Inflação e juros esperados atingem níveis inéditos

Focus 25-09-17.png

A projeção de inflação para este ano atingiu uma marca histórica. A expectativa de mercado, divulgada pela pesquisa Focus desta segunda-feira (25), indica um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2,97%. Portanto, abaixo do mínimo de 3% permitido pela meta do governo.

Se essa projeção se cumprir, pela quarta vez desde a criação do regime de metas em 1999 o presidente do Banco Central deverá escrever uma carta pública ao ministro da Fazenda, com as justificativas para a variação fora da previsão. Mas será a primeira vez em que o motivo é a inflação baixa demais!

Focus 25-09-17

A supersafra agrícola e o recuo do dólar contribuíram para o recuo do índice. Contudo, é quase consenso que a duradoura recessão que atravessa o país é o principal motivo para o IPCA tão baixo.

Juros

Por conta das expectativas de inflação, as previsões do mercado financeiro para a Selic – taxa básica de juros – também atingiram um recorde. Segundo as estimativas, terminaremos este ano com o menor nível já registrado no Brasil: 7% ao ano. Atualmente, o índice registra 8,25% ao ano.  

PIB

Por outro lado, o PIB (Produto Interno Bruto) esperado para o ano quase dobrou no intervalo de quatro semanas – de 0,39% para 0,68%.  As revisões de expectativas ganharam força após a divulgação do resultado do PIB do segundo trimestre deste ano – que avançou 0,2%.

Para o próximo ano, os economistas também estão otimistas e elevaram a estimativa de expansão da economia de 2,20% para 2,30% – terceira alta seguida do indicador.

Inflação em queda livre

Focus gráfico 26-06-17.png

As projeções de inflação para este ano estão em queda livre. É o que mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (26). Desde o fim do mês de maio, a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) recuou quase meio por cento – de 3,95% para 3,48%.

Em 2017, a meta de inflação continua sendo de 4,5% ao ano. Contudo, o espaço de manobra do Banco Central diminuiu. Após muitos anos com intervalo permitido de 2,5% a 6,5%, os limites mínimo e máximo  de inflação passaram para 3% e 6%, respectivamente.

Quando a inflação fica fora do previsto pela meta, o presidente do Banco Central (BC) é obrigado a redigir uma carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando os motivos. Desde a criação do Plano Real em 1994, isso ocorreu apenas quatro vezes: de 2002 a 2004 e 2016. Em todas elas, a inflação estourou o limite máximo da meta.

Neste ano, pela primeira vez, o IPCA se aproxima do mínimo da meta de inflação. Até maio, a inflação acumulada nos últimos doze meses está em 3,6%.

Juros

Apesar do recuo da inflação, a mediana das previsões do mercado quanto à queda da taxa de juros na próxima reunião do BC permanece em 0,75%. Mas a pressão por corte de um ponto percentual vem aumentando.

IGP- M

inflação-do-aluguel-.jpg

O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), conhecido como a inflação do aluguel, continua diminuindo drasticamente. Em maio de 2017, o acumulado nos últimos doze meses é de 1,57%. A expectativa dos analistas de mercado é que o IGP-M termine o ano em apenas 0,95%.

A tendência é de que os preços de aluguel de imóveis fiquem praticamente estáveis. Bom para inquilinos e ruim para proprietários e investidores em fundos de investimento imobiliário.

PIB

Acompanhando as revisões do Itaú e do Bradesco quanto à projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, o mercado piorou as expectativas do indicador. Segundo os economistas consultados, o Brasil deve crescer apenas 0,39% neste ano.