KB Investimentos entrevista: CSU

Conversamos com exclusividade com o CFO da empresa, Ricardo Ribeiro Leite, para comentar os resultados da companhia que fizeram a ação CARD3 dobrar de preço em 2017

CSU Ricardo Leite

O boom das ações da CSU – empresa de prestação de serviços de alta tecnologia – chamou a atenção do mercado. Vendida no primeiro dia de janeiro a R$ 4,91, os papéis CARD3 mais do que dobraram de valor em março. Hoje acumulam alta de quase 100% no ano.

As diferentes facetas da CSU foram fundamentais para esse sucesso. Fundada em 1992, a companhia conseguiu se reinventar em momentos delicados. Inclusive quando viu suas ações derreterem no mercado e seu lucro líquido despencar mais de 90%, em 2013, com a saída de um de seus principais clientes, o HSBC.

A queda de resultados levou a CSU a criar novas frentes de negócios – para não depender exclusivamente de um único setor – e a oferecer soluções completas aos seus clientes com os serviços prestados pela CSU CardSystem, CSU Contact, CSU MarketSystem e CSU ITS.

A fórmula deu certo. Com a reestruturação, o lucro da CSU chegou a R$ 34,9 milhões no ano passado. Os bons resultados conquistados começaram a se refletir no mercado de ações e a CARD3 deixou de ser figurante para se tornar protagonista da Bovespa.

Ponto para o KB Investimentos ao selecionar o ativo para compor a Carteira KB. Graças ao bom desempenho da CARD3 e nossas outras ações, tivemos até agora um rendimento de 25,88% no acumulado do ano contra apenas 7,9% do índice Ibovespa.

Para comentar os resultados e saber quais serão os próximos passos da companhia, o KB Investimentos conversou com exclusividade com o CFO (Chief Financial Officer) da CSU, Ricardo Ribeiro Leite. 

As ações da CSU mais do que dobraram de preço neste ano. Vocês ficaram surpresos com o resultado? A reestruturação e o aumento do lucro da empresa trouxeram mais segurança para os investidores?

Foi uma satisfação, mas não uma surpresa. A gente vem apresentando, por oito ou nove trimestres consecutivos, resultados bastante favoráveis. Os múltiplos em termos de preço no mercado versus os resultados da companhia estavam se distanciando mais e mais. Foi uma reação tardia e entendemos que não se esgota por aqui, ou seja, os múltiplos da companhia ainda não estão alinhados com os peers dos mercados nacional e internacional nos setores em que a CSU opera.

Além disso, percebemos um momento desfavorável a investidores estrangeiros e institucionais locais e decidimos dar atenção a outros segmentos do mercado – pessoas físicas e clubes de investimentos – com apresentações setoriais e regionais. Vimos que o crescimento recente dos preços das ações e do volume negociado está ligado a estes segmentos. Correlacionado a isso, a Sul América diminuiu a participação na companhia, o que possibilitou um aumento da liquidez das ações e a entrada de novos investidores.

No release do último trimestre de 2016, é destacado que o uso da OPTe+, como plataforma de resgate, mais do que dobrou em dois anos.  Qual o impacto da OPTe+ na melhora dos resultados da companhia?

Os setores que nós não apresentamos informações com maiores detalhes ainda não atingiram relevância dentro da companhia. No caso da Marketsystem, passamos algumas informações para verificar a tendência, mostrar a evolução da Opte+ e outras alternativas de resgates. O mesmo vale para a unidade CSU ITS.

O lucro bruto da empresa cresceu R$ 18 milhões de 2015 para 2016. Nesse mesmo período, a conta “Custos dos Prêmios Entregues” caiu de R$ 41,8 milhões para R$ 21,1 milhões, variação maior até que o aumento do lucro. Qual o motivo dessa redução pela metade desse custo? E qual é a expectativa para esse item nos próximos anos?

Essa é uma questão de modelagem de negócios com os clientes de uma maneira diferente. Por exemplo, um contrato com um cliente que antes tratávamos como receitas e custos de serviços, por causa de uma alteração na contratação, deixamos de faturar como prestação de serviço. O valor deixa de ser receita e deixa de ser custo e transita no balanço da companhia apenas como nota de débito. É uma questão de alteração no registro contábil. Essa redução de custos dos prêmios entregues teve um impacto em termos de lucro absolutamente zero.

A CSU Contact e a CSU CardSystem têm receitas em níveis semelhantes e lucros muito diferentes. A margem EBITDA da Contact em 2016 foi doze vezes menor que a da CardSystem. Até que ponto a Contact é importante para oferecer uma solução completa e integrada aos seus clientes?

O mercado de contact center é muito concorrido, o que torna mais difícil conseguir uma diferenciação que permita maiores margens.  A CSU Contact apresenta pontos positivos ao possibilitar a diluição de custos operacionais e complementar as atividades da Marketsystem, Cardsystem e ITS, que têm necessidade de atendimento ao cliente. Ao trazer clientes novos para a empresa, cria-se um potencial para que estes se tornem usuários dos outros serviços da CSU. Portanto, independentemente do patamar bem abaixo de rentabilidade, a CSU Contact deve permanecer como um core business da empresa.

A CSU prevê investimentos da ordem de R$ 45 milhões para 2017. A necessidade de investimento para os próximos anos tende a se manter nesse nível?

O nível de investimento da companhia está muito atrelado às novas contratações comerciais. Cada contrato adicional implica investimento inicial. Um bom plano comercial no ano significa capex mais acentuado. Como em 2014 e 2015 não houve crescimento forte, os orçamentos de capital aprovados não foram executados. Em 2017, nosso desejo é que esse orçamento se torne realidade, mas vai depender do sucesso comercial da CSU.

Qual a expectativa de distribuição de resultados para os próximos anos?

Quanto aos dividendos, buscaremos uma política agressiva girando em torno do percentual de 35% a 40% do resultado líquido anual.

Neste ano a CSU anunciou que fechou uma parceria com um novo cliente na área de processamento de cartões. Já é possível divulgar o nome, o setor ou o número de cartões desse novo cliente?

É uma instituição financeira de médio porte com foco regional. O acordo significa o lançamento do projeto. Não tem um portfólio já existente, como o Banco Mercantil do Brasil, que veio com seus 900 mil cartões. Nós teremos a satisfação de emitir o primeiro cartão desse novo cliente. Há potencial para várias centenas de milhares de cartões.

Por que reinvestir dividendos?

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Previsto na Lei de Sociedade de Ações, toda empresa deve distribuir anualmente no mínimo 25% do lucro líquido ajustado. A exceção fica por conta dos casos em que o estatuto da firma for omisso e a assembleia-geral decidir alterar esse valor.

O lucro líquido ajustado é calculado como o resultado do exercício menos a reserva legal (5% do lucro líquido) menos a quantia destinada para reserva de contingência mais a reversão dessa reserva de exercícios anteriores. Como, na prática, raramente é constituída ou revertida a reserva de contingência, no ano t calculamos:

reinvestindo dividendos - formula 1

A companhia deve destinar anualmente para pagamentos de dividendos ao menos:

reinvestindo dividendos - formula 2

Apesar do mínimo obrigatório, nada impede que empresas optem por distribuição mais robusta dos resultados da companhia. Em geral, companhias com fluxo de caixa mais previsível pagam maiores quantias. A Taesa S. A. – uma das empresas da Carteira KB –, por exemplo, distribuiu nos últimos 11 anos a maioria de seus lucros:

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A estratégia vencedora

Uma vez recebidos os dividendos, o investidor deve escolher entre reinvestir ou gastar os recursos. Se optar pela primeira opção, deve ainda decidir para onde destinar o dinheiro recebido – se na própria companhia ou em outra opção disponível.

O reinvestimento de dividendos na própria empresa apresenta resultados consistentes no longo prazo. Companhias que tradicionalmente pagam dividendos fornecem recursos a seus acionistas para que estes aumentem o número de ações detidas.

Veja os exemplos de duas firmas pertencentes à Carteira KB:

Itaúsa

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Grendene

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Como vemos acima, em ambas as companhias os resultados para o investidor aumentaram em mais de 50% quando os dividendos foram reinvestidos na própria empresa.

A Carteira KB adota a estratégia de reinvestimento dos dividendos recebidos na própria empresa.

Promoção Itaú: compre 3 e leve 4

Quem não gosta de uma promoção, não é? Imagine comprar quatro ações do maior banco privado do país pagando o preço de três! Pois é, essa pechincha é possível se você adquirir os papéis da holding Itaúsa (ITSA4), ao invés dos ativos do Banco Itaú Unibanco (ITUB4).

Com participações em quatro empresas – Itaú Unibanco, Duratex, Eleikeroz e Itautec -, as ações detidas pela Itaúsa valiam R$ 96,1 bilhões em 31 de março. Sendo que R$ 93,1 bilhões correspondiam apenas aos papéis do banco. No entanto, na mesma data, o total de ações da Itaúsa era negociado a R$ 71 bilhões. Ou seja, comprando a Itaúsa inteira, você pagaria este valor e levaria R$ 93,1 bilhões em ações do Itaú e mais R$ 3 bilhões de bônus.

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Usando um exemplo mais realista: ao comprar 300 açoes ITSA4 – a ação mais negociada da Itaúsa – o investidor KB pagaria R$ 2.877,00, em 31 de março, e seria dono de 0,004052% da empresa.

Considerando que a Itaúsa é proprietária de 37,36% das ações do Itaú e que a ação ITUB4 era negociada no fim do março a R$ 38,26, o investidor KB deteria:

Itaúsa - fórmula

Ou seja, gastando R$ 2.877,00 em Itaúsa, você compra indiretamente R$ 3.772,33 em ações do Itaú. Uma proporção de praticamente R$ 4 em ações adquiridas para cada R$ 3 gastos!

Corra! A promoção é por tempo limitado!

Será?

 Parece que não!

Como mostramos, há um desconto no preço de Itaúsa em relação a ação do Banco Itaú Unibanco. Uma pergunta óbvia seria: A promoção vai acabar? Devemos comprar agora e esperar que o desconto termine para lucrar com a correção de preço da Itaúsa?

A história mostra que não. O desconto existe há mais de dez anos e não existe uma clara tendência de redução.

O gráfico abaixo mostra o desconto da Itaúsa em relação ao valor “justo”, definido como a diferença entre valor de mercado efetivamente verificado da Itaúsa e o valor de mercado da soma de suas participações nas companhias abertas.

Itaúsa - historico de desconto.png

Como vemos acima, o desconto diminuiu até alcançar a mínima de 15,9% em 2011. A partir daquele ano, a tendência se inverte e o número atinge 27,8% em dezembro de 2016. Neste ano, começamos com queda no percentual.

A ação da Itaúsa faz parte das dez ações escolhidas para compor a Carteira KB.

Este  artigo, no entanto, não tem a intenção de recomendar a compra da ação Itaúsa. A ideia é apenas mostrar que é possível comprar mais ações do Banco Itaú Unibanco – indiretamente – por meio de Itaúsa do que diretamente através da própria ação do banco.

Carteira KB – Março de 2017

As águas de março fecharam um belo verão para a Carteira KB que rendeu 25,88% no ano contra apenas 7,9% do Ibovespa

carteira kb x ibovespa - março 2017

A Carteira KB terminou o mês de março com leve alta diante do recuo do Ibovespa. Enquanto nossas ações valorizaram-se 3,1%, o índice apresentou queda de 2,5%. Se considerarmos o acumulado do ano, os nossos ativos renderam 25,88% e o Índice Bovespa não conseguiu nem um terço dessa valorização: 7,9%.

Os destaques do mês foram a Grendene – com 13,4% de rendimento – e a Grazziotin – com 10,3%. Na contramão, a Itaúsa perdeu 6,9% de seu valor.

Para os acionistas da Comgás, o motivo de comemoração foi a distribuição de dividendos referentes aos lucros do ano passado de R$3,3829 por ação preferencial – CGAS5.

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Balanceamento

balanceamento

As empresas da Carteira KB já publicaram os resultados do quarto trimestre de 2016 e nenhuma delas apresentou prejuízo no ano. Apesar da crise econômica, a maioria teve aumento dos lucros líquidos.

As ações da CSU Cardsystem foram o grande destaque nesses primeiros meses por ter dobrado de preço no período. O desempenho – mais do que desejável – trouxe uma situação “desconfortável”: o peso dela na carteira é quase o dobro dos demais ativos.

O tamanho que as ações CSU alcançaram em tão pouco tempo deixou a variação da Carteira KB muito dependente de seu desempenho. No entanto, o objetivo de se ter uma carteira é justamente mitigar o impacto de variações de um papel específico no resultado. 

 E agora?

 Simples!

Para resolver essa situação, vamos fazer um balanceamento da Carteira KB: venderemos as ações das companhias com maiores altas e compraremos os ativos que menos valorizaram-se. Usaremos também os dividendos recebidos da Comgás no mês.

O nosso objetivo é voltar a situação do início do ano e ter todas as ações com o mesmo peso na carteira. Com os ganhos obtidos até aqui, será possível começar o trimestre com R$12.588,20 de cada companhia.

Com o balanceamento, esta é a atual Carteira KB:

carteira kb - março 2017

Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Quer saber como criamos a Carteira KB? Veja aqui como escolhemos as ações.

Montando uma carteira de ações fundamentalista – Parte 3 – Preço/Lucro

Preço sobre Lucro, Preço/Lucro ou simplesmente P/L. Não importa a forma como o indicador é escrito e sim o que ele pode mostrar sobre a ação que você pretende comprar. O que o faz ser um dos índices mais utilizados quando o assunto é análise fundamentalista.

O economista Jeremy J. Siegel deixa claro no livro “Stocks For the Long Run” o quanto o Preço sobre Lucro pode influenciar na decisão dos investidores: “buying stocks at or below their historical valuation is the best way to guarantee superior returns”. Trocando em miúdos, comprar empresas com P/L tende a garantir maiores retornos para o acionista.

A conclusão de Siegel levou em consideração a análise do histórico de rentabilidade das ações americanas entre 1957 e 2013, segundo seu Preço/Lucro. Ele dividiu as 500 ações que compõem o S&P 500 – principal índice norte-americano – em cinco partes iguais: dos ativos com o menor P/L (teoricamente os mais baratos) até os com o maior P/L (as mais caras).

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Conforme vemos no gráfico acima, as ações mais baratas apresentaram os maiores retornos em 55 anos, enquanto que as consideradas caras tiveram o pior desempenho.

Quem investiu US$ 1 mil nas ações de baixo P/L em 1957 tinha ao final do período US$ 800 mil! Enquanto isso, o mesmo investimento em ações de alto Preço sobre Lucro renderia US$ 64.116 ao investidor no final de 2012. A diferença final foi de mais de DEZ vezes!

Problema: Preço/Lucro olha o passado

Não só de elogios vive o P/L. Talvez, a principal das críticas ao índice é que – via de regra – ele considera os lucros passados. Normalmente, um menor resultado ao dividir o preço atual pelo lucro líquido dos últimos doze meses da companhia significa uma ação mais barata. Certo?

Depende!

O que garante que o lucro líquido do futuro será igual ou maior do que no último ano?

Qual é a perspectiva de aumento dos lucros para os próximos anos?

O P/L atual não está distorcido por conta de um trimestre de lucros excepcionalmente bons ou ruins?

Saraiva

O índice precisa ser analisado com atenção! Tome como exemplo a empresa Saraiva – SLED3. No último trimestre de 2015, a livraria obteve uma receita não recorrente por conta da venda da Saraiva Educação – divisão que cuidava dos ativos editoriais e de ensino da companhia.

Por conta disso, o resultado do período saltou de prejuízo de R$ 13,6 milhões em 2014 para lucro líquido de R$ 194,2 milhões no ano seguinte. Hoje (antes da divulgação do resultado do quarto trimestre de 2016), o Preço sobre Lucro calculado da Saraiva é de um dos menores da Bovespa: próximo a 1! 

Apesar de parecer uma pechincha da bolsa, o investidor precisa lembrar que, assim que soubermos este resultado – previsto para o dia 28 -, esse lucro extraordinário sairá do cálculo de Preço sobre Lucro dos últimos doze meses. Com isso, o P/L da empresa tende a disparar.

Ações de crescimento e ações de valor

 Se P/L indica o quão cara ou barata está uma ação, o que justificaria algumas delas serem negociadas a Preços sobre Lucros muito mais altos do que outras?

Em geral, a expectativa de crescimento da companhia seria a principal resposta. Growth stocks – ou ações de crescimento – são negociadas a múltiplos maiores por causa da expectativa de alta nos lucros da empresa.

Uma companhia que tem valor de mercado de R$ 400 milhões e lucro líquido de R$ 20 milhões ao ano – portanto P/L 20 – pode parecer bastante cara. Entretanto, se a empresa dobrar o lucro nos próximos anos, mantido o preço, o P/L cairia pela metade.  O valor da ação deixaria assim de ser considerado uma extravagância.

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A segunda ação em peso no Ibovespa – ABEV3, da Ambev – é um bom exemplo de crescimento. Mesmo durante o período de queda de preços dos ativos em 2015, o P/L  da companhia de bebidas nunca caiu abaixo de 15. Hoje, se situa acima de 20. O mercado precifica que os lucros da empresa são sólidos e com perspectivas de crescimento.

As value stocks – ou ações de valor -, por sua vez, não carregam altas expectativas do mercado quanto ao crescimento dos lucros. Costumam ser empresas atuantes em setores com limitações ao crescimento das receitas, como concessionárias de energia elétrica e gás, de quem não se esperam grandes saltos de lucratividade. 

 Benjamin Graham e a margem de segurança

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 A margem de segurança é um dos temas centrais do método de investimento do professor e mentor de Warren Buffet, Benjamin Graham. No livro Investidor Inteligente, ele define assim:

 “(…) uma diferença favorável entre o preço, de um lado, e o valor indicado ou avaliado de outro. Essa diferença é a margem de segurança. Ela existe para amortecer o efeito de cálculos errôneos ou da falta de sorte”.

Se compararmos duas ações semelhantes, a ação com P/L mais alto embute no preço maior expectativa de crescimento dos lucros. Quanto maior o índice, mais o resultado deve aumentar apenas para justificar o preço atual e, portanto, menor é a margem de segurança.

No livro Security Analysis, escrito em 1934, Graham define:

“Hence we may submit, as a corollary of no small pratical importance, that people who habitually purchase common stocks at more than about 16 times their average earnings are likely to lose considerable money in the long run”. 

Ou seja, na regra de bolso para o mercado americano, definida há mais de 80 anos, quem compra ação com P/L acima de 16 provavelmente perderá dinheiro.

 Peter Lynch e a PEG ratio

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 Peter Lynch, o lendário gestor do fundo de investimento Magellan, que obteve retorno de 29,2% ao ano entre 1977 e 1990, também tinha sua regrinha. O Price/Earnings to Growth (PEG ratio), ou Preço/Lucro dividido pela taxa de crescimento dos lucros:

Peg ratio formula

Esta medida foi utilizada durante anos pelo gestor para selecionar as ações de seu fundo. Segundo Lynch:

“The P/E ratio of any company that’s fairly priced will equal its growth rate.  I’m talking about growth rate of earnings here.”

O que significa que uma ação com preço justo tem PEG ratio igual a 1. Ações com PEG ratio menor do que 0,5 são consideradas pechinchas por ele, enquanto que aquelas com o índice maior que 2 estão muito caras.

 A lógica é que quanto maior o Preço/Lucro da empresa, maior deve a expectativa de crescimento dos lucros para compensar o índice mais alto. Quando o crescimento esperado supera o P/L, temos uma boa oportunidade de investimento.

Escolha da ação

Grazziotin

Na definição da empresa a ser investida segundo o critério preço/lucro, tentaremos respeitar os critérios de Graham e Lynch:

  • Comprar uma ação com certa margem de segurança. Assim, caso nossa avaliação esteja otimista demais, o potencial de perda é reduzido.
  • Comprar uma ação em que o crescimento dos lucros esperado é maior do que preço/lucro, ou seja, com PEG ratio menor do que um.

A ação da Grazziotin, varejista com atuação na região Sul do país, respeita o critério de margem de segurança.

A empresa é uma das poucas negociadas na Bovespa que não possuem dívida. De fato, a firma possui em caixa mais de um terço de seu valor de mercado.

Além disso, em nenhum trimestre nos últimos dez anos a Grazziotin apresentou prejuízo nas operações. O preço/lucro atual da companhia por volta de 6,5. Portanto, menos do que a metade da regra de bolso definida por Graham.

A CGRA4 também atende ao critério PEG ratio de Lynch. Em seu famoso livro One Up On Wall Street, o autor sugere que, caso seu corretor não possa estimar o crescimento dos lucros, você mesmo pode fazer isso olhando para o crescimento dos lucros no passado.

A ideia é que estimar a taxa de crescimento dos lucros líquidos de uma empresa é uma tarefa hercúlea. A probabilidade de erro é enorme. Por isso, caso não haja motivos para desacreditá-la, a taxa histórica de crescimento é uma estimativa razoável.

Em 2006, a Grazziotin apresentou lucro de R$ 16,1 milhões, enquanto que neste último ano a companhia quase quadruplicou o resultado: R$ 64 milhões. Portanto, a taxa de crescimento histórica, que utilizaremos para calcular PEG ratio, é de 15%.

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Segundo Lynch, o PEG ratio de 0,43, calculado para a Grazziotin, é considerado um ótimo indicador fundamentalista.

Escolhemos a ação preferencial da empresa – CGRA4 –, pois a ordinária – CGRA3 – não atende ao critério de liquidez definido para a Carteira KB (volume diário negociado mínimo de R$ 50 mil).

Essas características justificam a escolha da ação CGRA4 para compor nossa carteira fundamentalista – a Carteira KB –, que pode ser conferida aqui.

Abaixo, você pode ler os outros textos da série:

Montando uma carteira de ações fundamentalista – Parte 1 – Dividendos

Montando uma carteira de ações fundamentalista – Parte 2 – Margem Líquida

Quanto rende o título público Tesouro Selic?

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Conhecido como a bola de segurança dos investimentos, o Tesouro Selic pode apresentar muita variação no rendimento que realmente importa para o investidor

O Tesouro Selic está na boca do povo. Basta você ligar a televisão, ler revistas e jornais ou conversar com os seus amigos que se o assunto for investir com segurança fora da poupança, o título público dominará os assuntos. Você já reparou?

Entre janeiro de 2016 e janeiro deste ano, o estoque de Tesouro Selic no Tesouro Direto disparou! Eram R$ 5,4 bilhões no ano passado e agora são R$ 8,6 bilhões.

O papel costuma ser a primeira opção que vem à mente das pessoas que buscam rendimento sem sustos. Também pudera: ao contrário dos outros títulos públicos negociados no mercado, o Tesouro Selic não é tão dependente das oscilações de expectativa do mercado. Não à toa, foi apelidado de “bola de segurança”.

Para entender como ele ganhou esse status entre os investidores é fácil. Como o próprio nome diz, o Tesouro Selic rende apenas a taxa Selic do dia negociada no mercado. E, como sabemos, os juros no Brasil estão longe de serem negativos. 

Os outros títulos públicos – Tesouro IPCA e Prefixados – negociados no mercado podem apresentar retornos nominais negativos por meses em função de mudanças de expectativas para a taxa de juros futura.

Para termos ideia dessa oscilação, analisamos o ganho que realmente importa para o investidor: o retorno descontado a inflação, o imposto e a taxa de custódia. O valor indica em quanto aumentou o poder de compra dos recursos aplicados.

O gráfico abaixo mostra o rendimento real líquido do Tesouro Selic comprado ao par (sem taxa de desconto) desde 2008. É considerada a taxa de custódia de 0,3% ao ano, cobrada pela BM&FBOVESPA. As linhas mostram o rendimento considerando o menor imposto – 15% – cobrado por títulos públicos para aplicações de mais de dois anos e a maior alíquota – 22,5% – no caso de aplicações de menos de seis meses.

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Como podemos observar, o retorno do Tesouro Selic variou bastante. De 2008 a 2015, vemos uma tendência de queda dos rendimentos reais líquidos. Em 2016, ocorre uma forte recuperação em função do aumento da taxa de juros Selic acompanhado da queda da inflação.

Para 2017, é esperado um retorno historicamente alto. Considerando a projeção atual da pesquisa Focus – taxa Selic média de 10,75% e inflação de 4,43% – o Tesouro Selic deverá render, descontadas a inflação e os impostos, entre 3,5% e 4,3%.

Destacamos também o impacto do prazo da aplicação sobre os retornos. Em 2015, quem resgatou aplicações longas de mais de dois anos teve míseros 0,31% de rendimento.  Já para aqueles que retiraram as aplicações curtas de menos de seis meses, o ganho foi negativo! Após o pagamento de imposto de 22,5%, o investidor que aplicou neste título viu seus recursos perderem 0,57% do poder de compra no ano retrasado. Em termos práticos, você retirou menos do que aplicou.

Apesar da áurea de investimento seguro conquistada pelo título, o rendimento real líquido do Tesouro Selic costuma variar bastante.

Roberto Carlos acertou de novo!

A semana começou bem. A pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira (13), indicou queda – de 9,25% para 9% – na expectativa do mercado para a taxa de juros no final do ano.

O mesmo estudo mostrou ainda redução brusca na expectativa de inflação para 2017. Espera-se que terminaremos o ano com inflação de 4,19%. Portanto, já bem abaixo da meta do governo de 4,5%.

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Emprego e confiança reagem

Pela primeira vez em 22 meses, houve crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada.

É bem verdade que não foi um crescimento generalizado. Aliás, veja só, o maior crescimento percentual ficou por conta do governo. A administração pública teve quase 1% de aumento do número de empregados.

Emprego fev-17 setores

Nem todas as regiões progrediram. Enquanto Sul e Centro-Oeste tiveram crescimento de 0,5%, o Nordeste teve queda maior do que isso.

Emprego fev-17 regiões

Depois da volta do pessimismo no fim do ano, o índice de confiança da indústria melhorou e atingiu o maior nível em mais de dois anos. O número indica a visão da indústria quanto ao cenário atual e a expectativa para os próximos meses.

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Uma semana só com boas notícias econômicas? É possível?

Parece que não!

Operação Carne Fraca

Friboi Tony Ramos

Terminamos a semana com a notícia de que até o churrasquinho sofre com a corrupção.

A Polícia Federal tornou público um esquema de pagamento de propina a fiscais agropecuários para que estes liberassem produtos vencidos e adulterados dos frigoríficos.

As duas maiores produtoras de carne do país – Brasil Foods e JBS – estão diretamente envolvidas na denúncia. As ações das companhias, por sinal, despencaram hoje no pregão da Bovespa: queda de 7,2% para a dona das marcas Sadia e Perdigão e de 10,6% para a detentora da Friboi.

Isso porque ainda nem conhecemos o real impacto desse escândalo. “Existe sim o receio de fechamento dos mercados, mas estamos conversando”, afirmou o secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, em entrevista coletiva à imprensa, informando que Estados Unidos e países da União Européia já questionaram o governo brasileiro sobre o ocorrido. Um embargo à carne produzida no Brasil poderia ter efeito catastróficos para o setor.

“Porque malandro é o Rei, que ganhou milhões para fazer campanha de carne estragada e é vegetariano.”

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