Vale a pena comprar ações no mercado fracionário?

pequeno investidor

A ideia de escrever esse texto surgiu a partir da dúvida de um dos nossos leitores. Ele nos perguntou: “É melhor comprar ações todo mês ou juntar uma quantia durante um período e aportar?”. A pergunta que – aparentemente – parece simples, não é!

A maioria das ações listadas na Bovespa é negociada em múltiplos do lote padrão – normalmente composto de 100 ações. Assim, apesar de uma ação da Smiles, por exemplo, estar cotada hoje (22) em R$ 61,22, são necessários R$ 6.122,00 para comprar um lote padrão. Para pequenos investidores esse valor pode ser uma barreira importante à entrada ou à diversificação de seus investimentos.

No entanto, há a possibilidade de adquirir os papéis mesmo sem ter o montante para comprar o lote. Basta recorrer ao mercado fracionário, onde as ações são negociadas em quantidades menores em relação ao lote padrão.

Ao decidir comprar ações no mercado fracionário, o investidor terá algumas vantagens:

Diversificação

Suponha que o investidor tenha R$ 12 mil e pretenda dividir igualmente em quatro ações para diminuir seu risco. Se tivesse apenas o mercado de lotes padrão à disposição, os papéis da companhia de milhagem não seriam uma boa opção para este investidor.

Ficaria este investidor sem poder entrar na Bolsa? Não! O mercado fracionário de ações vem para corrigir esse problema. Nele, é possível negociar até mesmo uma única ação de cada vez.

Em nosso exemplo, o investidor poderia adquirir R$ 3 mil em Smiles comprando 49 ações.

Pequenas compras mensais

Outra situação em que o fracionário é útil ocorre quando o investidor pretende fazer pequenas compras mensais. Digamos que o fim do mês chegou, todas as contas foram pagas e você conseguiu juntar R$ 500 para investir em ações.

Sua intenção é comprar ativos da Grazziotin, cotadas nesta quinta-feira a R$ 23,80. Neste ritmo, seriam necessários cinco meses até conseguir os recursos para comprar um lote padrão por R$ 2.380. Com o mercado fracionário, ele poderia, por exemplo, optar por comprar apenas 21 ações da Grazziotin.

Mas… nem tudo são flores! Quando pensamos em vantagens, logo precisamos lembrar que lá estão elas: as desvantagens.

Mais negócio = mais corretagem

Utilizar regularmente o mercado fracionário não é a melhor estratégia para todos. Quem negocia nesse mercado tende a fazer maior quantidade de negócios e, assim, gastar mais com corretagem. Mesmo que algumas corretoras cobrem menos para operações no mercado fracionário em relação ao mercado de lotes padrão, o desconto não chega a 50%.

Vamos comparar as alternativas:

  • Compra mensal de R$ 500 em ações da Grazziotin até atingir um lote padrão de 100 ações
  • Compra única no quinto mês do lote padrão

Para fins de simplificação, vamos considerar um  preço fixo nesses cinco meses e utilizar a corretora Rico, que cobra R$ 8,90 por ordem no mercado fracionário e R$ 16,20 no mercado tradicional.

Na primeira opção, o investidor teria 100 ações da Grazziotin ao final do quinto mês, tendo gasto 5 x R$ 8,90 = R$ 44,50 com corretagem. Na alternativa, o investidor gastaria apenas R$ 16,20 ao fim do quinto mês. Quase um terço do custo!

Maior spread entre compra e venda no fracionário

As ações escolhidas para exemplificar não foram à toa. Enquanto as ações da Smiles participam do Ibovespa e negociam em torno de R$ 50 milhões por dia, as da Grazziotin não chegam a R$ 500 mil diariamente.

Quanto maior o volume de negócios, menos tende a ser o spread (a diferença entre o preço de compra e o preço de venda). Ou seja, menor é o custo de transação para efetuar compras e vendas no mercado. No mercado fracionário não é diferente: as ações da Smiles possuem maior volume de negócios e menores spreads que a Grazziotin.

Vamos aos exemplos com dados atuais:

No mercado fracionário de Smiles, era possível comprar SMLE3F (código para a ação ordinária negociada da Smiles no mercado fracionário) a R$ 61,30, enquanto que, na negociação de lote padrão, o melhor preço possível era R$ 61,24 – uma pequena diferença de apenas 0,1%.

No caso da Grazziotin, a CGRA4F era vendida a R$ 24,54. Ao passo que no mercado padrão poderíamos comprar CGRA4 pagando R$ 23,90, o que resulta numa diferença de preço de 2,7%. É muito mais caro comprar Grazziotin no fracionário!

Assim, quem opta pela compra no fracionário deve se atentar para a liquidez da ação. Ações muito líquidas (com alto volume de negócios) tendem a ter um preço muito próximo ao mercado de lote padrão. Já para as ações ilíquidas, em geral, paga-se caro demais. É necessário analisar caso a caso antes de decidir.

 

6 comentários sobre “Vale a pena comprar ações no mercado fracionário?

  1. Ábaco Líquido 23 de junho de 2017 / 13:17

    90% das minhas compras são no fracionário, mas utilizo o spread a meu favor porque deixo as ordens lançadas. Algumas levam dias para executar, mas acaba pegando.

    Abraço!

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    • KB Investimentos 23 de junho de 2017 / 14:55

      É verdade Uó.
      Uma opção é deixar a ordem lá e esperar. Mas pode ser que, quando a ordem seja finalmente executada, o preço no mercado de lote padrão já tenha caído.
      Nesse caso, comprar no fracionário ainda sairia mais caro.

      Abraço.

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  2. Jorge Barrios 22 de junho de 2017 / 19:57

    Bom texto, Kb. Aliás, conheci o blog recentemente e esse deve ser meu primeiro comentário. Parabéns por todo seu conjunto de textos.

    Os principais pontos da fracionário realmente são esses. Com relação ao custo de corretagem, a aplicação programada da Rico acaba sendo uma boa para quem compra no fracionário, já que a cobrança não é de nenhum valor fixo, mas de 0,5% da compra. Hoje não permitem comprar qualquer ação, mas já há uma quantidade razoável (hoje consigo comprar 2/3 da carteira por lá). O critério deles é liquidez, então você acaba inconsciente fugindo de comprar ações com menos liquidez (maior spread) no fracionário. Você até pode comprar, mas tem que ir lá e dar a ordem, não vai pela aplicação programada.

    Abraço!

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    • KB Investimentos 23 de junho de 2017 / 10:44

      Obrigado pelo elogio sobre os textos Jorge!

      Eu não conhecia essa opção da Rico de cobrança de corretagem em função do valor da
      compra. Parece mesmo ser uma boa opção para limitar os custos para investidor no fracionário.
      Pelo jeito, a parte ruim é essa limitação de ações disponíveis para comprar, mas ainda sim é uma ótima alternativa para investir pequenas quantias.
      Obrigado pela dica.

      Abraço.

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    • Ábaco Líquido 23 de junho de 2017 / 13:21

      Eu uso este investimento programado da Rico para comprar 4 ações mensalmente: ABEV, ITUB, CIEL e BBSE. O que ocorre é o seguinte, não aporto mais dinheiro na Rico justamente por causa das corretagens caras, mas tenho lá muitos FIIs, que geram uns bons proventos mensais. Para o dinheiro não ficar parado na conta, e também para não precisar ficar fazendo saques, programei este investimento. É também uma forma que eu encontrei para comprar boas ações independentemente do preço. Se deixar para eu comprar no manual, acho que não compraria nos preços atuais, rs. Então deixo o robozinho da corretora comprando para mim.

      Abraço!

      Curtido por 1 pessoa

      • KB Investimentos 24 de junho de 2017 / 00:19

        É um bom jeito de manter a disciplina de comprar mensalmente.
        Só tem que ver se não vai acabar pagando caro demais por algumas ações.
        BBSE, por exemplo, acho uma ótima ação, mas ao preço atual não me parece muito atrativa.

        Abraço.

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