Eike e Joesley: os Batistas investigados por insider trading

Eike Batista e Joesley Batista. Além do sobrenome, os dois têm algo em comum: investigados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por utilizar informações privilegiadas para negociar ações da própria companhia – o famoso insider trading.

Para o primeiro Batista, as investigações se encerraram nesta semana. De acordo com a Comissão, o acusado teve acesso à minuta do novo plano de negócios da OSX – empresa do setor naval de seu antigo império X –  antes de ser divulgada ao mercado.

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Eike foi condenado pela CVM a pagar multa de R$ 21 milhões por vender suas ações antes de todos saberem da notícia e os papéis perderem valor. A Comissão alegou que “o mercado não negociou nas mesmas bases informacionais que o acusado”.

A multa aplicada a Eike equivale ao dobro do montante da perda evitada com as informações privilegiadas. Levando-se em consideração os valores envolvidos em cada um dos casos, a penalidade para a JBS tende a ser maior. Enquanto o Batista do império X negociou R$ 33 milhões, o Batista da Friboi vendeu R$ 150 milhões em ações da companhia.

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Se a Medida Provisória publicada no início do mês pelo presidente Michel Temer valesse para o caso de Joesley, as sanções seriam ainda maiores. Com a nova regra, as punições poderão ser cumulativas e, agora, a multa poderá atingir 20% do valor do faturamento total individual ou consolidado da pessoa jurídica. No caso da JBS, a multa poderia ultrapassar os R$ 30 bilhões!

Será que Temer pensou em seu “amigo” para aprimorar essa legislação?

Assimetria de informação

Os dois casos ilustram o que chamamos de assimetria de informação. Essa falha de mercado ocorre quando duas ou mais partes estabelecem uma transação em que uma delas detém melhores informações sobre o produto.

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Um exemplo clássico para o fenômeno é o mercado de carros usados. O vendedor do veículo sempre tem mais informações sobre o histórico e os defeitos do automóvel que o comprador.

Digamos que nesse mercado há dois tipos de donos:

  • Vendedor A, dono de um Gol 2010 em perfeito estado, disposto a vender seu carro por R$ 20 mil
  • Vendedor B, dono de um carro do mesmo modelo, mas que sabe que seu veículo tem uma série de problemas, aceita vender por R$ 16 mil.

Pois bem, o comprador aceitaria pagar os R$ 20 mil se tivesse certeza que está comprando o Gol em perfeito estado. Contudo, como não sabe qual carro está comprando, ele está disposto a pagar no máximo R$ 18 mil. Acontece que, a este preço, o vendedor A não aceita negociar e sai do negócio, restando apenas os carros usados ruins no mercado.

Os serviços de vistoria de automóveis usados agem justamente para corrigir essa falha de mercado.  Utilizando os números de chassi, motor e a documentação, são checados o histórico e a procedência do veículo. Algumas empresas fornecem ainda uma verificação da parte mecânica do carro. Assim, é possível certificar a qualidade do produto ao comprador.

No mercado financeiro, no entanto, essa saída não está disponível. Os controladores da empresa – por definição – sempre terão as informações sobre a situação atual e os rumos da companhia antes e com maior riqueza de detalhes.

Resta às instituições fiscalizadoras do mercado financeiro  como a CVM no Brasil punir aqueles que flagrantemente se valem dessa assimetria de informação para obter vantagens do mercado.

KB Investimentos entrevista: Ferbasa

Conversamos com exclusividade com o gerente de Relações com Investidores da Ferbasa, Carlos Henrique Temporal, para entender a alta de 536% do lucro líquido da empresa

Os resultados mais recentes da Ferbasa – única produtora de ferrocromo das Américas –  levaram FESA4 a entrar na Carteira KB.  Para se ter uma ideia, o lucro líquido saltou de R$12,6 milhões para R$80,1 milhões neste primeiro trimestre, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Carlos Henrique Temporal F01A valorização do preço do ferrocromo –  matéria-prima para a fabricação de aços inoxidáveis, utilizada pela construção civil e por indústrias de diferentes segmentos, como de bens de consumo –  foi um dos indicadores que contribuíram para essa performance. Nos primeiros três meses de 2016, o produto era vendido a US$c 92/lb.Cr, e neste ano passou para US$c 154/lb.Cr.

Relativamente pouco utilizado no Brasil, os aços inoxidáveis  têm grande potencial de mercado. Basta comparar com os asiáticos. Enquanto o consumo (quilos/per capita por ano) dos brasileiros gira em torno de 2, a dos chineses que vivem na região rural chega a 3, na Europa a 15 e em Cingapura a 25.

Somando-se a essa perspectiva, a Ferbasa investe em ações para aumentar a produtividade, como: troca e aquisição de novos equipamentos, tecnologias e de um parque de geração de energia eólica para que a companhia não fique refém das oscilações do preço da energia elétrica.

A Ferbasa ainda produz ligas de ferrosilício, sendo 85% com padrão standard, que são destinadas ao setor siderúrgico para a fabricação de aço bruto comum e os outros 15% com padrão HP (high purity), que são usados para a produção de aço silicioso. Este tipo mais refinado, por sinal, é utilizado na fabricação do motor do carro híbrido Prius da Toyota.

O planejamento estratégico da Ferbasa foi revisto em dezembro do ano passado. Anteriormente, a meta era ser uma empresa globalmente competitiva em ferroligas. Com a revisão, o objetivo atual é ser uma companhia globalmente competitiva em ferroligas, minério de cromo e energia renovável.

Para entender melhor a atividade e as perspectivas da corporação, o KB Investimentos conversou com exclusividade com o gerente de Relações com Investidores da Ferbasa, Carlos Henrique Temporal. 

Qual é a expectativa para a evolução do consumo de aço inoxidável no Brasil?

É uma indústria com grande potencial. A ABINOX (Associação Brasileira do Aço Inoxidável) fomenta a utilização e aplicação do produto no mercado brasileiro, visando incrementar seu consumo.

O aço inox é um produto extremamente elástico a preço. Por exemplo: se você pretende fazer uma coluna de aço inox, numa recessão, você substitui por aço comum. Com a retomada da economia, a expectativa é de aumento do consumo no Brasil.

Hoje, a Ferbasa está bem posicionada para o crescimento da demanda, pois detém quase a totalidade do mercado de ferrocromo, produto indispensável à produção de inox, no país.

No release, a empresa diz que reduziu seus custos por causa da substituição de biorredutor por coque. O método deve continuar?

A produção de ligas precisa de redutores para agir na oxirredução dentro dos fornos, transformando elementos óxidos em elementos metálicos. O redutor mais utilizado no mundo é o carbono, produzido a partir do coque (carvão mineral) ou do biorredutor (carvão vegetal).

A Ferbasa utiliza o biorredutor na produção de ferrosilício. Na produção de ferrocromo, tradicionalmente, é usado coque, mas é possível utilizar até 20% de biorredutor. Como a Ferbasa dispõe de fazendas de produção do biorredutor e este é um insumo mais barato, a empresa vem promovendo a substituição de forma a reduzir custos.

Quais ações a companhia têm tomado nesse sentido (para reduzir custos de produção)?

Ferbasa - Metalurgia

Utilização de biorredutor também na produção de ferrocromo. Em 2014, iniciou-se a mudança de tecnologia de produção de biorredutor. Ao custo de R$ 66 milhões, substituímos 400 fornos pequenos (20 a 40 metros cúbicos) operados manualmente por 88 fornos grandes mecanizados (400 a 700 metros cúbicos). O octagésimo sexto forno está em produção no momento, e os últimos dois em fase de final da construção. Essa iniciativa diminui drasticamente os custos de produção de biorredutor e, consequentemente, de ferrosilício.

A aquisição de equipamentos de raio-X. O minério de cromo extraído em nossas minas se divide em concentrado – areia de menor valor agregado – e hard lump – uma pedra de poucos centímetros, mais valiosa. O processo de seleção antigamente era manual. A compra de equipamentos de raio X permitiu mecanizar essa seleção, aumentando a eficiência de 75% para mais de 90%. Esse aumento de eficiência permite produzir a mesma quantidade de liga utilizando menos ROM (Run of Mine), preservando assim as reservas da companhia e reduzindo os custos de produção do ferrocromo, já que o minério chega a representar 40% do custo total desta liga. Hoje, temos dois equipamentos de raio X em operação (comprados em 2015 e 2016). Em julho deste ano, mais duas máquinas serão incorporadas aos ativos da companhia.

A participação do item “Demais produtos” na receita da companhia se multiplicou nos últimos anos. Este segmento da companhia apresenta a melhor margem de lucro bruta da empresa. O que explica esse aumento de participação e qual a expectativa para os próximos anos?

Hoje, a empresa está dedicada a fazer exportações regulares de minério de cromo. Em dezembro de 2016 e fevereiro desse ano, a Ferbasa exportou para a China. Essas vendas são computadas no item demais produtos da companhia.

Qual é a estratégia da companhia para a gestão dos custos de energia?

Em 2015, quando da última renovação, o preço da energia subiu fortemente e o contrato com a CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) foi renovado até 2037, sem possibilidade de extensão, com quantidade de energia contratada 30% menor e 22% mais cara.  O contrato atual prevê o fornecimento anual de 150 MWh até 2032 e reduções gradativas de volume até zerar em 2037. Em função disso, a Ferbasa concretizou alguns contratos de energia no mercado livre para complementar a perda.

Em 2016, a companhia tinha contratado 200 MWh. Apenas os 150 MWh com a CHESF foram utilizados na produção e os outros 50 MWh tiveram que ser vendidos no mercado com prejuízo.

Neste ano, a Ferbasa contratou 215 MWh, sendo que utilizará os 150 MWh da CHESF e mais 15 MWh adquiridos de outras geradoras no mercado livre. Os outros 50 MWh serão novamente vendidos no mercado. Mas, dessa vez, acreditamos que com lucro para a empresa.

Para diminuir a exposição da companhia à oferta de energia, decidimos investir na geração de energia. Após estudos de viabilidade técnica e financeira, a opção da Ferbasa foi por dois projetos brownfields, que já estão em operação, de energia eólica. Hoje, esses projetos tem um PPA (purchase power agreement) de 20 anos (iniciados em 2014) para vender a produção para o governo.

Como a necessidade de energia da empresa hoje é satisfeita pela CHESF e outras geradoras, a compra de projeto de geração eólica representa a compra de fluxo de caixa para a companhia. Em 2034, quando termina o contrato de venda de energia eólica para o governo, a Ferbasa optará por vender energia no mercado ou utilizá-la na produção. No ano seguinte, quando termina o contrato com a CHESF, a energia eólica poderá ser usada para suprir a necessidade da companhia.

Este é o primeiro passo, para desenvolver a curva de aprendizado no novo negócio, sendo possível ainda que a Ferbasa compre projetos greenfield no futuro para aumentar a produção de energia.

Qual é a expectativa de payout da companhia para os próximos anos? Há a intenção de promover um novo programa de recompra de ações? Qual é a expectativa de CAPEX da Ferbasa para os próximos anos?

O histórico de CAPEX da companhia é de R$ 100 milhões/ano. Por conta do fim do projeto de mudança de tecnologia de produção de biorredutor, esse número deve ficar abaixo de R$ 90 milhões neste ano. Esses números desconsideram os projetos de energia.

Nós terminamos no ano passado um programa de recompra de ações. Temos em tesouraria, 3,2 milhões de ações, compradas a um preço médio de R$ 8,07. Ainda não há expectativa de venda dessas ações nem de reabertura de um novo programa de recompra.

Por conta das incertezas da energia, a Ferbasa sempre teve uma estrutura de capital muito conservadora. Hoje a companhia detém quase 400 milhões em caixa. A partir de 2015, quando a companhia passou a ter um horizonte mais claro quanto à questão de energia, o payout e dividend yield da companhia aumentou.

Hoje, existe uma proposta da Diretoria de Relações com Investidores sendo avaliada pelo Conselho de Administração para aumentar a frequência de pagamentos de dividendos.  A ideia é que a companhia distribua trimestralmente seus resultados. A expectativa é que a iniciativa seja aprovada, bem aceita pelos acionistas minoritários e gere maior liquidez das ações no mercado.

A companhia tem intenção de aumentar o nível de tag along, migrando para o Nível 2 ou Novo Mercado?

Não. A questão do tag along só é relevante para os acionistas minoritário em caso de mudança de controle acionário, o que não deve ocorrer na companhia. Ou pelo menos, não observamos sinalizações neste sentido. A Ferbasa é um caso único na Bovespa em que uma fundação é sócia majoritária de uma empresa. A Fundação José Carvalho possui sete escolas e um colégio técnico, localizados na Bahia, que atendem gratuitamente 4 mil alunos. Como a fundação depende dos dividendos recebidos para se manter, não há a mínima intenção de perder o controle acionário.

No dia 18 de maio – com a notícia dos áudios da JBS envolvendo o presidente – o dólar disparou, levando a uma alta das ações de setores tipicamente exportadores com receita em dólar, enquanto o resto do mercado despencava. Neste dia, a FESA4 – ação mais negociada da Ferbasa – caiu 4,1%. O que explica esse comportamento atípico, dado que a Ferbasa tem sua receita totalmente atrelada à moeda americana?

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Foi uma leitura equivocada dos fundamentos. Não existe hoje uma leitura correta da empresa pelo mercado. Nós somos uma empresa 100% dolarizada e temos custos em reais. Este é o trabalho de equipe de RI (Relações com Investidores), assim como das casas de análises de ações e corretoras: fazer com que o mercado entenda o case da empresa, seus respectivos fundamentos e drives de mercado.

Dado que o todo o faturamento da Ferbasa depende do dólar, por que a empresa faz hedge apenas de até 30% de suas receitas?

Há uma relação negativa entre preço de commodities e dólar. O aumento da moeda americana tende a ser, em parte, compensado pela queda de preço desses produtos e vice-versa. Como os produtos vendidos pela Ferbasa têm um “comportamento” de commodities, essa relação é valida. A companhia calculou um coeficiente de correlação de aproximadamente  -0,69 entre esses ativos.

Dado que em torno de 70% da variação da receita devido ao dólar tende a ser compensada pela variação dos preços dos produtos vendidos pela Ferbasa, a companhia entendeu que há necessidade de proteger apenas os outros 30% através de hedge. A empresa utiliza NDF (Non Deliverable Forward), ou Contrato a Termo de Moeda sem Entrega Física, para travar o câmbio dos produtos vendidos.

Carteira KB – Maio de 2017

Pelo quinto mês consecutivo, ficamos à frente do Ibovespa e garantimos um rendimento no ano de 37,4% contra apenas 4,1% do índice

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O mês de maio foi de turbulência no cenário político e, consequentemente, na economia. Após as denúncias dos executivos da JBS de que o presidente Michel Temer teria dado aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o valor de diversas ações despencou. Não à toa, o Ibovespa teve um rendimento negativo de 4,12%, enquanto a Carteira KB atingiu uma valorização de 3,81%, considerando dividendos.

A diferença de resultados é ainda maior se considerarmos o acumulado do ano: os nossos ativos somam um ganho de 37,4% – quase dez vezes maior que o Ibovespa.

O grande destaque do mês foi a Unipar Carbocloro – empresa do setor químico – que registrou uma valorização de 30,1%, considerando os dividendos pagos.  Na sequência, as ações que tiveram o maior rendimento foram Qualicorp, Grendene e Grazziotin, com 26,2%, 8,0% e 5,9%, respectivamente.

Alguns ativos tiveram queda por conta do cenário nebuloso. Entre eles, a empresa do setor de incorporação, venda e construção de imóveis, EZTEC, com perda de 12,5% de seu valor, seguida de Smiles – com 8,7% – e CSU – com 6,7%.

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Dividendos

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Os investidores que aguardavam a enxurrada de dividendos prevista para esse mês podem comemorar. As empresas Taesa, Unipar, Qualicorp e CSU pagaram seus acionistas, conforme esperado. Sendo que a Grendene já distribuiu a segunda parcela de seus resultados. Os proventos que recebemos foram aplicados nas próprias companhias.  

Considerando os dividendos reinvestidos, esta é a atual Carteira KB:

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Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Mercado mantém projeções para juros em meio à crise política

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A expectativa do mercado – divulgada nesta segunda-feira (29) no relatório Focus  –  se manteve, com queda de 1% na Selic. As apostas em um corte mais agressivo nos juros vinham aumentando por conta das projeções da inflação e do fraco desempenho da atividade econômica.

No entanto,  a crise política – gerada após as denúncias dos executivos da JBS de que o presidente Michel Temer teria dado aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha – acabou com as esperanças de uma redução maior.

Vamos ter que aguardar até quarta-feira (31) para ver o que o Banco Central decidirá sobre a Selic. Será que tomará a decisão pensando que as reformas – trabalhista e da previdência – serão aprovadas? Michel Temer continuará no poder? A chapa Dilma-Temer será cassada? Muitas perguntas para poucas respostas!

 Inflação 

As projeções para IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), utilizado como parâmetro para as decisões de taxa de juros do Banco Central, sofreram leve redução no mês – de 4,03% para 3,95%. 

O mesmo não podemos dizer sobre o IGPM (Índice Geral Preços do Mercado) – o indicador serve como referência para reajustar os contratos de aluguéis. O índice segue a trajetória de queda vertiginosa apontada no mês passado – saindo de 2,71% para 2,14%. 

 Dólar e PIB

Apesar do estouro da crise e da disparada do dólar, as projeções se mantiveram praticamente estáveis. A previsão é que a moeda americana termine o ano valendo  R$3,25.

Na mesma direção, o PIB (Produto Interno Bruto) esperado teve pequena alta – de 0,46% para 0,49%. Vale lembrar que nesta quinta-feira (1º) será divulgado o PIB do primeiro trimestre. O número deve ser levemente positivo, mostrando que, enfim, saímos da maior recessão da história do país. 

Seguro catástrofe pode proteger seus investimentos?

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A maior alta do dólar dos últimos 18 anos – registrada na semana passada – entrou para a história. A moeda não tinha uma alta tão expressiva desde a maxidesvalorização promovida por Gustavo Franco, então presidente do Banco Central, no milênio passado. O Ibovespa acompanhou o ritmo do mercado e sofreu a maior queda diária desde o ápice da crise de 2008, com redução de quase 9%. Algumas ações, como Cemig (CMIG4) chegaram a cair quase 50% em alguns momentos do dia.

A variação do mercado por conta da instabilidade política – ocorrida após a delação premiada dos dirigentes da JBS sobre o suposto pagamento de propina a políticos de diferentes partidos, entre eles, o presidente Michel Temer – fez com que um instrumento financeiro ganhasse destaque: as tais PUTs ou opções de venda.

Apelidadas de seguro catástrofe, as PUTs sobem de preço quando o ativo a que estão atreladas caem. Em dias de grandes quedas na Bovespa, é comum ver algumas delas valorizando 200%, 500% ou até 1000%. Por causa disso, é normal lermos ou ouvirmos conselhos sobre comprar as opções de venda para servir como uma espécie de seguro contra perdas na carteira de ações.

A questão é: o ganho extraordinário das PUTs compensa a desvalorização da carteira de ações? Vale a pena comprar esse tal seguro catástrofe?

Depende!

Vamos ao exemplo com dados reais de hoje (24), seis dias após o histórico 18 de maio.

A ação preferencial da Petrobrás – PETR4 – é negociada a 13,79. A opção de venda deste ativo com vencimento em 19 de junho deste ano e preço de exercício de R$ 12 custa R$ 0,17. 

Essa PUT só tem valor no vencimento quando a ação cai abaixo de R$ 12. Portanto, vamos simular uma queda de 20% no preço de PETR4, ou seja, a ação da Petrobrás valerá R$ 11,03. Nesse caso, a opção de venda terá valor justo de R$ 0,97 no dia 19 de junho, pois a PUT lhe dará direito a vender por R$ 12 um papel que custa R$ 11,03.

Pois bem. Nesse caso, você ganhou R$ 0,97 com a opção e perdeu R$ 2,76 com a desvalorização da ação. Seu ganho não anulou sua perda. 

Para se proteger completamente da queda de 20% da ação, você teria que comprar 2,76 opções de venda com preço de exercício de R$ 12. Mas 2,76 PUTs custariam R$ 0,48!

Ou seja, para se segurar contra uma perda de 20% utilizando as famosas PUTs, o investidor precisa sacrificar 3,5% todo mês, ou quase metade do valor de sua carteira em um ano! É como se você pagasse mais de R$ 20 mil por ano para o seguro do seu automóvel de R$ 50mil!

Esse mesmo exemplo pode ser aplicado para ações que possuem opções de venda negociadas na Bovespa, como Vale do Rio Doce e Itaú Unibanco, com resultados semelhantes.

O seguro catástrofe de fato existe, mas seu preço é alto.  Cabe a cada investidor decidir se deve ou não contratá-lo

O seguro ETF IVVB11

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Em tempo, uma alternativa válida para você se proteger contra perdas na carteira de ações é a ETF IVVB11.

IVVB11 é um fundo de índice, negociado na Bolsa de Valores, que busca retornos de investimentos que correspondam à performance, antes das taxas e despesas, do S&P500 (índice Standard & Poor’s 500).

Na prática, quem compra esta ETF (Exchange Traded Fund) adquire o índice com as 500 principais ações americanas em dólares.

Como mostramos no artigo “Mais retorno e menos risco na carteira: IVVB11”, a correlação entre o IVVB11 e o Ibovespa é negativa. Em geral, quando a bolsa brasileira sobe, o fundo cai e vice-versa. No dia 18 de maio, por sinal, essa regra funcionou perfeitamente: o índice Ibovespa desabou 8,8%, enquanto que a ETF IVVB11 disparou 8,6%.

Substituição na Carteira KB

Terminada a temporada de balanços do primeiro trimestre, faremos uma alteração na Carteira KB: Sai Comgás (CGAS5) e entra Ferbasa (FESA4)

Ferbasa – Receita

A Ferbasa tem atividades nas áreas de mineração, metalurgia e recursos florestais. Os dois principais produtos fabricados pela empresa são o ferrocromo (FeCr) e ferrosilício (FeSi). Não à toa, ela é líder no Brasil na produção desses produtos que, no momento, são negociados a preços em patamares historicamente altos. E, segundo a companhia, com boas perspectivas para o futuro, conforme os gráficos abaixo.

Ferbasa - FeCr

Ferbasa - FeSi

Ferbasa – Custos

Juntamente a esse aspecto, no último ano, a empresa diminuiu seus custos de produção ao substituir parte de biorredutor por coque como insumo para fabricação de Ferrocromo Alto Carbono (FeCrAC) – principal fonte de receita da companhia. Além disso, por ser exportadora, a Ferbasa será beneficiada em caso de alta do dólar.

dolar

Ferbasa – Caixa e Dividendos

Mais um dado a favor da empresa é que ela opera praticamente sem financiamento externo. No primeiro trimestre, o caixa e as aplicações financeiras da companhia somavam poucos mais de R$ 400 milhões, enquanto o valor de mercado da companhia girava em torno de R$ 1 bilhão.

A Ferbasa distribuiu aos detentores de sua ação preferencial R$ 0,85 por papel, o que, ao preço atual, significa dividend yield de pouco mais de 7%.

Dividendos 3

Comgás e a conta corrente regulatória

O lucro líquido da Comgás, por sua vez, caiu pela metade em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A queda é justificada pela devolução da conta corrente regulatória. Conforme explica a própria companhia em seu relatório, “as diferenças entre o custo real incorrido e o custo de gás incluído na tarifa e cobrado dos clientes (conforme estrutura tarifária definida pela ARSESP) são acumuladas na conta corrente regulatória e repassadas/cobradas conforme determinação do Regulador nos reajustes periódicos ou nas revisões tarifárias”. 

Hoje, há um saldo passivo nesta conta de R$ 354,4 milhões a devolver.

Portanto, entendemos que o potencial de valorização da Ferbasa para os próximos trimestres é maior do que a Comgás.

Com isso, essa passa a ser a nova Carteira KB

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A nova composição do Ibovespa

“Alta de bancos impede queda maior do Ibovespa”.

A reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico escancara um fato que perdura: a alta concentração do índice de ações mais famoso do Brasil. O segmento bancário – que tinha uma participação de 28% do índice – passou a ter um peso ainda maior após o rebalanceamento realizado no começo de maio.

Em janeiro, sinalizamos que essa situação faz com que o Ibovespa não represente o desempenho da economia brasileira.  Quadrimestralmente, o índice é revisado. Via de regra, saem as ações com menor Índice de Negociabilidade (IN), calculado segundo critérios de quantidade e volume financeiro dos ativos negociados, e entram aquelas que atingiram um valor mínimo.  

Os detalhes do cálculo adotado pela Bovespa podem ser conferidos aqui.

Além disso, a cada quatro meses mudam os pesos de cada ação no índice, segundo o IN calculado no período anterior. Nesta nova carteira teórica, que passa a valer no quadrimestre que se iniciou em maio, destacamos:

  • Aumento do peso do setor bancário no índice, que atingiu 29,4%
  • Diminuição da participação das duas grandes empresas de commodities da bolsa – Petrobrás e Vale do Rio Doce
  • A Ambev segue crescendo sua influência no Ibovespa e chega a 7,5%
  • Bancos, Petrobrás, Vale e Ambev respondem por 54% do índice

Para construir o gráfico abaixo, a participação das ações preferenciais e ordinárias de cada companhia foi somada. No caso do Itaú Unibanco, adicionamos à ação da própria empresa (ITUB4) a participação no índice de sua holding – a Itaúsa (ITSA4).

Ibovespa Maio

Basta ver o gráfico para concluir que o índice Ibovespa segue altamente concentrado em poucas empresas e setores da economia.