Ferbasa negocia usinas eólicas

Energia-Eólica.jpg

Em entrevista ao KB Investimentos,  a Ferbasa – única produtora de ferrocromo das Américas – sinalizou para as ações desenvolvidas pela empresa para aumentar a produtividade. Entre elas, a intenção de adquirir um parque de geração de energia eólica para que ela não fique refém das oscilações do preço da energia elétrica.

As negociações para que a companhia alcance essa meta avançaram. De acordo com o Fato Relevante publicado pela Ferbasa, a companhia fechou um acordo de exclusividade para negociar um contrato de compra e venda de ações com a Santander Investimentos para a implementação da operação e a aquisição de até 100% de centrais eólicas localizadas no sudoeste da Bahia. A oficialização do negócio está condicionada a uma série de condições, como a obtenção das aprovações necessárias por parte das autoridades competentes.

A Ferbasa justifica que “essa operação está inserida na estratégia da companhia de ampliar sua competitividade no setor de mineração, metalurgia e de recursos florestais, por meio do investimento no segmento energético, complementar às suas atividades, que fará com que a companhia passe a ter uma atuação vertical em relação aos seus negócios.

A Ferbasa é uma das ações da Carteira KB. No primeiro semestre deste ano, o lucro líquido da empresa atingiu R$ 143,9 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 8,7 milhões registrado no mesmo período de 2016. Neste ano, as ações FESA4 valorizaram-se 115,2%.

Anúncios

Smiles tem novo código no mercado

As ações ordinárias da Smiles negociadas na B3 (Brasil, Bolsa e Balcão) com o código SMLE3 foram substituídas nesta segunda-feira (23) pelos ativos da Smiles Fidelidade e passam a ser identificadas como SMLS3.

A incorporação da Smiles pela Smiles Fidelidade foi anunciada em julho. No mês seguinte, a companhia comunicou a aquisição da subsidiária Smiles Viagens e Turismo – empresa não operacional que atuará nesses segmentos. No entanto, o início das atividades da nova firma depende de licenças e autorizações do Ministério do Turismo.

Smiles gráficoO KB acompanhou o primeiro dia de negociações da SMLS3 para ver como o mercado reagiria a essas mudanças. O pregão foi de volatilidade numa segunda-feira relativamente estável na Bolsa. As ações chegaram a recuar 3% no começo da tarde – provavelmente, consequência da surpresa de parte dos investidores com a mudança. A partir disso, a SMLS3 se recuperou rapidamente até atingir a máxima de R$ 95,06 – alta de 2,4%. Por fim, a ação fechou sua estreia com queda de 1,96%, cotada a R$ 91.

As ações da Smiles – agora Smiles Fidelidade – estão na Carteira KB desde o início do ano. Até agora, elas mais do que dobraram de preço e tiveram uma valorização de 107,5%. A empresa segue com uma das maiores margens de lucro da bolsa, ótima pagadora de dividendos e opera sem dívidas.

Se você tem Smiles, fique atento! Os acionistas deverão atualizar o código em seus homebrokers para visualizar a posição detida em Smiles Fidelidade.

TLP: a nova taxa do BNDES

Com a nova taxa de juros, os empréstimos públicos devem ficar menos “escondidos”

O presidente Michel Temer sancionou nesta sexta-feira (22) a Lei 13.483, que institui a TLP (Taxa de Longo Prazo).  A nova taxa de juros do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) – que substitui a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) – deve dar mais transparência aos empréstimos concedidos para os empresários.

Pelo texto da lei, a TLP será dada pela variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) somada a uma taxa de juros prefixada mensalmente que dependerá da taxa de juros reais da NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B) para o prazo de cinco anos. 

Com isso enterra-se de vez a famigerada TJLP, divulgada trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional. Por causa dela, companhias tomaram empréstimos subsidiados por anos sem que esses números constassem explicitamente no orçamento.

Não à toa, a TLP foi criada após o BNDES ser acusado de financiar empresas brasileiras envolvidas em escândalos de corrupção.

Segundo a nota técnica do Ministério da Fazenda, podemos dividir os subsídios em:

Implícitos X Explícitos

Explícito (financeiro)

  • Taxa de empréstimo menor do que a TJLP
  • Consta no Orçamento Geral da União

Implícito (creditício)

  • Taxa de empréstimo maior do que a TJLP e menor do que a taxa de mercado
  • Não consta no Orçamento Geral da União

Portanto, quanto menor a TJLP, mais provável que o empréstimo seja computado como subsídio implícito e não conste no orçamento federal. Nos últimos dez anos, essa modalidade “escondida” respondeu por 84% dos empréstimos concedidos pelo governo.

susbsídio TLP.png

O secretário do Ministério da Fazenda e professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), Fabio Kanczuk, definiu em poucas palavras o problema da TJLP: “ninguém alocou, ninguém escolheu entre isso [subsídio implícito] e o Bolsa Família”.

A convergência da taxa de referência do BNDES para a taxa de captação do Governo Federal aumentará a parcela de subsídios explícitos e, com isso, tornará mais transparente a utilização dos recursos públicos para o financiamento de atividades privadas.

O país agradece essa discussão, pois, como disse Margaret Thatcher:

“Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”. 

Em cartaz: Unipar e a OPA frustrada

sala de cinema Unipar

Parecia enredo de filme a saga da Unipar Carbocloro para fechar o capital. Faltando poucas horas para o então aguardado leilão da OPA (Oferta Pública de Aquisição), a fabricante de soda, cloro e derivados divulgou que vendeu sua fatia de 17,8% no capital da Tecsis Tecnologia e Sistema Avançado.

O anúncio da Unipar – feito durante a madrugada – fez com que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) suspendesse a OPA “tendo em vista as condições extraordinárias em que se encontra a oferta e as incertezas que a realização do leilão nesta data traria às partes envolvidas na operação”.  A Vila Velha Participações, controladora da Unipar, ainda deverá encaminhar à CVM os detalhes da transação envolvendo a Tecsis.

O edital da oferta determina que durante a OPA não pode haver mudanças nos negócios da empresa que represente 5% ou mais do seu lucro do ano passado. No entanto, a venda da Tecsis teria superado esse montante de acordo com a Vila Velha. Sendo assim, a Comissão de Valores Mobiliários suspendeu a oferta até que a fabricante de soda encaminhe todas as respostas sobre o impacto que essa transação provocou. O prazo encerra-se nesta quarta-feira (2). 

Já nesta segunda-feira (31), a controladora da Unipar encaminhou um documento à CVM sobre sua intenção de revogar a OPA. 

Essa não é a primeira vez que a Unipar Carbocloro tenta fechar o capital. Em 2015, a oferta da companhia foi de R$ 4,40 por ação preferencial classe B (UNIP6) e no ano seguinte de R$ 7,50 pelo mesmo papel. Desta vez, a companhia teve a “coragem” de oferecer R$ 2,50. Ficou com vergonha?

Pois é, nós também!

Não à toa, nos habilitamos para o leilão e oferecemos R$ 25 por UNIP6 para vendê-las.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos!

Prazo para se inscrever no leilão da Unipar termina nesta quinta-feira

Leilão 3.jpg

Em meio a tentativa de fechar o capital, a Unipar anunciou nesta segunda (24) que pagará dividendos equivalentes a metade de seu valor de mercado. No caso da ação preferencial UNIP6, a distribuição será de R$ 5 por papel, informada quando a ação era negociada a exatos R$ 10. O valor extraordinário que a fabricante de soda, cloro e derivados anunciou fez com que a ação tivesse uma valorização de R$ 20% na Bolsa no dia seguinte.

A justificativa da Unipar para esse valor surpreendente foi devido a reapresentação do balanço e demonstrativo de resultados do quarto trimestre do ano passado em que ela contabiliza os ganhos com a compra a fabricante de PVC Indupa Solvay. Com o novo cálculo, o lucro líquido da Unipar disparou 500%, atingindo R$ 215 milhões.

No mês passado, a Unipar anunciou que pagaria R$ 7,50 por ação (ordinária ou preferencial classe A ou B) para fechar o capital da companhia. Com essa distribuição de resultados, o preço foi revisado para R$ 2,50 no caso de UNIP6 (preferencial classe B).

De acordo com as normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para que o cancelamento do registro para negociação de ações seja aceito é necessário que a OPA (Oferta Pública de Aquisição) seja aceita por ao menos 2/3 (dois terços) dos papéis em circulação. Para fazer esse cálculo, a CVM leva em consideração apenas as ações de titulares que concordarem expressamente com o cancelamento de registro ou se habilitarem para o leilão da OPA.

Sendo assim, você – acionista da empresa – não pode ser omisso. Caso contrário, ficará de fora dessa conta.

Barsi renuncia ao conselho de administração

Luiz Barsi Filho

Dono de pouco mais de 15% das ações da empresa, o megainvestidor Luiz Barsi Filho decidiu renunciar ao cargo do Conselho de Administração da companhia. Com essa medida e a habilitação, seus ativos passam a ser considerados ações em circulação no dia do leilão. Conforme declarações recentes, a intenção dele é barrar a OPA ao preço ofertado.

Em entrevista ao Infomoney, Barsi pediu a reação dos investidores e considerou a OPA uma “ofensa aos acionistas minoritários, uma vez que, sem dúvida alguma, as ações da empresa valem muito além do que esse preço proposto”. “Basta saber que o valor patrimonial de cada ação é superior aos R$ 14,50, isto, sem contar com a expectativa de lucros que devem advir da Solvay Indupa, onde, por declaração do atual controlador, as receitas deverão crescer de forma significativa, ultrapassando os R$ 2,3 bilhões”, disse Barsi.

Você resolveu participar do leilão?

Se você tomou essa decisão, é melhor correr. Os interessados têm até amanhã (27) para realizar seu credenciamento junto à sua corretora.

Leilão Unipar.png

Para saber mais detalhes sobre o leilão, veja o artigo: Unipar tenta mais uma vez fechar seu capital”.

O leilão será realizado na sexta-feira (28), às 15h, por meio do Sistema Eletrônico de Negociação da bolsa. O andamento e o resultado do leilão poderão ser acompanhados pelos códigos: UNIP3L, UNIP5L e UNIP6L. Hoje já é possível ver, através do seu Homebroker, algumas ofertas de venda.

O lance do KB Investimentos

A Carteira KB tem ações da Unipar e já nos habilitamos para o leilão. A R$ 25 por UNIP6, aceitamos vender nossas ações. A menos do que isso, continuamos sócios.

 

Unipar tenta mais uma vez fechar seu capital

Unipar_logo2.jpg

A Unipar Carbocloro – fabricante de soda, cloro e derivados – pretende deixar a Bolsa. Atualmente vendida a R$ 10,16 por ação preferencial classe B (UNIP6), a empresa anunciou nesta quarta-feira (28) que está disposta a pagar R$ 7,50 por ação (ordinária ou preferencial classe A ou B) para fechar o capital da companhia.

Essa não é a primeira tentativa da Unipar. Em 2015, a oferta foi de R$ 4,40 por ação preferencial classe B (UNIP6) e no ano seguinte R$ 7,50 pelo mesmo papel. Nenhuma dessas propostas tiveram sucesso.

De acordo com as normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para que o cancelamento do registro para negociação de ações seja aceito é necessário que a OPA (Oferta Pública de Aquisição) seja aceita por ao menos 2/3 (dois terços) dos papéis em circulação.

Para fazer esse cálculo, a CVM leva em consideração apenas as ações de titulares que concordarem expressamente com o cancelamento de registro ou se habilitarem para o leilão da OPA.

Aí é que está o pulo do gato: se você – acionista da empresa – for omisso, não entra na conta dos dois terços. Segundo o edital da OPA, para se habilitar é necessário que o titular das ações se credencie junto a sua corretora para que esta o represente no leilão.

No limite, se apenas 15% se habilitarem para participar do leilão, seria necessário que o controlador comprasse apenas 10% dos papéis em circulação para cancelar o registro para negociação da Unipar.

Mas qual é o problema em fechar em o capital?

O preço.

Conforme a instrução da CVM 361/2002, para fechar o capital, o acionista controlador ou a própria companhia aberta devem oferecer um preço justo para comprar todos os papéis da empresa. O valor é definido a partir de uma avaliação da companhia elaborado por área especializada de instituição financeira, corretora ou distribuidora de valores mobiliários.

No caso da Unipar, o laudo utilizado foi publicado no dia 26 de fevereiro de 2016 pelo Santander.  O documento levou em consideração o patrimônio líquido contábil, patrimônio líquido avaliado a preço de mercado, fluxo de caixa descontado, comparação por múltiplos e cotação das ações no mercado de valores mobiliários. Estes critério estão previsto no § 4° do art. 4° da Lei 6.404/76 (Lei de Sociedade de Ações), que define o preço justo para fechamento. Segundo o estudo, o valor econômico das ações de emissão da Companhia estava no intervalo de R$4,99 e R$5,49 por ação.

Então por que o preço ofertado de R$ 7,50 é baixo?

O laudo está desatualizado.

A data base da avaliação é de 31 de dezembro de 2015. São consideradas as informações trimestrais divulgadas pela companhia até 30 de setembro do mesmo ano. Nessa época, o cenário econômico e financeiro era totalmente diferente, com taxa Selic de 14,25% e inflação acima de 10% ao ano. Vale lembrar: a taxa de juros é crucial para estabelecer o valor da empresa, pois ela é utilizada para descontar o fluxo de caixa esperado!

Após este laudo a companhia já:

  1. Tentou fechar o capital oferecendo exatamente os mesmos R$ 7,50 por ação da oferta atual, com base neste primeiro laudo.
  2. Anunciou e concluiu a aquisição de 70,59% das ações da Solvay Indupa, fabricante de PVC e soda cáustica. Com a compra, a Unipar passou a ser a maior produtora de cloro/soda e segunda no mercado de PVC da América Latina.
  3. Informou ao mercado ter recebido um novo laudo de avaliação, datado de 06 de julho de 2016, que considerou os impactos econômicos do contrato de compra e venda de ações celebrado com a Solvay Argentina. De acordo com o documento, o valor econômico das ações de emissão da Unipar foi apurado no intervalo entre R$ 5,25 e R$ 5,78.

A Unipar

Unipar e Solvay.jpg

A Unipar Carbocloro – empresas com capital aberto desde 1973 – possui um histórico consistente de altas margens de lucros, atua em mercados tipicamente oligopolista com forte barreira à entrada de concorrentes, distribui regularmente dividendos e possui dívida líquida quase nula.

Segundo a própria empresa, “os negócios de cloro e soda da Unipar Carbocloro têm se caracterizado por uma forte e estável geração operacional de caixa, baixa alavancagem e menor exposição em termos de volatilidade de preço e de demanda de seus produtos, em comparação com commodities petroquímicas”.

Além disso, a compra da Solvay Indupa pode gerar sinergias, economias de escala e reduções de custos que devem ter impacto positivo sobre os próximos resultados.

Para se ter ideia do preço ofertado, veja que o lucro líquido da companhia no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 34 milhões. Anualizando este resultado, teríamos um lucro de R$ 136 milhões.

Pois bem, o preço ofertado pelo controlador para fechar o capital corresponde a um valor de mercado de 83,5 milhões de ações x R$ 7,50 = R$ 626,6 milhões. Uma relação preço/lucro de apenas 4,6! Quem não gostaria de pagar tão barato?

O leilão

Leilão.jpg

O leilão será realizado na B3 (antiga BM&F Bovespa) em 28 de julho de 2017 às 15hs, por meio do Sistema Eletrônico de Negociação da bolsa. O andamento e o resultado do leilão poderão ser acompanhados pelos códigos: UNIP3L, UNIP5L e UNIP6L.

Regras do leilão

Os interessados em participar têm até o dia 27 de julho para realizar seu credenciamento.

Se você concorda com o fechamento do capital e quer permanecer sócio da empresa, deverá preencher o Formulário de Manifestação indicando expressamente que concorda com o cancelamento de registro de companhia aberta, mas não deseja vender ao ofertante as ações em circulação de sua titularidade.

Se não pretende negociar suas ações e não concorda com o cancelamento do registro para negociação de ações, há duas possibilidades: se credenciar e não colocar seus papéis à venda ou se habilitar e registrar oferta de venda com preço superior ao preço de encerramento do leilão.

Se quiser vender, pode fazê-lo a qualquer hora. Antes, durante e, como veremos, até depois do leilão.

Se você se mantiver omisso, suas ações não contam. Estão fora do cálculo do mínimo de dois terços para o sucesso da OPA. Nesse caso, sugerimos acompanhar o leilão e, caso o controlador triunfe, avalie se vende mais tarde ou se vira sócio de uma companhia fechada.

Vendendo após o leilão

Se o ofertante vier a adquirir mais de 2/3 das ações em circulação, qualquer titular que deseje vender suas ações ao ofertante poderá apresentar um pedido de venda durante os três meses seguintes ao leilão, ou seja, até 30 de outubro de 2017. O ofertante estará obrigado a adquirir tais ações e pagará aos respectivos titulares o preço do leilão, ajustado pela variação do IPCA  (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desde a data de liquidação da OPA até a dia do efetivo pagamento.

KB Investimentos e Unipar

A Unipar é uma das ações da Carteira KB desde seu início. Neste ano, o papel valorizou 48,3%. Boa parte deste rendimento (30,1%) veio após a publicação, em 3 de maio, da reapresentação das demonstrações financeiras e do relatório da administração de 2016, após a companhia contabilizar os ativos e passivos identificáveis relacionados à aquisição da Solvay pelo seu valor justo. 

O KB Investimentos se habilitará para o leilão, mas não venderá suas ações. A meta é contribuir para que companhia continue sendo de capital aberto. A R$ 7,50 por ação gostaríamos apenas de comprar mais.

 

Eike e Joesley: os Batistas investigados por insider trading

Eike Batista e Joesley Batista. Além do sobrenome, os dois têm algo em comum: investigados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por utilizar informações privilegiadas para negociar ações da própria companhia – o famoso insider trading.

Para o primeiro Batista, as investigações se encerraram nesta semana. De acordo com a Comissão, o acusado teve acesso à minuta do novo plano de negócios da OSX – empresa do setor naval de seu antigo império X –  antes de ser divulgada ao mercado.

OSX Eike.png

Eike foi condenado pela CVM a pagar multa de R$ 21 milhões por vender suas ações antes de todos saberem da notícia e os papéis perderem valor. A Comissão alegou que “o mercado não negociou nas mesmas bases informacionais que o acusado”.

A multa aplicada a Eike equivale ao dobro do montante da perda evitada com as informações privilegiadas. Levando-se em consideração os valores envolvidos em cada um dos casos, a penalidade para a JBS tende a ser maior. Enquanto o Batista do império X negociou R$ 33 milhões, o Batista da Friboi vendeu R$ 150 milhões em ações da companhia.

JBS png.png

Se a Medida Provisória publicada no início do mês pelo presidente Michel Temer valesse para o caso de Joesley, as sanções seriam ainda maiores. Com a nova regra, as punições poderão ser cumulativas e, agora, a multa poderá atingir 20% do valor do faturamento total individual ou consolidado da pessoa jurídica. No caso da JBS, a multa poderia ultrapassar os R$ 30 bilhões!

Será que Temer pensou em seu “amigo” para aprimorar essa legislação?

Assimetria de informação

Os dois casos ilustram o que chamamos de assimetria de informação. Essa falha de mercado ocorre quando duas ou mais partes estabelecem uma transação em que uma delas detém melhores informações sobre o produto.

Assimetria de informação.png

Um exemplo clássico para o fenômeno é o mercado de carros usados. O vendedor do veículo sempre tem mais informações sobre o histórico e os defeitos do automóvel que o comprador.

Digamos que nesse mercado há dois tipos de donos:

  • Vendedor A, dono de um Gol 2010 em perfeito estado, disposto a vender seu carro por R$ 20 mil
  • Vendedor B, dono de um carro do mesmo modelo, mas que sabe que seu veículo tem uma série de problemas, aceita vender por R$ 16 mil.

Pois bem, o comprador aceitaria pagar os R$ 20 mil se tivesse certeza que está comprando o Gol em perfeito estado. Contudo, como não sabe qual carro está comprando, ele está disposto a pagar no máximo R$ 18 mil. Acontece que, a este preço, o vendedor A não aceita negociar e sai do negócio, restando apenas os carros usados ruins no mercado.

Os serviços de vistoria de automóveis usados agem justamente para corrigir essa falha de mercado.  Utilizando os números de chassi, motor e a documentação, são checados o histórico e a procedência do veículo. Algumas empresas fornecem ainda uma verificação da parte mecânica do carro. Assim, é possível certificar a qualidade do produto ao comprador.

No mercado financeiro, no entanto, essa saída não está disponível. Os controladores da empresa – por definição – sempre terão as informações sobre a situação atual e os rumos da companhia antes e com maior riqueza de detalhes.

Resta às instituições fiscalizadoras do mercado financeiro  como a CVM no Brasil punir aqueles que flagrantemente se valem dessa assimetria de informação para obter vantagens do mercado.