Talvez você não conheça a Allied (ALLD3). No entanto, provavelmente, você já comprou algo com eles. Fundada em 2001, a empresa é a maior distribuidora de eletrônicos do país e responsável por uma a cada 11 vendas de celulares no Brasil.

A Allied trabalha com as principais marcas do mercado de tecnologia, como Apple, Positivo, Microsoft, Midea e Samsung. Além disso, é a única representante brasileira do Google e do Amazon Kindle.

Além da distribuição, a companhia faz a gestão de 150 lojas da Samsung e de outras centenas de pontos de vendas de eletrônicos, no modelo store-in-store, em redes do Sam’s Club e Marabraz.

As margens da distribuição giram em torno de 10%, enquanto a do varejo por volta de 30%.

O ticket médio do varejo online da empresa chegou a R$ 3,1 mil no segundo trimestre desse ano – mais do que o dobro do mercado. Se tirar o programa “iPhone pra Sempre”, o ticket ainda continua 78% acima do valor de mercado.

De 2019 para o ano passado, a receita saltou para 4,7 bilhões – alta de 27% –, mesmo enfrentando os desafios da pandemia. Deste total, a distribuição é responsável por três quartos. O restante fica por conta do varejo.

No entanto, a meta da Allied é que o varejo atinja metade da receita da empresa. Para isso, conta com R$ 180 milhões captados com o seu IPO em abril que deverão ser usados para expandir sua participação no segmento.

Como a margem do varejo é o triplo, somente essa mudança de mix de receita já deve impactar positivamente o resultado da companhia.

Suas principais apostas são em produtos da linha branca e casas inteligentes. Os dois novos segmentos já ultrapassaram R$ 10 milhões de receita no segundo trimestre deste ano.  A parceria já existente com mais de mil varejistas pode facilitar a venda desses novos produtos.

Celulares recertificados

Somando-se a isso, o dinheiro do IPO ainda deverá ser usado para a entrada no mercado de recertificados. Ainda incipiente no Brasil, a venda de aparelhos usados representa 7% dos 48 milhões de celulares vendidos anualmente. Enquanto nos Estados Unidos, 23% dos aparelhos vendidos são recertificados.

De acordo com a empresa, esse mercado se concentra nos aparelhos de maior valor agregado. Justamente o segmento do mercado de celulares em que a Allied se destaca. A distribuidora e varejista diz que há demanda para esses produtos no Brasil. O que faltava para a Allied era a oferta. Faltava.

Com a parceria realizada com o Itaú para o programa “iPhone pra Sempre”, o cliente decidirá após o pagamento da 22ª parcela se ele: devolve o celular, paga uma parcela grande e fica com o aparelho ou troca por uma versão mais nova. Como essa terceira opção deve ser a mais usada, um grande fluxo de iphone seminovos serão entregues para Allied regularmente.

Por isso, a companhia está estruturando a unidade que será responsável por receber esses iphones para realizar pequenos reparos e atestar a qualidade.

Não à toa, a primeira aquisição da empresa desde o IPO foi a BR Used, plataforma de compra e revenda de celulares usados. Com isso, a Allied traz uma empresa para o segmento de celulares recertificados e profissionais com experiência que devem contribuir com o desenvolvimento dessa área.

Além dos iphones, a distribuidora já recebe celulares usados da Samsung como parte do pagamento para compra de novos produtos. Até hoje, o procedimento era vender esses usados para outras empresas, que, por sua vez, revendiam para o consumidor final.

Com o nascimento dessa nova a unidade na empresa, a tendência é que também os Samsungs possam ser vendidos recertificados pela Allied.

Outras linhas de negócios

A Allied vê espaço para vendas diretas para grandes empresas, ou seja, para fazer a distribuição de seus produtos para corporativas.

Outra iniciativa da companhia é a comercialização de alguns produtos de marca própria por meio do conceito “white label”. Para isso, a empresa tem conversado com fabricantes chineses para trazê-los prontos e comercializá-los.

Diversificação

A participação de computadores na receita de líquida de distribuição subiu de 13% para 25% em dois anos. Enquanto tablets cresceu de 3% para 8% no varejo físico. Com isso, a receita da Allied tem aos poucos se tornado menos dependente da venda de celulares.

Para se ter uma ideia, no segundo trimestre, as participações dos aparelhos nos segmentos da de distribuição, varejo digital e varejo físico, respectivamente, eram de 57%, 82% e 71% na receita líquida.

Serviços financeiros

A Soudi pagamentos, plataforma digital para oferta de produtos e serviços financeiros, é mais um dos negócios da empresa.  Uma das vantagens claras é possibilitar o aumento do ticket médio das vendas, uma vez que os clientes poderiam tomar crédito para financiar produtos mais caros.

O serviço já está disponível em algumas lojas Samsung. A meta é atingir todas as unidades da marca até o final do ano e depois partir para pontos de venda de outras marcas operadas pela Allied.

Crescimento no varejo

Recentemente, a Allied adquiriu seis lojas da Samsung localizadas na região da baixada Santista (SP). Com uma dívida líquida de apenas 0,5 vezes o EBITDA da companhia, há bastante espaço para novas aquisições deste tipo.

Além disso, a companhia crescendo organicamente com a abertura de novos pontos de vendas da marca Samsung e lojas store-in- store (Sis). No segundo trimestre, foram inauguradas seis unidades em parceiros já existentes e duas com o Giga Atacado.

Em junho de 2021, a Allied tinha 276 pontos de vendas no varejo físico, sendo 160 da marca Samsung e 116 no modelo store-in-store. O número representa quase o dobro dos 150 pontos um ano antes, com 126 da marca Samsung e 24 SiS.

Crescimento dos lucros

Com a diluição dos custos por conta do aumento de receita, a última linha da demonstração de resultados cresce num ritmo mais forte.O lucro líquido passou de R$ 100 milhões em 2019 para R$ 167 milhões em 2020.

Neste ano, o lucro líquido recorrente já chega a 120 milhões. Isso que ainda faltam os resultados do segundo semestre.

Lucro antes do crescimento

Os diretores já disseram algumas palavras mágicas para o investidor: “cada área é cobrada pelo retorno sobre capital investido nos seus projetos”.

Pode parecer um mero detalhe, mas é importante que cada unidade da empresa pense em rentabilidade antes de crescimento.

Crescer apenas por crescer pode ser uma má ideia.

2 pensamentos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s