O que é IPCA?

“IPCA registra em janeiro a menor taxa da história para o mês”

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado nesta quarta-feira (8), fechou em 0,38%. A manchete  do jornal Valor Econômico destaca o valor baixo do índice para janeiro, mês típico de fortes altas nos preços.

 Mas o que é IPCA? Como é formado? E para que serve esse indicador?

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IPCA é uma média das regiões

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo é uma média ponderada das inflações das grandes áreas urbanas do país. Responsável por quase um terço (30,7%) do IPCA, a região de São Paulo tem o maior peso no cálculo, enquanto que Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, representa 1,5% do indicador.

Portanto, o IPCA divulgado para o país não coincide com o índice das regiões. Em dezembro do ano passado, por exemplo, o IPCA foi de 0,3% para o país. Entretanto, enquanto uma região teve deflação – Porto Alegre com 0,04% -, outra sofreu com forte alta – Brasília teve um aumento de preços em 1,12%.

A cesta de consumo do IPCA

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Como o nome bem diz, o índice se refere ao consumidor amplo. Através da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), são analisados os hábitos de consumo desde famílias pobres – com renda de apenas um salário  mínimo –  a até famílias pertencentes as classes mais altas da população – com renda de 40 salários mínimos.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) define então qual é a cesta de consumo desta população, atribuindo pesos para cada item de despesa. É a variação desses preços que forma o índice.

Para termos uma ideia, em janeiro deste ano, o item Saúde e Cuidados Pessoais teve peso de 11,6% no IPCA. A maior representação no indicador ficou por conta da Alimentação e Bebidas com 25,8%.

Sua Inflação X Inflação Oficial

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Como vimos, três características principais definem o IPCA:

  1. Média das regiões metropolitanas
  2. Consumo de famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos
  3. Cada item de despesa tem um peso específico

Por conta disso, a inflação divulgada nunca reflete perfeitamente a alta dos preços de sua cesta de consumo. Por que?

Cada pessoa consome a maioria dos bens e serviços em apenas uma região metropolitana e a inflação em cada uma delas pode variar bastante.  No ano passado, por exemplo, Curitiba registrou 4,4% e Fortaleza chegou a 8,3%.

Os hábitos de consumo variam enormemente com a renda da família. Os itens “Automóvel Novo” e “Ônibus Urbanos” têm quase o mesmo peso no índice, 2,8% e 2,6%, respectivamente. Mas enquanto o preço do carro é uma realidade distante das famílias mais pobres pesquisadas, o custo da passagem de ônibus não afeta os mais ricos.

Por fim, o peso de cada item na cesta pode ser diferente da importância dele no total de gastos do indivíduo. Um aposentado que paga plano de saúde e compra regularmente remédios caros gasta mais do que os 11,6% de peso desse item. Enquanto que os não fumantes são imunes ao aumento do preço do cigarro, que responde por 1,1% do índice.

Como cada pessoa possui hábitos próprios de consumo, a inflação, de fato, de cada um é algo pessoal.

 Para que serve o IPCA?

Apesar de suas imperfeições, o índice tem ao menos duas aplicações importantes:

  • É a medida oficial de inflação utilizada pelo Banco Central para decidir sobre a política de juros. Quanto maior o IPCA, maior tende a ser os juros aplicados pelo banco para controlar a inflação.
  • Ele determina a remuneração dos investimentos. Os títulos Tesouro IPCA e Tesouro IPCA+ pagam uma taxa de juros fixa mais a variação do índice no período. Além deles, alguns bancos também oferecem CDBs e LCIs com rendimento atrelado ao índice.

Como os títulos públicos remuneram pela inflação oficial – o IPCA – e a sua inflação é diferente dela, esses investimentos não necessariamente lhe protegem perfeitamente contra a alta dos preços.

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