Em cartaz: Unipar e a OPA frustrada

sala de cinema Unipar

Parecia enredo de filme a saga da Unipar Carbocloro para fechar o capital. Faltando poucas horas para o então aguardado leilão da OPA (Oferta Pública de Aquisição), a fabricante de soda, cloro e derivados divulgou que vendeu sua fatia de 17,8% no capital da Tecsis Tecnologia e Sistema Avançado.

O anúncio da Unipar – feito durante a madrugada – fez com que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) suspendesse a OPA “tendo em vista as condições extraordinárias em que se encontra a oferta e as incertezas que a realização do leilão nesta data traria às partes envolvidas na operação”.  A Vila Velha Participações, controladora da Unipar, ainda deverá encaminhar à CVM os detalhes da transação envolvendo a Tecsis.

O edital da oferta determina que durante a OPA não pode haver mudanças nos negócios da empresa que represente 5% ou mais do seu lucro do ano passado. No entanto, a venda da Tecsis teria superado esse montante de acordo com a Vila Velha. Sendo assim, a Comissão de Valores Mobiliários suspendeu a oferta até que a fabricante de soda encaminhe todas as respostas sobre o impacto que essa transação provocou. O prazo encerra-se nesta quarta-feira (2). 

Já nesta segunda-feira (31), a controladora da Unipar encaminhou um documento à CVM sobre sua intenção de revogar a OPA. 

Essa não é a primeira vez que a Unipar Carbocloro tenta fechar o capital. Em 2015, a oferta da companhia foi de R$ 4,40 por ação preferencial classe B (UNIP6) e no ano seguinte de R$ 7,50 pelo mesmo papel. Desta vez, a companhia teve a “coragem” de oferecer R$ 2,50. Ficou com vergonha?

Pois é, nós também!

Não à toa, nos habilitamos para o leilão e oferecemos R$ 25 por UNIP6 para vendê-las.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos!

Prazo para se inscrever no leilão da Unipar termina nesta quinta-feira

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Em meio a tentativa de fechar o capital, a Unipar anunciou nesta segunda (24) que pagará dividendos equivalentes a metade de seu valor de mercado. No caso da ação preferencial UNIP6, a distribuição será de R$ 5 por papel, informada quando a ação era negociada a exatos R$ 10. O valor extraordinário que a fabricante de soda, cloro e derivados anunciou fez com que a ação tivesse uma valorização de R$ 20% na Bolsa no dia seguinte.

A justificativa da Unipar para esse valor surpreendente foi devido a reapresentação do balanço e demonstrativo de resultados do quarto trimestre do ano passado em que ela contabiliza os ganhos com a compra a fabricante de PVC Indupa Solvay. Com o novo cálculo, o lucro líquido da Unipar disparou 500%, atingindo R$ 215 milhões.

No mês passado, a Unipar anunciou que pagaria R$ 7,50 por ação (ordinária ou preferencial classe A ou B) para fechar o capital da companhia. Com essa distribuição de resultados, o preço foi revisado para R$ 2,50 no caso de UNIP6 (preferencial classe B).

De acordo com as normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para que o cancelamento do registro para negociação de ações seja aceito é necessário que a OPA (Oferta Pública de Aquisição) seja aceita por ao menos 2/3 (dois terços) dos papéis em circulação. Para fazer esse cálculo, a CVM leva em consideração apenas as ações de titulares que concordarem expressamente com o cancelamento de registro ou se habilitarem para o leilão da OPA.

Sendo assim, você – acionista da empresa – não pode ser omisso. Caso contrário, ficará de fora dessa conta.

Barsi renuncia ao conselho de administração

Luiz Barsi Filho

Dono de pouco mais de 15% das ações da empresa, o megainvestidor Luiz Barsi Filho decidiu renunciar ao cargo do Conselho de Administração da companhia. Com essa medida e a habilitação, seus ativos passam a ser considerados ações em circulação no dia do leilão. Conforme declarações recentes, a intenção dele é barrar a OPA ao preço ofertado.

Em entrevista ao Infomoney, Barsi pediu a reação dos investidores e considerou a OPA uma “ofensa aos acionistas minoritários, uma vez que, sem dúvida alguma, as ações da empresa valem muito além do que esse preço proposto”. “Basta saber que o valor patrimonial de cada ação é superior aos R$ 14,50, isto, sem contar com a expectativa de lucros que devem advir da Solvay Indupa, onde, por declaração do atual controlador, as receitas deverão crescer de forma significativa, ultrapassando os R$ 2,3 bilhões”, disse Barsi.

Você resolveu participar do leilão?

Se você tomou essa decisão, é melhor correr. Os interessados têm até amanhã (27) para realizar seu credenciamento junto à sua corretora.

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Para saber mais detalhes sobre o leilão, veja o artigo: Unipar tenta mais uma vez fechar seu capital”.

O leilão será realizado na sexta-feira (28), às 15h, por meio do Sistema Eletrônico de Negociação da bolsa. O andamento e o resultado do leilão poderão ser acompanhados pelos códigos: UNIP3L, UNIP5L e UNIP6L. Hoje já é possível ver, através do seu Homebroker, algumas ofertas de venda.

O lance do KB Investimentos

A Carteira KB tem ações da Unipar e já nos habilitamos para o leilão. A R$ 25 por UNIP6, aceitamos vender nossas ações. A menos do que isso, continuamos sócios.

 

Carteira KB – Junho de 2017

Ficamos à frente do Ibovespa pelo sexto mês consecutivo e garantimos um rendimento no ano de 38% contra apenas 4,4% do índice

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A Carteira KB superou – durante o primeiro semestre inteiro – o Ibovespa. Em junho, foi por pouco: garantimos uma valorização de 0,4% contra 0,3% do índice. O resultado foi acirrado neste período marcado pelas incertezas sobre a aprovação de medidas importantes, como as reformas trabalhista e previdenciária e a permanência de Michel Temer na presidência.

No entanto, a diferença de resultados entre a Carteira KB e o Ibovespa no acumulado do ano é grande: os nossos ativos somam um ganho de 38% e o índice de apenas 4,4%.

A Grazziotin foi o grande destaque do mês. A empresa do setor de vestuário da região sul do Brasil registrou uma valorização de 10,9%. Logo atrás empatadas, vêm as ações da Unipar Carbocloro e da Qualicorp com 2,4% de rendimento no período.

Os outros ativos da Carteira KB apresentaram pequenas quedas. Lideradas pela Smiles – com  recuo de 4,2% –, as ações da Taesa, Ferbasa e Grendene vieram na sequência, com perda de 2,9%, 2,6% e 2,5%, respectivamente.

A Itaúsa foi a única ação da Carteira KB que continuou sendo negociada ao mesmo preço – R$ 8,63.

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Balanceamento

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Neste segundo trimestre, algumas ações tiveram grande destaque e passaram a ter um peso maior na Carteira KB, como a Unipar Carbocloro e a Qualicorp. O que nos levou a fazer o balanceamento dos ativos para que a Carteira KB não fique dependente do desempenho específico de um determinado papel.

Para diminuir esse impacto, vendemos as ações das companhias com maiores altas e compramos os ativos que menos valorizaram-se. A nossa meta é voltar a situação do início do ano e ter todos os ativos com o mesmo peso na Carteira KB. Sendo assim, começaremos o segundo semestre com R$13.802,26 de cada companhia.

Balanceamento feito, esta é a Carteira KB atualizada:

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Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

 

Unipar tenta mais uma vez fechar seu capital

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A Unipar Carbocloro – fabricante de soda, cloro e derivados – pretende deixar a Bolsa. Atualmente vendida a R$ 10,16 por ação preferencial classe B (UNIP6), a empresa anunciou nesta quarta-feira (28) que está disposta a pagar R$ 7,50 por ação (ordinária ou preferencial classe A ou B) para fechar o capital da companhia.

Essa não é a primeira tentativa da Unipar. Em 2015, a oferta foi de R$ 4,40 por ação preferencial classe B (UNIP6) e no ano seguinte R$ 7,50 pelo mesmo papel. Nenhuma dessas propostas tiveram sucesso.

De acordo com as normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para que o cancelamento do registro para negociação de ações seja aceito é necessário que a OPA (Oferta Pública de Aquisição) seja aceita por ao menos 2/3 (dois terços) dos papéis em circulação.

Para fazer esse cálculo, a CVM leva em consideração apenas as ações de titulares que concordarem expressamente com o cancelamento de registro ou se habilitarem para o leilão da OPA.

Aí é que está o pulo do gato: se você – acionista da empresa – for omisso, não entra na conta dos dois terços. Segundo o edital da OPA, para se habilitar é necessário que o titular das ações se credencie junto a sua corretora para que esta o represente no leilão.

No limite, se apenas 15% se habilitarem para participar do leilão, seria necessário que o controlador comprasse apenas 10% dos papéis em circulação para cancelar o registro para negociação da Unipar.

Mas qual é o problema em fechar em o capital?

O preço.

Conforme a instrução da CVM 361/2002, para fechar o capital, o acionista controlador ou a própria companhia aberta devem oferecer um preço justo para comprar todos os papéis da empresa. O valor é definido a partir de uma avaliação da companhia elaborado por área especializada de instituição financeira, corretora ou distribuidora de valores mobiliários.

No caso da Unipar, o laudo utilizado foi publicado no dia 26 de fevereiro de 2016 pelo Santander.  O documento levou em consideração o patrimônio líquido contábil, patrimônio líquido avaliado a preço de mercado, fluxo de caixa descontado, comparação por múltiplos e cotação das ações no mercado de valores mobiliários. Estes critério estão previsto no § 4° do art. 4° da Lei 6.404/76 (Lei de Sociedade de Ações), que define o preço justo para fechamento. Segundo o estudo, o valor econômico das ações de emissão da Companhia estava no intervalo de R$4,99 e R$5,49 por ação.

Então por que o preço ofertado de R$ 7,50 é baixo?

O laudo está desatualizado.

A data base da avaliação é de 31 de dezembro de 2015. São consideradas as informações trimestrais divulgadas pela companhia até 30 de setembro do mesmo ano. Nessa época, o cenário econômico e financeiro era totalmente diferente, com taxa Selic de 14,25% e inflação acima de 10% ao ano. Vale lembrar: a taxa de juros é crucial para estabelecer o valor da empresa, pois ela é utilizada para descontar o fluxo de caixa esperado!

Após este laudo a companhia já:

  1. Tentou fechar o capital oferecendo exatamente os mesmos R$ 7,50 por ação da oferta atual, com base neste primeiro laudo.
  2. Anunciou e concluiu a aquisição de 70,59% das ações da Solvay Indupa, fabricante de PVC e soda cáustica. Com a compra, a Unipar passou a ser a maior produtora de cloro/soda e segunda no mercado de PVC da América Latina.
  3. Informou ao mercado ter recebido um novo laudo de avaliação, datado de 06 de julho de 2016, que considerou os impactos econômicos do contrato de compra e venda de ações celebrado com a Solvay Argentina. De acordo com o documento, o valor econômico das ações de emissão da Unipar foi apurado no intervalo entre R$ 5,25 e R$ 5,78.

A Unipar

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A Unipar Carbocloro – empresas com capital aberto desde 1973 – possui um histórico consistente de altas margens de lucros, atua em mercados tipicamente oligopolista com forte barreira à entrada de concorrentes, distribui regularmente dividendos e possui dívida líquida quase nula.

Segundo a própria empresa, “os negócios de cloro e soda da Unipar Carbocloro têm se caracterizado por uma forte e estável geração operacional de caixa, baixa alavancagem e menor exposição em termos de volatilidade de preço e de demanda de seus produtos, em comparação com commodities petroquímicas”.

Além disso, a compra da Solvay Indupa pode gerar sinergias, economias de escala e reduções de custos que devem ter impacto positivo sobre os próximos resultados.

Para se ter ideia do preço ofertado, veja que o lucro líquido da companhia no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 34 milhões. Anualizando este resultado, teríamos um lucro de R$ 136 milhões.

Pois bem, o preço ofertado pelo controlador para fechar o capital corresponde a um valor de mercado de 83,5 milhões de ações x R$ 7,50 = R$ 626,6 milhões. Uma relação preço/lucro de apenas 4,6! Quem não gostaria de pagar tão barato?

O leilão

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O leilão será realizado na B3 (antiga BM&F Bovespa) em 28 de julho de 2017 às 15hs, por meio do Sistema Eletrônico de Negociação da bolsa. O andamento e o resultado do leilão poderão ser acompanhados pelos códigos: UNIP3L, UNIP5L e UNIP6L.

Regras do leilão

Os interessados em participar têm até o dia 27 de julho para realizar seu credenciamento.

Se você concorda com o fechamento do capital e quer permanecer sócio da empresa, deverá preencher o Formulário de Manifestação indicando expressamente que concorda com o cancelamento de registro de companhia aberta, mas não deseja vender ao ofertante as ações em circulação de sua titularidade.

Se não pretende negociar suas ações e não concorda com o cancelamento do registro para negociação de ações, há duas possibilidades: se credenciar e não colocar seus papéis à venda ou se habilitar e registrar oferta de venda com preço superior ao preço de encerramento do leilão.

Se quiser vender, pode fazê-lo a qualquer hora. Antes, durante e, como veremos, até depois do leilão.

Se você se mantiver omisso, suas ações não contam. Estão fora do cálculo do mínimo de dois terços para o sucesso da OPA. Nesse caso, sugerimos acompanhar o leilão e, caso o controlador triunfe, avalie se vende mais tarde ou se vira sócio de uma companhia fechada.

Vendendo após o leilão

Se o ofertante vier a adquirir mais de 2/3 das ações em circulação, qualquer titular que deseje vender suas ações ao ofertante poderá apresentar um pedido de venda durante os três meses seguintes ao leilão, ou seja, até 30 de outubro de 2017. O ofertante estará obrigado a adquirir tais ações e pagará aos respectivos titulares o preço do leilão, ajustado pela variação do IPCA  (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desde a data de liquidação da OPA até a dia do efetivo pagamento.

KB Investimentos e Unipar

A Unipar é uma das ações da Carteira KB desde seu início. Neste ano, o papel valorizou 48,3%. Boa parte deste rendimento (30,1%) veio após a publicação, em 3 de maio, da reapresentação das demonstrações financeiras e do relatório da administração de 2016, após a companhia contabilizar os ativos e passivos identificáveis relacionados à aquisição da Solvay pelo seu valor justo. 

O KB Investimentos se habilitará para o leilão, mas não venderá suas ações. A meta é contribuir para que companhia continue sendo de capital aberto. A R$ 7,50 por ação gostaríamos apenas de comprar mais.

 

Inflação em queda livre

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As projeções de inflação para este ano estão em queda livre. É o que mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (26). Desde o fim do mês de maio, a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) recuou quase meio por cento – de 3,95% para 3,48%.

Em 2017, a meta de inflação continua sendo de 4,5% ao ano. Contudo, o espaço de manobra do Banco Central diminuiu. Após muitos anos com intervalo permitido de 2,5% a 6,5%, os limites mínimo e máximo  de inflação passaram para 3% e 6%, respectivamente.

Quando a inflação fica fora do previsto pela meta, o presidente do Banco Central (BC) é obrigado a redigir uma carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando os motivos. Desde a criação do Plano Real em 1994, isso ocorreu apenas quatro vezes: de 2002 a 2004 e 2016. Em todas elas, a inflação estourou o limite máximo da meta.

Neste ano, pela primeira vez, o IPCA se aproxima do mínimo da meta de inflação. Até maio, a inflação acumulada nos últimos doze meses está em 3,6%.

Juros

Apesar do recuo da inflação, a mediana das previsões do mercado quanto à queda da taxa de juros na próxima reunião do BC permanece em 0,75%. Mas a pressão por corte de um ponto percentual vem aumentando.

IGP- M

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O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), conhecido como a inflação do aluguel, continua diminuindo drasticamente. Em maio de 2017, o acumulado nos últimos doze meses é de 1,57%. A expectativa dos analistas de mercado é que o IGP-M termine o ano em apenas 0,95%.

A tendência é de que os preços de aluguel de imóveis fiquem praticamente estáveis. Bom para inquilinos e ruim para proprietários e investidores em fundos de investimento imobiliário.

PIB

Acompanhando as revisões do Itaú e do Bradesco quanto à projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, o mercado piorou as expectativas do indicador. Segundo os economistas consultados, o Brasil deve crescer apenas 0,39% neste ano.

Vale a pena comprar ações no mercado fracionário?

pequeno investidor

A ideia de escrever esse texto surgiu a partir da dúvida de um dos nossos leitores. Ele nos perguntou: “É melhor comprar ações todo mês ou juntar uma quantia durante um período e aportar?”. A pergunta que – aparentemente – parece simples, não é!

A maioria das ações listadas na Bovespa é negociada em múltiplos do lote padrão – normalmente composto de 100 ações. Assim, apesar de uma ação da Smiles, por exemplo, estar cotada hoje (22) em R$ 61,22, são necessários R$ 6.122,00 para comprar um lote padrão. Para pequenos investidores esse valor pode ser uma barreira importante à entrada ou à diversificação de seus investimentos.

No entanto, há a possibilidade de adquirir os papéis mesmo sem ter o montante para comprar o lote. Basta recorrer ao mercado fracionário, onde as ações são negociadas em quantidades menores em relação ao lote padrão.

Ao decidir comprar ações no mercado fracionário, o investidor terá algumas vantagens:

Diversificação

Suponha que o investidor tenha R$ 12 mil e pretenda dividir igualmente em quatro ações para diminuir seu risco. Se tivesse apenas o mercado de lotes padrão à disposição, os papéis da companhia de milhagem não seriam uma boa opção para este investidor.

Ficaria este investidor sem poder entrar na Bolsa? Não! O mercado fracionário de ações vem para corrigir esse problema. Nele, é possível negociar até mesmo uma única ação de cada vez.

Em nosso exemplo, o investidor poderia adquirir R$ 3 mil em Smiles comprando 49 ações.

Pequenas compras mensais

Outra situação em que o fracionário é útil ocorre quando o investidor pretende fazer pequenas compras mensais. Digamos que o fim do mês chegou, todas as contas foram pagas e você conseguiu juntar R$ 500 para investir em ações.

Sua intenção é comprar ativos da Grazziotin, cotadas nesta quinta-feira a R$ 23,80. Neste ritmo, seriam necessários cinco meses até conseguir os recursos para comprar um lote padrão por R$ 2.380. Com o mercado fracionário, ele poderia, por exemplo, optar por comprar apenas 21 ações da Grazziotin.

Mas… nem tudo são flores! Quando pensamos em vantagens, logo precisamos lembrar que lá estão elas: as desvantagens.

Mais negócio = mais corretagem

Utilizar regularmente o mercado fracionário não é a melhor estratégia para todos. Quem negocia nesse mercado tende a fazer maior quantidade de negócios e, assim, gastar mais com corretagem. Mesmo que algumas corretoras cobrem menos para operações no mercado fracionário em relação ao mercado de lotes padrão, o desconto não chega a 50%.

Vamos comparar as alternativas:

  • Compra mensal de R$ 500 em ações da Grazziotin até atingir um lote padrão de 100 ações
  • Compra única no quinto mês do lote padrão

Para fins de simplificação, vamos considerar um  preço fixo nesses cinco meses e utilizar a corretora Rico, que cobra R$ 8,90 por ordem no mercado fracionário e R$ 16,20 no mercado tradicional.

Na primeira opção, o investidor teria 100 ações da Grazziotin ao final do quinto mês, tendo gasto 5 x R$ 8,90 = R$ 44,50 com corretagem. Na alternativa, o investidor gastaria apenas R$ 16,20 ao fim do quinto mês. Quase um terço do custo!

Maior spread entre compra e venda no fracionário

As ações escolhidas para exemplificar não foram à toa. Enquanto as ações da Smiles participam do Ibovespa e negociam em torno de R$ 50 milhões por dia, as da Grazziotin não chegam a R$ 500 mil diariamente.

Quanto maior o volume de negócios, menos tende a ser o spread (a diferença entre o preço de compra e o preço de venda). Ou seja, menor é o custo de transação para efetuar compras e vendas no mercado. No mercado fracionário não é diferente: as ações da Smiles possuem maior volume de negócios e menores spreads que a Grazziotin.

Vamos aos exemplos com dados atuais:

No mercado fracionário de Smiles, era possível comprar SMLE3F (código para a ação ordinária negociada da Smiles no mercado fracionário) a R$ 61,30, enquanto que, na negociação de lote padrão, o melhor preço possível era R$ 61,24 – uma pequena diferença de apenas 0,1%.

No caso da Grazziotin, a CGRA4F era vendida a R$ 24,54. Ao passo que no mercado padrão poderíamos comprar CGRA4 pagando R$ 23,90, o que resulta numa diferença de preço de 2,7%. É muito mais caro comprar Grazziotin no fracionário!

Assim, quem opta pela compra no fracionário deve se atentar para a liquidez da ação. Ações muito líquidas (com alto volume de negócios) tendem a ter um preço muito próximo ao mercado de lote padrão. Já para as ações ilíquidas, em geral, paga-se caro demais. É necessário analisar caso a caso antes de decidir.

 

Eike e Joesley: os Batistas investigados por insider trading

Eike Batista e Joesley Batista. Além do sobrenome, os dois têm algo em comum: investigados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por utilizar informações privilegiadas para negociar ações da própria companhia – o famoso insider trading.

Para o primeiro Batista, as investigações se encerraram nesta semana. De acordo com a Comissão, o acusado teve acesso à minuta do novo plano de negócios da OSX – empresa do setor naval de seu antigo império X –  antes de ser divulgada ao mercado.

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Eike foi condenado pela CVM a pagar multa de R$ 21 milhões por vender suas ações antes de todos saberem da notícia e os papéis perderem valor. A Comissão alegou que “o mercado não negociou nas mesmas bases informacionais que o acusado”.

A multa aplicada a Eike equivale ao dobro do montante da perda evitada com as informações privilegiadas. Levando-se em consideração os valores envolvidos em cada um dos casos, a penalidade para a JBS tende a ser maior. Enquanto o Batista do império X negociou R$ 33 milhões, o Batista da Friboi vendeu R$ 150 milhões em ações da companhia.

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Se a Medida Provisória publicada no início do mês pelo presidente Michel Temer valesse para o caso de Joesley, as sanções seriam ainda maiores. Com a nova regra, as punições poderão ser cumulativas e, agora, a multa poderá atingir 20% do valor do faturamento total individual ou consolidado da pessoa jurídica. No caso da JBS, a multa poderia ultrapassar os R$ 30 bilhões!

Será que Temer pensou em seu “amigo” para aprimorar essa legislação?

Assimetria de informação

Os dois casos ilustram o que chamamos de assimetria de informação. Essa falha de mercado ocorre quando duas ou mais partes estabelecem uma transação em que uma delas detém melhores informações sobre o produto.

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Um exemplo clássico para o fenômeno é o mercado de carros usados. O vendedor do veículo sempre tem mais informações sobre o histórico e os defeitos do automóvel que o comprador.

Digamos que nesse mercado há dois tipos de donos:

  • Vendedor A, dono de um Gol 2010 em perfeito estado, disposto a vender seu carro por R$ 20 mil
  • Vendedor B, dono de um carro do mesmo modelo, mas que sabe que seu veículo tem uma série de problemas, aceita vender por R$ 16 mil.

Pois bem, o comprador aceitaria pagar os R$ 20 mil se tivesse certeza que está comprando o Gol em perfeito estado. Contudo, como não sabe qual carro está comprando, ele está disposto a pagar no máximo R$ 18 mil. Acontece que, a este preço, o vendedor A não aceita negociar e sai do negócio, restando apenas os carros usados ruins no mercado.

Os serviços de vistoria de automóveis usados agem justamente para corrigir essa falha de mercado.  Utilizando os números de chassi, motor e a documentação, são checados o histórico e a procedência do veículo. Algumas empresas fornecem ainda uma verificação da parte mecânica do carro. Assim, é possível certificar a qualidade do produto ao comprador.

No mercado financeiro, no entanto, essa saída não está disponível. Os controladores da empresa – por definição – sempre terão as informações sobre a situação atual e os rumos da companhia antes e com maior riqueza de detalhes.

Resta às instituições fiscalizadoras do mercado financeiro  como a CVM no Brasil punir aqueles que flagrantemente se valem dessa assimetria de informação para obter vantagens do mercado.