Trisul logo maiorA construtora Trisul (TRIS3) divulgou no dia 13 seu maior lucro trimestral dos últimos dez anos. De abril a junho, a companhia auferiu R$ 27,2 milhões de lucro líquido. Nos últimos doze meses, o valor chega a R$ 95,4 milhões.

Com um maior número de lançamentos, a receita operacional líquida da empresa subiu 50% na comparação anual, alcançando os R$ 184 milhões, enquanto que as vendas líquidas cresceram 62% – de R$ 157,4 milhões para R$ 255,8 milhões.

Com o crescimento da margem bruta para acima da meta de 30%, o lucro bruto da Trisul também cresceu expressivos 69% e atingiu R$ 64,5 milhões. Este é um sinal de que a revisão estratégica pela qual passou a empresa tem sido benéfica.

No ano, a companhia já lançou R$ 527 milhões em VGV (valor geral de vendas) e obteve vendas brutas de R$ 536 milhões, portanto mais da metade do guidance (meta) para 2019, que havia sido revisado para entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão nas duas métricas. 

Nova oferta primária de ações?

Construção

A Trisul informou ao mercado através de fato relevante no dia 14 que “contratou bancos para a prestação de serviços de assessoria financeira no âmbito de potencial operação para captação de recursos por meio da realização de oferta pública primária de ações via distribuição no mercado de capitais.”

Na prática, a empresa informa que estuda emitir novas ações para aumentar o caixa da companhia. No mesmo comunicado, a companhia decidiu descontinuar seu guidance.

A operação pode ser benéfica aos acionistas atuais a depender do preço da emissão, do número de ações emitidas e principalmente dos objetivos da empresa com os novos recursos.

Como a companhia não tem dívida relevante, espera-se que o dinheiro serviria para aumentar o número de empreendimentos e alavancar seu crescimento.

Cabe ressaltar que, caso os atuais acionistas optem por não participar desta eventual oferta, sua participação na empresa será diluída. 

A meta de 30% para a margem bruta, a revisão estratégica da companhia, a política de lanbank (banco de terrenos) inferior a dois anos de VGV e outros detalhes da empresa podem ser conferidos na entrevista que fizemos com o diretor financeiro Fernando Salomão:

KB Investimentos entrevista: Trisul

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5 pensamentos

    1. Oi Gilson,

      O preço da oferta primária vai depender do número de ações oferecidas e do preço, mas acho que difícil que isso por si só faça cotação cair.
      O principal mesmo será o destino deste novos recursos. Não pode crescer por crescer e perder margens significativamente .

      Abraço.

  1. Oi Gustavo,

    Você trouxe bons pontos de discussão.
    Eu concordo que boa parte da valorização da Trisul já deve ter ocorrido. A ação triplicou de preço desde a primeira vez que escrevi no site numa análise versus a Eztec.
    É difícil acreditar em mais 200% de alta a partir do preço atual. Para que isso ocorra, será necessário que a captação de recursos via emissão primária seja um sucesso e que os recursos sejam bem utilizados para aumentar os lançamentos e receita sem perder margens.
    Como não há ainda maiores informações sobre essa oferta primária, não consigo nem tentar avaliar se a empresa está dando um passo maior do que a perna.

    Eu não tenho segurança para cravar que o setor imobiliário vai sofrer nos próximos anos. Com a esperada queda da taxa de juros, se a economia se recuperar, acredito que este pode ser um bom setor para se investir.
    No momento, não conheço empresa claramente mais descontada no setor (confesso que preciso estudar melhor as concorrentes), mesmo sabendo do potencial menor de valorização.

    Sobre a Unipar, deu praticamente tudo errado para a empresa no trimestre a ainda sim ela não deu prejuízo.
    A manutenção em Santo André terminou e eles disseram na teleconferência que tem apenas uma pequena parada programada na planta de Cubatão.
    O momento atual é de cotação do PVC e principalmente da soda muito baixo. Se esses preços se recuperaram, o lucro da Unipar pode aumentar muito.

    Abraço.

  2. KB,

    Não acha que a empresa já está bem precificada com esse patamar de resultados?

    Entrei á muito tempo atrás (quando se comprava á (2,40 – 2,50) e tenho uma leve impressão que o ápice de geração de valor da companhia já foi atingido, principalmente levando em consideração ao Valuation e múltiplos atuais.

    Se você for ver a empresa precisaria dobrar a lucratividade para justificar uma compra aos preços atuais e mesmo assim há uma euforia que mantém o preço lá em cima. Enfim, você pode discordar, mas eu preferi ir diminuindo minha posição aos poucos diante das últimas altas e acabei zerando.

    Pra mim foi uma forma de me proteger caso a economia do BR ande de lado. E mesmo se a constru. civil se reaquecer de maneira muito forte, acho mais interessante procurar outro case onde há mais margem de ganho em relação aos preços atuais.

    Você não acha que a cia está dando um passo maior que a perna?

    Penso que no atual cenário da Trisul, os investidores devem se preparar para um leve declínio na lucratividade á partir do 4T2019 ou 1T2020, levando em consideração que devemos ter menos lançamentos no futuro e mais dificuldade de venda (economia andando de lado), o que deve pressionar a margem da empresa para baixo.

    Agora sobre Unipar:

    Baita oportunidade de comprar barato nas últimas semanas , não?

    Particularmente não acredito que esse ciclo de baixa no setor químico dure muito tempo. E a manutenção em Santo André (PVC) já deve ter acabado.

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