Mitos e Verdades

Quando esperarmos queda da taxa de juros, devemos comprar título público Tesouro Prefixado (LTN) e vender Tesouro Selic (LFT)?

Em momentos de expectativa de queda da taxa de juros, como a que vivemos hoje, é normal ler e ouvir: aproveite a alta rentabilidade fixa do título pré-fixado e fuja da rentabilidade em queda dos títulos pós-fixados.

A ideia desse “conselho” é: títulos que tem rentabilidade indexada (atrelada) à taxa de juros básica da economia – Tesouro Selic – renderão menos quando a taxa baixar. Enquanto que títulos com rentabilidade pré-fixada – Tesouro Prefixado – manterão um bom rendimento mesmo com as taxas mais baixas.

O raciocínio parece correto, certo?

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Errado!

Trata-se de um dos maiores MITOS cometidos e repetidos em finanças.

Entenda o Mito

A rentabilidade do título pré-fixado, como o nome bem diz, é fixa. Contudo, esse rendimento nem sempre é a melhor opção para o investidor. Ao comprar um Tesouro Prefixado, pagamos um valor que embute a expectativa do mercado sobre a taxa de juros até o vencimento do título.

Por exemplo: o título Tesouro Prefixado com vencimento em 01/01/2018 é negociado a 12% ao ano. Ao comprá-lo, a certeza é que obteremos esse rendimento se o mantivermos até o vencimento.

Se, durante esse período, a taxa de juros não cair tanto quanto o mercado espera e a taxa média Selic for maior do que 12%, o título Tesouro Selic terá rendido mais do que o Tesouro Prefixado.

Temos aqui um exemplo claro em que, mesmo com taxa de juros em queda, o título pós-fixado foi uma opção melhor do que o pré-fixado.

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Mas de onde vem essa taxa mágica de 12% ao ano negociada no mercado?

A taxa é formada por todos os agentes do mercado que compram e vendem títulos diariamente. Vejamos nesse relatório do Tesouro Nacional que, em 2014, instituições financeiras, fundos de investimento e de previdência e investidores externos respondiam por mais de 85% dos detentores da dívida pública federal.

Ou seja, a taxa negociada pelo mercado – no nosso exemplo, 12% – é formada pelas expectativas, principalmente, de investidores profissionais com disponibilidade de tempo e recursos que passam os dias analisando as notícias e estimando a taxa de juros “justa” para cada título.

Para que o investidor escolha qual desses títulos terá maior rendimento, “basta” que ele estime a trajetória da taxa de juros melhor do que o mercado. Se os juros caírem menos do que o mercado espera para o período, o Tesouro Selic (LFT) renderá mais. Caso contrário, a melhor opção teria sido o Tesouro Prefixado (LTN).

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Difícil? Derrotar o mercado consistentemente é tarefa quase impossível!

Apesar de inúmeros cursos, livros e relatórios anunciarem a fórmula mágica dos investimentos em títulos públicos, a verdade é que ninguém é capaz de afirmar qual dos dois títulos será o mais lucrativo no futuro.

A estratégia mais adequada é diversificar a compra para aproveitar a rentabilidade dos diferentes tipos de títulos. Com pouco mais de R$ 100,00 é possível comprar uma fração de cada título.

Eventualmente, podemos arriscar comprando mais de um título e menos de outro, mas não basta saber se a taxa de juros vai cair ou subir. O que importa é se a taxa de juros será maior ou menor do que o mercado espera.