Quanto rende o título público Tesouro Selic?

Doubtful 3D man

Conhecido como a bola de segurança dos investimentos, o Tesouro Selic pode apresentar muita variação no rendimento que realmente importa para o investidor

O Tesouro Selic está na boca do povo. Basta você ligar a televisão, ler revistas e jornais ou conversar com os seus amigos que se o assunto for investir com segurança fora da poupança, o título público dominará os assuntos. Você já reparou?

Entre janeiro de 2016 e janeiro deste ano, o estoque de Tesouro Selic no Tesouro Direto disparou! Eram R$ 5,4 bilhões no ano passado e agora são R$ 8,6 bilhões.

O papel costuma ser a primeira opção que vem à mente das pessoas que buscam rendimento sem sustos. Também pudera: ao contrário dos outros títulos públicos negociados no mercado, o Tesouro Selic não é tão dependente das oscilações de expectativa do mercado. Não à toa, foi apelidado de “bola de segurança”.

Para entender como ele ganhou esse status entre os investidores é fácil. Como o próprio nome diz, o Tesouro Selic rende apenas a taxa Selic do dia negociada no mercado. E, como sabemos, os juros no Brasil estão longe de serem negativos. 

Os outros títulos públicos – Tesouro IPCA e Prefixados – negociados no mercado podem apresentar retornos nominais negativos por meses em função de mudanças de expectativas para a taxa de juros futura.

Para termos ideia dessa oscilação, analisamos o ganho que realmente importa para o investidor: o retorno descontado a inflação, o imposto e a taxa de custódia. O valor indica em quanto aumentou o poder de compra dos recursos aplicados.

O gráfico abaixo mostra o rendimento real líquido do Tesouro Selic comprado ao par (sem taxa de desconto) desde 2008. É considerada a taxa de custódia de 0,3% ao ano, cobrada pela BM&FBOVESPA. As linhas mostram o rendimento considerando o menor imposto – 15% – cobrado por títulos públicos para aplicações de mais de dois anos e a maior alíquota – 22,5% – no caso de aplicações de menos de seis meses.

Tesouro Selic.png

Como podemos observar, o retorno do Tesouro Selic variou bastante. De 2008 a 2015, vemos uma tendência de queda dos rendimentos reais líquidos. Em 2016, ocorre uma forte recuperação em função do aumento da taxa de juros Selic acompanhado da queda da inflação.

Para 2017, é esperado um retorno historicamente alto. Considerando a projeção atual da pesquisa Focus – taxa Selic média de 10,75% e inflação de 4,43% – o Tesouro Selic deverá render, descontadas a inflação e os impostos, entre 3,5% e 4,3%.

Destacamos também o impacto do prazo da aplicação sobre os retornos. Em 2015, quem resgatou aplicações longas de mais de dois anos teve míseros 0,31% de rendimento.  Já para aqueles que retiraram as aplicações curtas de menos de seis meses, o ganho foi negativo! Após o pagamento de imposto de 22,5%, o investidor que aplicou neste título viu seus recursos perderem 0,57% do poder de compra no ano retrasado. Em termos práticos, você retirou menos do que aplicou.

Apesar da áurea de investimento seguro conquistada pelo título, o rendimento real líquido do Tesouro Selic costuma variar bastante.

Roberto Carlos acertou de novo!

A semana começou bem. A pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira (13), indicou queda – de 9,25% para 9% – na expectativa do mercado para a taxa de juros no final do ano.

O mesmo estudo mostrou ainda redução brusca na expectativa de inflação para 2017. Espera-se que terminaremos o ano com inflação de 4,19%. Portanto, já bem abaixo da meta do governo de 4,5%.

focus-17-03-17

Emprego e confiança reagem

Pela primeira vez em 22 meses, houve crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada.

É bem verdade que não foi um crescimento generalizado. Aliás, veja só, o maior crescimento percentual ficou por conta do governo. A administração pública teve quase 1% de aumento do número de empregados.

Emprego fev-17 setores

Nem todas as regiões progrediram. Enquanto Sul e Centro-Oeste tiveram crescimento de 0,5%, o Nordeste teve queda maior do que isso.

Emprego fev-17 regiões

Depois da volta do pessimismo no fim do ano, o índice de confiança da indústria melhorou e atingiu o maior nível em mais de dois anos. O número indica a visão da indústria quanto ao cenário atual e a expectativa para os próximos meses.

Confiança indústria.png

Uma semana só com boas notícias econômicas? É possível?

Parece que não!

Operação Carne Fraca

Friboi Tony Ramos

Terminamos a semana com a notícia de que até o churrasquinho sofre com a corrupção.

A Polícia Federal tornou público um esquema de pagamento de propina a fiscais agropecuários para que estes liberassem produtos vencidos e adulterados dos frigoríficos.

As duas maiores produtoras de carne do país – Brasil Foods e JBS – estão diretamente envolvidas na denúncia. As ações das companhias, por sinal, despencaram hoje no pregão da Bovespa: queda de 7,2% para a dona das marcas Sadia e Perdigão e de 10,6% para a detentora da Friboi.

Isso porque ainda nem conhecemos o real impacto desse escândalo. “Existe sim o receio de fechamento dos mercados, mas estamos conversando”, afirmou o secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, em entrevista coletiva à imprensa, informando que Estados Unidos e países da União Européia já questionaram o governo brasileiro sobre o ocorrido. Um embargo à carne produzida no Brasil poderia ter efeito catastróficos para o setor.

“Porque malandro é o Rei, que ganhou milhões para fazer campanha de carne estragada e é vegetariano.”

roberto-carlos-friboi 2

O CDB Grendene e seus calçados

Grendene

“Somos um grande CDB com um negócio de calçados acoplado”.  O diretor financeiro e de relações com investidores da Grendene, Francisco Schmitt, não poderia ter sido mais direto e objetivo ao definir o modelo de negócios da empresa. A frase foi suficiente para que os acionistas e investidores entendessem o que esperar para os próximos anos de uma das maiores produtoras mundiais de calçados.

Os desafios e metas da Grendene foram apresentados em uma reunião realizada na semana passada. Schmitt foi questionado sobre vários assuntos. No entanto, a pergunta mais comum feita pelos acionistas e investidores foi: quando será distribuído esse caixa que só faz crescer e já atinge R$1 ,5 bilhão?

Sem titubear, o diretor financeiro da Grendene respondeu que a atual política de dividendos deve ser mantida – o que significa distribuir todo o lucro líquido, descontadas a reserva de incentivos ficais e reserva legal. Schmitt ainda acrescentou que, com a recuperação da economia, mais recursos do caixa serão utilizados na operação da empresa.

Aumento do petróleo não nos atinge

 Petróleo

Enganou-se quem achou que os calçados da Grendene – como Melissa, Ipanema ou Rider – dependem do petróleo. Que nada!

Segundo Schmitt, o gás natural e o cloro compõem o PVC utilizado nos produtos. Assim, os custos da empresa não dependem do preço volátil do ouro negro.

O diretor ainda afirmou que, com o aumento da produção de gás a partir do xisto nos Estados Unidos, a tendência é que os preços fiquem comportados nos próximos anos.

Dólar e seus efeitos na Grendene

dolar 

A empresa sinalizou que faz apenas hedge cambial – proteção contra variações do dólar – para garantir a receita. Até 90 dias antes do embarque dos calçados, o preço em real é travado de maneira a não depender do câmbio.

Quanto aos custos, Schmitt deu uma resposta curiosa para o fato de a Grendene não fazer hedge: quando o dólar sobe, o aumento de custos é compensado pelo menor preço do gás. E, em cenários de bonança, quando a moeda americana cai, o valor da matéria-prima costuma subir. Assim, não há, segundo o diretor financeiro, necessidade de proteção cambial para os custos da empresa.

Por fim, respondendo a uma pergunta sobre o impacto do dólar na companhia, Schmitt afirmou que o resultado é dúbio: períodos de alta do dólar, que significam maior valor exportado, geralmente, vem acompanhados de recessão ou menor crescimento interno, o que diminui a demanda no Brasil pelos produtos da Grendene, disse.

 Market Share 

Ipanema

A Grendene detém 25% de participação no mercado de consumo de massa de calçados, enquanto que a Alpargatas – dona da marca Havaianas – possui entre 40% e 45%, segundo Schmitt.

A diferença da Grendene em relação a sua concorrente parece grande, certo? Depende! Quando consideramos que a Ipanema estreou no começo da década de 2000 e a Havaianas é uma marca de 1962 percebemos que a empresa conquistou uma boa fatia do mercado.

A boa atuação da Grendene e o crescimento da marca em pouco tempo fez com que os acionistas e investidores questionassem Schmitt sobre a previsão de aumento de market share – nacional e internacional – da fabricante de calçados. “A gente cresce devagar com relacionamento forte”, disse o diretor, que usou a Crocs como exemplo de empresa que expandiu fortemente e hoje vê suas lojas sendo fechadas uma a uma com a queda de demanda.

 Metas da companhia

LL Grendene

 A Grendene traçou uma meta de crescimento do lucro líquido de 12% a 15% ao ano para o decênio 2008-2018.

O gráfico acima mostra que em oito anos o resultado da companhia aumentou 165%, se mantendo dentro do guidance. Segundo Schmitt, esse número é fruto do aumento de produtividade e margens da empresa.

A Grendene é uma das ações da Carteira KB. Acompanhe aqui nossos resultados e dê sua opinião!

Quer saber mais sobre CDB? Veja o texto “Qual rende mais? LCI ou CDB?

 

Ganhe 105% em 8 dias! Por que não confiar em análise técnica

technical-analysis

“Quem sabe faz. Quem não sabe, ensina”

Você já percebeu a quantidade de cursos de análise técnica disponível? Ou estratégias milagrosas como “lucre 300% em 23 dias”. Ficar rico parece coisa simples, corriqueira.

Agulhadas, bandeiras, martelos, ombro, cabeça e ombro novamente!  A criatividade para nomear as estratégias impressiona.

A análise técnica é uma metodologia utilizada para prever os movimentos futuros dos preços dos ativos. Ela utiliza primariamente as variações de preço e volume no passado.

Segundo Charles Henry Dow – um dos precursores da análise técnica -, os preços embutem toda a informação disponível sobre os ativos. Por conta disso, não faria sentido analisar os fundamentos das empresas. Isso já foi feito.

Mas o fato é que Warren Buffet, Luiz Barsi Filho, Lírio Parisoto, entre outros bilionários investidores em ações, têm uma coisa em comum: repudiam a análise técnica como estratégia de investimento. Eles analisam e investem com base nos fundamentos das empresas.

“Gráfico é futurologia; adivinhação. Eu não acredito. Você conhece algum analista rico?” Luiz Carlos Barsi

E aí? Qual método você prefere utilizar? O de quem faz ou o de quem ensina?

Carteira KB – Fevereiro de 2017

O carnaval rendeu: Carteira KB dobra o retorno do Ibovespa no ano

carteira-kb-x-ibov-fev-17

Em fevereiro, mais uma vez, a Carteira KB venceu com tranquilidade o Ibovespa. Registramos valorização de 10,99% contra 3,38% do índice no mês.

No acumulado do ano, a Carteira KB rendeu 22,06%, enquanto o Ibovespa obteve pouco menos do que a metade: 10,69%.

Novamente, o grande destaque da carteira foi a CSU Cardsystem, com valorização de mais 35,2%. Nestes primeiros dois meses do ano, a ação da empresa – CARD3 – mais do que dobrou de preço!

Os ativos da Itaúsa e Smiles também tiveram valorizações expressivas de dois dígitos. A ação da Porto Seguro, que havia se desvalorizado em janeiro, se recuperou bem e teve aumento de 10%. Nenhuma ação da Carteira KB registrou queda em fevereiro.

Entre as principais ações da bolsa brasileira, o destaque foi a valorização do papel de maior peso no índice – ITUB4. As ações do Itaú valorizaram-se 7,49%.

Carteira detalhada - fev-17.png

Substituição

substituicao-qualicorp-porto-seguro

Para o próximo mês, faremos uma substituição: sai Porto Seguro (PSSA3) e entra Qualicorp (QUAL3).

Como mostramos neste artigo, a meta da Porto Seguro é aumentar por volta de 9% o lucro líquido em 2017. Entretanto, como apontaram o presidente e os diretores, será preciso aumentar consideravelmente as margens operacionais para compensar a queda do lucro financeiro, que ocorrerá por conta da redução da Selic.

Diante da difícil meta, optamos por vender a participação na Porto e comprar ações de uma das líderes no Brasil na administração, gestão e vendas de planos de saúde coletivos, empresariais e coletivos por adesão – a Qualicorp.

Comparando os números das empresas, a única vantagem evidente da Porto Seguro é o menor preço sobre lucro, o que indica ação mais barata. No entanto, o P/L mais alto da firma de saúde é compensado pelo maior crescimento das receitas e lucros – em apenas três anos, sua receita líquida dobrou.

Nos outros quesitos avaliados para a composição da Carteira KB, a Qualicorp supera a concorrente: maior pagamento de dividendos e maiores lucro sobre o patrimônio líquido e margem líquida.

Com a substituição deste mês, esta é a atual Carteira KB:

Carteira KB - fev-17.png

Você pode conferir o fechamento do mês de janeiro aqui.

A Carteira KB foi criada a partir deste artigo.

BC decide juros com inflação em queda livre

Inflação caindo.JPG

Amanhã, começa a reunião do Banco Central (BC) que decidirá a nova taxa básica de juros do país. A expectativa majoritária do mercado é de corte de 0,75%, o que traria a taxa Selic para 12,25% ao ano.

A pesquisa Focus desta segunda-feira (20) indica que, desde a última reunião do BC em 11 de janeiro, a expectativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) recuou de 4,81% para 4,43%. Essa queda abre espaço para cortes mais acentuados da taxa Selic.

Há quem diga que a inflação pode ser ainda menor. As instituições top 5 do mercado – aquelas que mais acertam estimativas – preveem inflação entre 4,2% e 4,14% para 2017.

Dois principais fatores ajudaram nesses últimos dias para essa queda de expectativa de inflação:

  • Queda do dólar. A redução dos preços dos produtos importados e daqueles cotados na moeda norte-americana aliviou a inflação. Desde a última reunião, a cotação caiu de R$ 3,18 para R$ 3,08.
  • Previsão de safra recorde. Os preços dos alimentos – grande vilão da inflação nos últimos anos – tendem a crescer pouco ou até recuar em 2017.

PIB e Juros

Os economistas ouvidos pelo Banco Central mantiveram as expectativas para o PIB (Produto Interno Bruto) e para a Selic.  A previsão é de crescimento de 0,48% da economia, enquanto os juros devem ficar em 9,50% ao ano.

Porto Seguro e a meta do bilhão

Queremos, não prometemos…

1-bilhao

No dia 6 de fevereiro, a Porto Seguro divulgou os resultados do último trimestre de 2016. Na mesma semana, foi a vez da teleconferência em que os diretores explicaram os resultados da companhia.  Até aí, procedimento padrão.

O que não sabíamos é que, a partir do dia 10, as novidades começariam: numa reunião em São Paulo para analistas de mercado e público em geral, os diretores apresentaram pessoalmente os números da empresa e responderam dúvidas.

Neste mesmo dia, a Agência Estado – Broadcast veiculou notícia que, segundo a Bovespa, “consta, entre outras informações, que a Porto Seguro espera que o lucro cresça em 2017 e alcance R$ 1 bilhão”.

Vale lembrar que a Porto fechou o ano passado com lucro líquido de R$ 915 milhões. Portanto, a estimativa significaria crescimento da ordem de 9,3%.

A bolsa brasileira, por sua vez, questionou a empresa, pois não identificou tais informações nos documentos enviados pela companhia.

Nesta segunda-feira (13), veio a resposta à Bovespa: “muito embora trabalhe para alcançar resultados próximos ao sugerido pelo referido portal de notícias, não há elementos, nesta data, que permitam assegurar que esses resultados serão ou não atingidos, ou mesmo para avaliar a possibilidade ou prazo para atingi-los”.

Assim, a Porto Seguro confirmou a intenção, mas não se comprometeu com a meta estabelecida.

Nos áudios da reunião disponibilizados pela empresa, podemos identificar duas passagens em que a meta é citada:

  • Fabio Lucheti – Presidente: (…) “nossa expectativa é que tenha sim uma margem de compensação entre o operacional e o financeiro. E a gente trabalha com uma expectativa de ter um lucro um pouco maior esse ano. Algo em torno de 10%”. (34 minutos)
  • Marcelo Picanço – Diretor: (…) “sobre o earnings, o orçamento, sim. Em torno de, a gente não faz projeções oficiais. A gente está buscando aqui e não é uma tarefa fácil, mas buscando ter uma expansão de earnings em torno de 10%. Um pouco mais, um pouco menos”. (49 minutos)

Em resumo, a meta do um bilhão de lucro líquido existe, mas não há certezas sobre quando e se esses objetivos serão atingidos.

Queda do lucro financeiro

grafico-de-queda

Quando questionado sobre como a queda da Selic impactaria seu resultado financeiro – a Porto Seguro possui R$ 9,8 bilhões em disponibilidades –, Marcelo informou:

(…) “A gente estima aqui uma queda talvez em relação ao realizado nesse ano para o ano que vem de uns 140 milhões de reais antes dos impostos, se você tirar o que é Previdência que acaba sendo transferido para o cliente. Então, isso é estimando por queda de Selic e mesmo já considerando uma certa performance”. (31 minutos)

Previsão de dividendos a pagar

dividendos-4

A empresa também foi questionada sobre a previsão de payout – proporção do lucro líquido distribuída aos acionistas através de dividendos e juros sobre capital próprio. “Para os dividendos que serão pagos agora, em abril, não há nenhuma perspectiva de aumento. Vai ser naquela linha de 35% de payout que nós vínhamos fazendo”, respondeu Marcelo. (54 minutos)

Concluindo – segundo as informações fornecidas pela diretoria da Porto Seguro –, é esperada uma forte queda no lucro financeiro, mas que deve ser mais do que compensada pelo aumento de margens no setor operacional. Os dividendos deste ano devem se manter no mesmo patamar do ano passado. Veremos!

A Porto Seguro é um dos nosso ativos. Veja aqui as ações que compõem a Carteira KB.