“Conheça agora duas ações de pequenas empresas prestes a disparar e ainda desconhecidas”.

“Selecionamos para você uma empresa fora do radar dos grandes investidores”.

“Você nunca vai ficar rico investindo em Vale e Petrobras”.

“A mina de ouro da bolsa está nas empresas esquecidas pelo mercado”.

Será mesmo? O que a evidência científica aponta sobre quais ações são mais lucrativas na bolsa: Small Caps –  papéis de empresas com menor valor de mercado negociadas na B3 – ou Blue Chips – ativos das maiores companhias? 

Para responder a pergunta, usamos parte dos resultados de um amplo estudo conduzido pelo NEFIN FEA-USP (entro de Pesquisa em Finanças da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo).

A amostra utiliza a ação mais líquida de cada empresa, apenas ativos negociados em pelo menos 80% dos pregões da bolsa e com volume diário médio maior do que R$ 500 mil, ou seja, exclui ações com liquidez muito baixa. Os detalhes da metodologia podem ser consultados aqui.

Para avaliar o fenômeno conhecido na literatura de finanças como size premium – a tendência das ações de menor valor de mercado renderem mais do que os ativos de grandes empresas –, o estudo construiu três carteiras ordenadas por tamanho: Small, Medium e Big. Todas com ações de companhias pequenas, médias e grandes, respectivamente.

A partir delas,  foi construído o fator de risco SMB (Small Minus Big). Ele mostra o retorno diário de uma carteira comprada em ações pequenas e vendida em ações grandes. Quando o retorno da Small vence o da Big, composta por Blue Chips, a carteira SMB é positiva. Caso contrário, é negativa.

Blue Chips vencem Small Caps!

SMB gráfico
Fonte: NEFIN FEA-USP

O gráfico acima mostra o retorno composto da carteira SMB durante o período do estudo: janeiro de 2001 a abril de 2019. O portfólio que aposta em ações de companhias pequenas rendeu menos nos últimos 18 anos do que a carteira com as ações das maiores empresas da bolsa.  O rendimento médio anual da carteira SMB foi de -1,67% ao ano.

No entanto, é possível identificar períodos em que investir nas pequenas apresentou rendimentos positivos. Curiosamente, as Small Caps venceram com folga a carteira das grandes em anos de alta do Ibovespa. O quadro abaixo aponta os cinco melhores anos da carteira SMB e os respectivos retornos do índice da bolsa.

SMB tabela

Os dados indicam que as Small Caps tendem a render mais em anos bons da bolsa. Entretanto, com o mercado em baixa ou estável, as Blue Chips têm retorno superior.

O estudo desmente a concepção comum de que as grandes oportunidades estão nas Small Caps. 

Em geral, é o contrário. As ações de pequenas empresas rendem menos!

Há ótimas exceções à regra, é verdade. Os casos recentes de valorização de Magazine Luiza, Unipar e Petrorio, todas com alta superior a 1.000% desde o começo de 2016, mostram que grandes oportunidades de investimentos estão disponíveis entre as ações com menor valor de mercado.

No entanto, os mais de 400% de valorização no mesmo período de duas estrelas da B3 – Petrobras e Vale – indicam que também é possível obter bons retornos investindo nas gigantes da bolsa.

Não importa se é uma ação de uma empresa grande ou pequena. Seja no universo das Small Caps ou no das Blue Chips, é preciso saber escolher.

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4 pensamentos

  1. Boa noite Bruno, tudo bem??? Entao aquele crescimentonq voce falou no seu site, se refere a porcentagem do valor da ação e nao a alta da propria ação??? Porque tem coisa que não bate se for, a vslorização percentual da ação( ref.a tema blue chips ou small caps?? Desde ja agradeço.

    Atenciosamente, Wagner F. Medeiros

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