Recessão foi a chave para corte de 0,75% na Selic

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A ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta manhã (17), aponta as razões para o surpreendente corte de 0,75% na taxa de juros.

Expectativas de inflação ancoradas

O Banco Central (BC) sinaliza que a lentidão da recuperação da economia foi o principal responsável pela queda na inflação: “A dinâmica mais favorável da inflação no período recente mostra sinais de desinflação mais difundida e a atividade econômica aquém do esperado e a perspectiva de uma recuperação mais demorada e gradual tendem a reforçar esse processo.”

Considerando as projeções do mercado apuradas pela pesquisa Focus –   “taxas de câmbio de R$3,45/US$ e R$3,50/US$ ao final de 2017 e de 2018, respectivamente, e taxas de juros de 10,25% a.a. e 9,63% a.a. ao final dos mesmos períodos” – o modelo do Banco Central prevê inflação de 4,4% em 2017 e 4,5% em 2018, portanto no centro da meta.

Diante dos dados, todos os membros do Copom concordaram com o cenário de “expectativas de inflação ancoradas”.

Atividade econômica

Na seção em que discute a condução da política monetária, o BC diz que “o desempenho da atividade econômica recomenda a antecipação do ciclo de distensão da política monetária”. A frase deixa explícita a intenção de impactar a retomada do crescimento através de um corte agressivo na taxa de juros.

Apesar do aparente bom propósito da medida, vale lembrar que a função básica da instituição – prevista na Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964, que o criou – é garantir o poder de compra da moeda nacional, ou seja, manter a inflação em níveis baixos através, entre outros instrumentos, da fixação da taxa de juros.

Não é função, muito menos obrigação do Banco Central, tentar influenciar o nível de atividade econômica do país via juros. O documento de hoje esclarece que, de fato, o BC cedeu às pressões.

 

Rendimento esperado de CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Selic cai quase 0,5% em uma semana

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A expectativa para a taxa de juros neste ano despencou após o corte de 0,75% na Selic anunciado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na semana passada. É o que sinaliza o boletim Focus desta segunda-feira (16) divulgado pelo Banco Central (BC).

A previsão dos analistas de mercado é que terminaremos o ano com juros de 9,75%, o que significa uma queda de 0,5% em relação à pesquisa divulgada na semana passada. Além disso, a Selic média esperada para o ano caiu de 11,53% para 11,08%.

Caso esse cenário se confirme, teremos um 2017 com rendimentos substancialmente menores em ativos pós-fixados atrelados à Selic e ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), como a maioria dos CDBs, LCIs, LCAs negociados no mercado e o título público Tesouro Selic.

Inflação

Considerada quase inatingível há pouco tempo, a meta de inflação para o ano passado foi alcançada ao apagar das luzes. Fruto – em grande parte – da recessão que perdura no país.

Foi divulgado também na semana passada o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro. Com o índice em apenas 0,3%, fechamos 2016 com inflação acumulada de 6,29%, a mais baixa desde 2013 e pouco abaixo do teto da meta de inflação de 6,5%.

Para este ano, a pesquisa Focus indica a expectativa de inflação de 4,80%, pouco acima do centro da meta de inflação de 4,5%.

PIB

A tendência de queda do PIB (Produto Interno Bruto) que vinha deixando a equipe econômica do governo de cabelo em pé estacionou e, pela terceira semana consecutiva, a expectativa de crescimento de 0,5% para este ano se manteve. 

Considerado uma boa prévia do PIB, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) dessazonalizado, divulgado na semana passada, apresentou alta de 0,2% em novembro, primeira alta do indicador depois de meses em queda. 

Tesouro Prefixado é um bom investimento?

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A seção “Dúvida do Leitor” começa com uma pergunta de um investidor do Rio de Janeiro (RJ). 

Leitor: A expectativa é que a taxa Selic caia, então para 2017 o Tesouro Prefixado (LTN) é um ótimo investimento?

A dúvida do nosso leitor é recorrente entre os investidores. Jornais, revistas e até a televisão abrem espaço para essa discussão.

Para tentar esclarecer a dúvida do nosso leitor, vamos aos dados. O ano passado foi excelente para investidores em papéis pré-fixados. O IRF-M (Índice de Renda Fixa do Mercado) –  que representa a evolução do preço de uma carteira de títulos pré-fixados – rendeu 23,37%, contra 14,02% da taxa Selic que serve de referência para os títulos pós-fixados.

Tal resultado foi possível graças à revisão para baixo da expectativa de juros.  No entanto, o que garante que essas projeções não foram longe demais? Estaria o mercado excessivamente otimista?

A verdade é que ninguém é capaz de afirmar se o Tesouro Prefixado vai render mais do que o Tesouro Selic (LFT). Cravar quem será o vencedor é ingenuidade ou charlatanismo. Ou os dois, quem sabe?

Para saber mais sobre esse assunto, leia o nosso texto Tesouro Prefixado X Tesouro Selic.

Você também tem uma dúvida sobre investimentos? Ou quer saber mais sobre o Tesouro Direto?

Se sim, envie um e-mail para kbinvestimentos@gmail.com que tentaremos lhe ajudar!

Surpresa: Banco Central reduz juros a 13%

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Por decisão unânime, o Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira a taxa Selic de 13,75% para 13% ao ano.  O comunicado divulgado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) cita “evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico” para cortar os juros em 0,75% e surpreender os que esperavam uma decisão mais conservadora.

Apesar da projeção do mercado, divulgada nesta segunda-feira (9) pela pesquisa Focus, apontar que a expectativa de inflação para este ano é de 4,81% – portanto ainda acima do centro da meta 4,5% -, a instituição cortou agressivamente a taxa.

A decisão tomada pelo Banco Central foi contrária às nossas previsões e surpreendeu a maioria do mercado. Seria esse o primeiro sinal de que o BC não aguentou as pressões – conforme mostramos no comentário sobre a última ata divulgada no ano passado –  e não é assim tão independente?

A situação fica evidente quando o comunicado diz que “no âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto”.  A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos é um desses fatores. As ações prometidas pelo novo presidente podem valorizar o dólar e, consequentemente, subir a inflação.

O aumento do funcionalismo público – anunciado recentemente –  vai na direção contrária à necessária para conter os gastos do país. Além disso, as incertezas sobre a reforma da previdência permanecem e, mesmo se aprovada, o Congresso sinaliza que apresentará emendas que tendem a diminuir a economia gerada com o projeto.

O Banco Central bem que tentou, mas cedeu às pressões por aumentos mais fortes na taxa básica de juros. A decisão de hoje torna mais difícil o alcance do centro da meta de inflação de 4,5% estabelecida pelo governo.

 

 

Em queda, inflação se aproxima da meta

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Banco Central: “para este ano a minha meta é 4,5%”. E, pelas expectativas dos economistas do mercado financeiro, o índice será alcançado. Os dados divulgados nesta segunda-feira (9) no boletim Focus sinalizam para uma redução da inflação de 4,87% para 4,81% neste ano.

A princípio, a queda esperada na inflação pode ser vista como boa notícia. O índice alto diminui rapidamente o poder de compra dos salários.

Por outro lado, esse dado reflete o agravamento da crise com a queda do consumo e do investimento. Não à toa, os analistas consultados semanalmente pelo Banco Central mantiveram as projeções de aumento de 0,50% do PIB (Produto Interno Bruto), mesmo índice da semana passada.

As mudanças na política de concessão de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), anunciadas na última quinta-feira (5) e consideradas positivas pelo mercado, contribuíram para estacionar a queda das expectativas do PIB. Destacamos:

  • Oferecimento de crédito para capital de giro diretamente às empresas. Com a redução de oferta de financiamento do sistema bancário, tal medida deve aliviar o caixa das empresas;
  • Horizontalizar a concessão de crédito, ao invés de privilegiar setores específicos. É o fim da política de “campeões nacionais”;
  • Estabelecimento de metas, como aumento da produtividade ou geração de emprego, antes do financiamento de cada projeto. O banco terá que reportar o impacto de suas ações para a sociedade.

Juros Selic

Nesta quarta-feira (11), o BC anunciará a decisão sobre a taxa básica de juros – Selic. As expectativas do mercado se dividem entre queda de 0,5% ou de 0,75%.

Acreditamos que o Banco Central será mais conservador (-0,5%), dado que as expectativas de inflação, apesar de continuarem caindo, ainda estão acima da meta para 2017. Veremos!

Carteira de Ações KB

Selecionamos 10 ações e compramos R$10 mil de cada uma delas no dia 29/12/2016, último dia de negociação da Bovespa no ano passado. O nosso objetivo é analisar o desempenho desta carteira ao longo de 2017 e compará-la com a performance do índice Bovespa.

Seleção das ações

Utilizamos critérios fundamentalistas – que estão sendo detalhados na série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista” – como preço/lucro, preço/valor patrimonial, margem líquida, retorno sobre o capital investido e sobre o patrimônio líquido, dívidas líquida e bruta e dividendos/preço para selecionar as ações.

Os dados estão disponíveis no Fundamentus – sistema online de informações financeiras das empresas com ações listadas na Bovespa – e no item “relações com investidores” nos sites das próprias companhias.

Não utilizamos modelos sofisticados para prever fluxo de caixa ou receita das empresas. Não nos adentramos em pequenos detalhes específicos de cada companhia. Não tentaremos acertar o timing da tendência das ações usando análise técnica.

A estratégia aqui foi selecionar de maneira simples as ações que se encaixam nesse perfil, seguindo algumas regras:

  • Apenas uma empresa por setor
  • Altas margens líquidas de lucros, ou seja, alto lucro líquido em relação à receita líquida
  • Boas pagadoras de dividendos
  • Altos lucros líquidos em relação ao seu preço, ou seja, baixa razão preço/lucro
  • Dívida bruta e líquida baixa e controlada
  • Liquidez diária maior do que R$ 50 mil
  • Apenas ações ordinárias, exceto quando estas não tiverem liquidez suficiente

Ações escolhidas

UNIP6 – Unipar Carbocloro. Empresa do setor químico cuja atividade principal é a atuação no setor de soda, cloro e derivados.

CARD3 – CSU Cardsystem. Firma líder na prestação de serviços de alta tecnologia voltada ao consumo, relacionamento com clientes, processamento e transações eletrônicas.

CGRA4 – Grazziotin. Única ação preferencial escolhida em virtude da baixa liquidez da ação ordinária. Atua majoritariamente no setor de vestuário na região sul do país.

ITSA3 – Itaúsa. Holding que controla o Itaú Unibanco Holding S. A., suas controladas – Banco Itaú e Banco Itaú BBA -, no segmento financeiro, Duratex, Itautec e Elekeiroz, líderes de seus respectivos ramos industriais.

GRND3 – Grendene. Uma das maiores produtoras de calçados do mundo, dona das marcas Melissa, Rider, Ipanema, entre outras.

SEER3 – Ser Educacional. Organização privada com atuação no setor de ensino superior em São Paulo e nas regiões nordeste e norte do Brasil.

TAEE11 – Taesa. Presente em 16 estados, é responsável por aproximadamente 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica.

PSSA3 – Porto Seguro. Quarta maior companhia seguradora do Brasil e líder nos segmentos de automóvel e residência.

EZTC3 – Ez Tec. Empresa integrada que atua no setor de incorporação, venda e construção de imóveis, com foco na região da grande São Paulo.

Análise da Carteira KB

Foram utilizados os dados disponíveis referentes aos últimos 12 meses para lucro, receita e margem líquidas e dividendos. Para patrimônio líquido, preço e dívida bruta consideramos os últimos números divulgados por cada empresa.

Para visualizar melhor a comparação que pretendemos fazer, construímos gráficos com a mediana da Carteira KB e da carteira de ações que compõem o índice Ibovespa. Foi escolhida a mediana – uma medida central de tendência – ao invés da média, pois ela sofre menor distorção por conta de observações extremas.

Preço: quanto menor o preço/lucro, maior é o lucro da empresa em relação ao seu valor de mercado. Ações com essa medida mais baixa apresentam maior margem de segurança para o investidor.

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A Carteira KB apresenta preço/lucro pouco acima de 7, enquanto que o Ibovespa é pouco superior a 11.

Lucratividade – margem líquida: uma maior margem líquida indica que a firma lucra mais para cada real em vendas de produtos ou serviços.

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A Carteira KB dá um show! As margens são quatro vezes maiores do que a mediana do Ibovespa.

Lucratividade – ROE (retorno sobre o patrimônio líquido): o ROE (return on equity) indica quanto de lucro em relação ao patrimônio líquido a companhia é capaz de auferir.

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A Carteira KB tem retorno sobre o patrimônio líquido um terço maior do que o Ibovespa.

Dividendos: quanto maior a razão dividendo pago/preço (dividend yield), mais proventos o investidor pode esperar para cada real que detém em ações da empresa.

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A mediana da Carteira KB vence a mediana do índice Ibovespa com facilidade. A KB distribui mais do que o triplo em proventos.

Dívida: a relação dívida bruta/patrimônio líquido índica qual o nível da dívida da firma. Empresas muito endividadas tendem a ter menos espaço para investimentos e sofrem mais em períodos de crise.

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A dívida da Carteira KB é quase oito vezes menor do que a das ações que compõem o índice Ibovespa. Além disso, a dívida líquida de muitas ações da carteira é negativa, ou seja, as disponibilidades da empresa são maiores do que a dívida bruta total.

Ao menos parou de piorar: PIB 2017 em 0,5%

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Status do PIB (Produto Interno Bruto): estável. Se há algumas semanas a expectativa de crescimento da economia brasileira vinha despencando ladeira abaixo, o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (2) nos deixa um pouco mais tranquilos, mas não menos decepcionados com a retomada tímida da produção. 

Os analistas do mercado financeiro consultados semanalmente pelo Banco Central mantiveram as projeções de aumento de 0,50% do PIB, mesmo índice da semana passada. O mesmo não ocorreu com a inflação, que deve subir neste ano de 4,85% para 4,87%. A expectativa de aumento ainda não é preocupante, já que o centro da meta de inflação é de 4,5%.

A boa notícia é que a previsão de cortes mais acentuados dos juros deverá ser mantida pelo Banco Central. O Focus sinaliza que a Selic chegará a 10,25%, ante a taxa de 10,5% anunciada na semana passada. Atualmente, o índice está em 13,75%.  A redução dos juros é fundamental para a retomada do crescimento brasileiro – taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito.

A lentidão dos ajustes da equipe econômica do governo Michel Temer é decepcionante. As medidas tomadas estão indo no caminho certo, mas são poucas diante da série de mudanças que precisam ser feitas para que as empresas retomem a confiança no Brasil e voltem a investir em nossa economia.