Informática e tecnologia eram seus principais interesses na adolescência. Não à toa, Daniel Alberini optou por fazer o segundo grau técnico com ênfase em eletrotécnico. Ele trabalhou por oito anos na área. Com um bom emprego, Alberini já tinha juntado um bom dinheiro e investia tudo em renda fixa – na época, os juros eram de 24%.

No entanto, em busca de mais rentabilidade, o técnico decidiu largar tudo para investir. Comprou Braskem e nunca mais parou. Foi quando percebeu que realmente era o que queria fazer como profissão.

Formado em economia com MBA em finanças e ênfase em investimentos, Alberini fundou a CTM Investimentos. Localizada em Curitiba (PR), longe dos tradicionais centros financeiros, a filosofia da gestora é procurar empresas fora do radar e fazer uma gestão ativa do portfólio.

Para conhecer melhor a maneira de investir da CTM, o KB bateu um papo com Daniel Alberini.

Quando você começou a investir?

Comecei a investir quando tinha 20 anos. Trabalhava como técnico e já tinha uma boa economia para a minha idade. Certo dia, um amigo disse que estava comprando ações de empresas e que era um bom negócio.

Nunca tinha ouvido falar, mas decidi ver como funcionava o mercado. Pouco tempo depois, esse mesmo amigo veio com uma história de que era muito fácil “ganhar 50% em um dia e ficar rico” com opções.

Se era tão fácil assim, pensei, vou largar tudo e ficar apenas investindo o meu dinheiro. Bastaram três meses para eu quebrar. Esse foi um prejuízo inesquecível.

Mas não posso reclamar. Foi importante para perceber que não sabia nada sobre investimentos e precisaria estudar. Tinha ainda um dinheiro de reserva para pagar a faculdade e seria importante arrumar um estágio na área para continuar nessa carreira.

Comecei a trabalhar na tesouraria de uma multinacional e poucos meses depois já estava contratado.

Por que decidiu criar a CTM Investimentos?

Havia um plano de carreira muito bom nessa multinacional. Já estava quase para virar tesoureiro da empresa. No entanto, pouco antes disso, um professor que me deu aula e se tornou meu amigo, disse que iria montar um fundo. Começamos do zero, em 2008, focados 100% no mercado financeiro. Tínhamos R$ 100 milhões sob gestão e conseguimos uma boa performance.

Mas, em 2012, decidi sair e fundar a minha própria gestora.

Qual é o seu estilo de investidor?

A nossa maneira de investir é exercendo o papel do acionista, ou seja, virar conselheiro da empresa, fazer uma gestão ativa do portfólio. Quando entendemos que tem uma operação que não atende ao melhor interesse dos acionistas, vamos lá, mobilizamos e mostramos o que pode estar absurdo em alguma empresa.

Foi o que fizemos com Unipar. Queríamos evitar o fechamento de capital da empresa por entender o valor que a companhia tinha. O controlador não está errado em querer fechar o capital, é lei. No entanto, venderíamos apenas por R$ 9 e não por R$ 3 como estavam oferecendo.

Participei por anos do conselho da Unipar e fomos procurando outros investidores para mostrar que ao preço que eles estavam propondo estava muito barato. Cheguei a votar em uma assembleia com mais de 40% da companhia por ter mandado e-mails, conversado com acionistas e pegado procuração até mesmo de investidores que moravam em Cingapura.

Por estarmos distante da Faria Lima (SP) e Leblon (RJ), temos uma certa vantagem. Não sabemos do que a turma “está gostando”. A nossa preocupação é focar em olhar para a empresa e suas estratégias de investimentos, tomar cuidado com ruídos e fazer as contas. Quero é ganhar dinheiro.

Como você lida com momentos de stress do mercado?

Depois da reeleição da Dilma Rousseff, vimos que precisávamos nos proteger para não ficar a mercê de nenhum evento político e nacional que pudesse interferir no nosso desempenho, como aconteceu nesse período em que tivemos uma queda 22%.

Por isso, a partir desse episódio, passamos a proteger nosso patrimônio via opções de Ibovespa e S&P500. Ao longo dos anos, fomos aprimorando nossas métricas e parâmetros.

Se o mercado está feliz, eufórico, eu também estou porque estamos comprados. Mas aproveitamos para comprar algum tipo de seguro. Compramos o guarda-chuva no dia de sol e não no dia de chuva. Como diz o ditado: o banqueiro te dá o guarda-chuva no dia de sol e o toma no dia de chuva. O mercado também faz isso.

A nossa intenção é sempre estar com algum tipo proteção: seja vendendo call ou comprando put ou outra estratégia. Tudo depende do período em que estamos, preços e prazos.

Qual foi o seu maior acerto?

Posso contar o caso da Rede Energia. Começamos a comprar a R$ 0,80. A empresa mudou de dono e tinha arbitragem de fechamento de capital porque o BNDES tinha opção de venda para o controlador. Sabíamos que ele teria a obrigação de fazer uma oferta de compra para os demais acionistas. Recebemos ao longo de cinco anos R$ 1,15 de dividendos e saímos do papel a R$ 8. Foi bastante positivo.

Outro exemplo marcante foi a Petrorio, que investimos há alguns anos atrás, quando a empresa  ainda tinha ações da Oi em seu balanço. Fomos um dos acionistas que ajudaram a companhia a perceber que estes ativos travavam o preço da ação.

E o maior erro?

O maior erro foi em Saraiva. A empresa era centenária, tinha uma marca forte e uma cultura boa. Realmente era uma empresa com muito valor e que criava valor para seu acionista. Mas fez um processo de sucessão muito ruim. Entramos a R$ 22 e as ações chegaram até R$ 40. Depois elas caíram quase que em linha reta e foram para R$ 4. A companhia foi para recuperação judicial, cheguei a participar do conselho e continuamos insistindo porque queríamos uma saída honrosa e sabíamos que ela ainda tinha ativos que valiam muito dinheiro.

Aumentamos nossa posição depois de uma discussão bastante acalorada aqui na CTM. Por fim,   conseguimos sair com um prejuízo pequeno, por volta de R$ 8. Mas aprendemos muito com esse episódio. Se a empresa não tem algo definido, agora não quero nem mais saber. É como Warren Buffett diz: “você deve investir seu dinheiro numa empresa que até um idiota consiga administrar, porque um dia um idiota o fará”.

Somos felizes por termos acertado mais do que errado, ainda bem. Porque o nosso trabalho é chegar no final do dia e perceber que conseguimos fazer isso. Errar, todo gestor vai errar. O importante é errar com um tamanho que não comprometa seus investimentos.

Qual livro você indicaria para os investidores?

O Jeito Ken Fischer de Investir. Acho que esse livro do Ken Fischer contribui muito. Nele, o autor mostra que para um bom investidor três perguntas bastam. Assim, os investidores aprendem a questionar, a observar e a decidir o que fazer a respeito das teses em que está olhando.

Para ganhar dinheiro no mercado é importante estar atento e olhar para o que ninguém está olhando.

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