair quase 50% em alguns momentos do dia.

A variação do mercado por conta da instabilidade política – ocorrida após a delação premiada dos dirigentes da JBS sobre o suposto pagamento de propina a políticos de diferentes partidos, entre eles, o presidente Michel Temer – fez com que um instrumento financeiro ganhasse destaque: as tais PUTs ou opções de venda.

Apelidadas de seguro catástrofe, as PUTs sobem de preço quando o ativo a que estão atreladas caem. Em dias de grandes quedas na Bovespa, é comum ver algumas delas valorizando 200%, 500% ou até 1000%. Por causa disso, é normal lermos ou ouvirmos conselhos sobre comprar as opções de venda para servir como uma espécie de seguro contra perdas na carteira de ações.

A questão é: o ganho extraordinário das PUTs compensa a desvalorização da carteira de ações? Vale a pena comprar esse tal seguro catástrofe?

Depende!

Vamos ao exemplo com dados reais de hoje (24), seis dias após o histórico 18 de maio.

A ação preferencial da Petrobrás – PETR4 – é negociada a 13,79. A opção de venda deste ativo com vencimento em 19 de junho deste ano e preço de exercício de R$ 12 custa R$ 0,17. 

Essa PUT só tem valor no vencimento quando a ação cai abaixo de R$ 12. Portanto, vamos simular uma queda de 20% no preço de PETR4, ou seja, a ação da Petrobrás valerá R$ 11,03. Nesse caso, a opção de venda terá valor justo de R$ 0,97 no dia 19 de junho, pois a PUT lhe dará direito a vender por R$ 12 um papel que custa R$ 11,03.

Pois bem. Nesse caso, você ganhou R$ 0,97 com a opção e perdeu R$ 2,76 com a desvalorização da ação. Seu ganho não anulou sua perda. 

Para se proteger completamente da queda de 20% da ação, você teria que comprar 2,76 opções de venda com preço de exercício de R$ 12. Mas 2,76 PUTs custariam R$ 0,48!

Ou seja, para se segurar contra uma perda de 20% utilizando as famosas PUTs, o investidor precisa sacrificar 3,5% todo mês, ou quase metade do valor de sua carteira em um ano! É como se você pagasse mais de R$ 20 mil por ano para o seguro do seu automóvel de R$ 50mil!

Esse mesmo exemplo pode ser aplicado para ações que possuem opções de venda negociadas na Bovespa, como Vale do Rio Doce e Itaú Unibanco, com resultados semelhantes.

O seguro catástrofe de fato existe, mas seu preço é alto.  Cabe a cada investidor decidir se deve ou não contratá-lo

O seguro ETF IVVB11

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Em tempo, uma alternativa válida para você se proteger contra perdas na carteira de ações é a ETF IVVB11.

IVVB11 é um fundo de índice, negociado na Bolsa de Valores, que busca retornos de investimentos que correspondam à performance, antes das taxas e despesas, do S&P500 (índice Standard & Poor’s 500).

Na prática, quem compra esta ETF (Exchange Traded Fund) adquire o índice com as 500 principais ações americanas em dólares.

Como mostramos no artigo “Mais retorno e menos risco na carteira: IVVB11”, a correlação entre o IVVB11 e o Ibovespa é negativa. Em geral, quando a bolsa brasileira sobe, o fundo cai e vice-versa. No dia 18 de maio, por sinal, essa regra funcionou perfeitamente: o índice Ibovespa desabou 8,8%, enquanto que a ETF IVVB11 disparou 8,6%.