Quais setores da bolsa pagam os maiores dividendos?

Quais têm as ações mais baratas? Ou as empresas mais lucrativas da B3?

Para responder estas perguntas, vamos dividir as 100 ações do Índice Brasil 100 (IBrX 100) – o indicador mais amplo da bolsa – em oito setores: bancos, consumo cíclico, consumo não cíclico, financeiro, materiais básicos, petróleo e gás, utilidade pública e outros. A ideia é analisar o desempenho dos setores em três medidas básicas: preço, lucratividade e pagamentos de dividendos.

Para escolher os setores e classificá-los, usamos a metodologia da B3 (descrita aqui). No entanto, fizemos pequenas adaptações: o maior setor –  o financeiro –  foi dividido em bancos e financeiros (não bancos); os quatro menores –  bens industriais, saúde, tecnologia da informação e telecomunicações –  foram agregados em “outros”.

Com isso, a divisão das ações por setores ficou assim:

IBRxX 100 - setores - 07-09.png

Como notamos, o setor bancário é de longe o maior na bolsa brasileira, com mais de um quarto de participação. Depois dele, os setores de petróleo e gás, que inclui as ações da Petrobras, e materiais básicos, que computa os ativos da Vale, são os mais importantes. Utilidade pública, que soma os retornos de 17 empresas dos segmentos elétrico, água e saneamento possui a menor participação no índice, com 7,5%.

Encontramos o dividend yield de cada empresa dividindo os proventos pagos por cada empresa nos últimos doze meses, ponderados por suas respectivas participações no índice, pelo preço de fechamento no final do primeiro semestre.

O gráfico abaixo mostra o indicador por setor:

IBRxX 100 -DY - 07-09.png

Notamos que o setor bancário distribuiu, em média, 5% do valor de suas ações nos últimos doze meses. Por outro lado, as áreas de consumo estão nos últimos lugares neste quesito.

Usamos a mesma metodologia para aferir o ROE médio por setor. O indicador é definido como o lucro líquido nos últimos quatro trimestres dividido pelo patrimônio líquido ao final de junho. O gráfico a seguir exibe os ROEs:

IBRxX 100 - ROE - 07-09

Neste critério, o setor de utilidade pública vence a disputa com ROE pouco superior a 18%. Entretanto, temos praticamente um empate técnico no segundo lugar entre o setor bancário e os dois de consumo.

Quanto ao quesito preço, utilizamos a medida usual de preço/lucro, ou seja, o preço ao final do primeiro semestre dividido pelo lucro líquido dos últimos doze meses. A imagem abaixo mostra os números encontrados:

IBRxX 100 - PL - 07-09.png

Novamente, utilidade pública se destaca ao apresentar o menor preço/lucro por setor. Os setores de consumo apresentam P/L acima de 30, indicando que a expectativa de melhora nos resultados do setor com a retomada da economia já está, ao menos em parte, precificada. Já o setor “outros”, que inclui algumas ações com altas expectativas de crescimento, como Linx, Totvs e Raia Drogasil, apresenta P/L de quase 45.

Os bancos e o setor de utilidade pública se destacaram nesta breve análise por pagarem altos dividendos, atingirem um ROE elevado e serem negociados com baixo P/L. As empresas de consumo, em geral, não pagam bons dividendos e já embutem no preço a expectativa de alta no lucro, mas a seu favor elas têm o fato de ser lucrativas. O setor “outros”, que engloba as ações de tecnologia e de saúde da B3, aparentam ser as ações mais caras do índice.

 

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12 pensamentos

    1. As ações defensivas da bolsa são aquelas de empresas com dívida baixa, previsibilidade na geração de receita e baixa concorrência.
      Transmissoras de energia, como Taesa e Isa Cteep (antiga Transmissões Paulista), são exemplos clássicos.

      Abraço.

  1. KB meu amigo. Não achas que o mercado já precificou um cenário MUITO OTIMISTA e com uma reforma da prev. adequada + reform. tributária aprovadas? Fazendo valuation e olhando múltiplos a impressão que tenho é que esta tudo precificado como se o BR fosse crescer a + de 2-3% ao ano e fosse sair de certeza da crise, algo que sabemos que é INCERTO.

    Temos ai uma reforma que pode economizar perto de 900 BI, porém, sem capitalização (o que pode fazer com que ela continue deficitária), além disso, precisamos de crescimento que não vem somente com a reforma.

    Sem falar de vários estados entrando em estado de calamidade pública…

    Me parece bem prudente se manter longe das compras por um tempo ou só comprar papéis (descontados é claro) que não dependam do crescimento doméstico.

    Concentrar ao menos 50% da carteira em ações que não dependem do reaquecimento da economia e que pagam bons dividendos , seria uma alternativa para ter $$$ e recomprar tudo lá no fundo, quando esse namoro otimista do mercado com o BR acabar, concorda?

    O que você acha?

    1. Oi GCN,

      Na minha opinião, a reforma previdenciária já está precificada. Inclusive, se após toda a negociação for aprovada uma economia muito menor do que o um trilhão previsto, o mercado deve até ter um reação negativa.
      Já achei lamentável, o texto retirar estados e municípios da reforma. Como você disse, vários estados estão quebrados. O governo federal vai acabar tendo que pagar essa conta de qualquer maneira.
      Já a reforma tributária, eu penso que ainda não está nos preços. Tem pouca cobertura da mídia e até difícil estimar a probabilidade de que seja aprovada.
      A situação atual está meio curiosa: ações renovando as máximas, enquanto as expectativas de crescimento do país só caem. Um dos dois terá que se ajustar.
      Eu mantenho boa parte da minha carteira em ações defensivas. Um pouco por causa do meu estilo de investidor e um pouco porque posso me aproveitar desses fundos que você mencionou.

      Abraço.

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