Marfrig hamburguer vegetal

A Marfrig registrou R$ 1,2 bilhão de EBITDA ajustado no primeiro trimestre deste ano. O valor é pouco mais do que o dobro do mesmo período de 2019. O bom resultado da empresa foi puxado pelo aumento da demanda norte-americana e o crescimento das exportações.

De acordo com a companhia, as vendas para outros países saltaram de mais de R$ 1,3 milhões para R$ 2,2 milhões na unidade da América do Sul. Sendo que 60% dessas exportações foram destinadas a China e Hong Kong. 

O aumento das vendas para os países asiáticos era uma das expectativas da Marfrig. Em entrevista ao KB no ano passado, o então vice-presidente de finanças e relações com investidores da Marfrig Global Foods, Marco Spada, disse que esperava “um impacto relevante nas vendas para China” com a habilitação das plantas de Várzea Grande e Tangará da Serra, localizadas no Mato Grosso.

O aumento de 87% da receita de processados e o fechamento das plantas ineficientes estão entre os motivos que explicam o crescimento do EBITDA no período. Durante apresentação dos resultados, os dirigentes da empresa disseram que “os processados têm melhor margem e vieram para ficar”.

Em contrapartida, a produtora de carne bovina registrou um prejuízo contábil de R$ 136,9 milhões neste primeiro trimestre e reverteu o lucro líquido de R$ 4,3 milhões do ano anterior. Isso ocorreu devido ao impacto da variação cambial. Com a alta do dólar, muitas empresas que têm dívida em moeda norte-americana viram isso ocorrer em seu balanço. É o caso, por exemplo, da PetroRio e da JBS.

De acordo com o BTG Pactual, a forte demanda do varejo aliada à menor oferta do produto, por conta do fechamento temporário de algumas plantas, deve manter o preço da carne elevado. Além disso, a alta disponibilidade deve segurar o preço do gado, garantindo mais um trimestre de alta rentabilidade para a Marfrig.

Marfrig preço do gado e carne 1T20
Fonte: USDA/ Bloomberg/ BTG Pactual

Mas um ponto que merece atenção é a dívida da empresa. Com o forte aumento do dólar, a companhia viu sua dívida saltar de R$ 13,3 bilhões para 19,4 bilhões em um trimestre. Considerando a dívida em moeda norte-americana, o crescimento foi menor: o índice de alavancagem Net Debt/EBITDA (dívida líquida/EBITDA) subiu de 2,74 para 2,84 vezes. Por outro lado, a companhia atingiu o menor custo médio histórico da dívida ao bater 5,81% neste trimestre contra 6,26% no final do ano passado.

Mesmo assim, é importante que a Marfrig aproveite o cenário favorável para se desalavancar e garantir uma boa rentabilidade para atravessar momentos mais desafiadores no setor.

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