Mudei de ideia! Esse é o lema do Banco Central

Na quarta-feira passada (30/11), quando comunicou a decisão de baixar apenas 0,25% os juros, o Banco Central afirmava:

  • “Essa intensificação do processo de desinflação depende de ambiente externo adequado”.

Ou seja, ele afirmou que a redução da inflação que permitiria quedas maiores da taxa de juros está submetida ao cenário externo. Referindo-se a possibilidade de alta dos juros americanos e o seu impacto sobre o dólar e a inflação brasileira.

Nesta terça-feira (6), o BC traz uma mudança “mínima” na ata:

  • “Não há, portanto, relação direta entre o cenário externo e a condução da política monetária”.

O Banco Central – surpreendentemente – muda o entendimento e passa a afirmar que o cenário externo não impacta a inflação. Ele começa a considerar que o aumento do preço das commodities elevaria a entrada de dólares no Brasil, baixando o preço da moeda norte-americana. Esse efeito compensaria a alta dos juros americanos.

Oh! O que teria ocorrido de tão excepcional nesse período???

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Pressão para tudo quanto é lado…

A expectativa em relação à redução dos juros é nítida em diferentes entrevistas com analistas, acadêmicos e até mesmo na opinião dos jornalistas que cobrem o assunto.

Em reportagem especial do G1, o economista-chefe da Gradual Investimento, André Perfeito, declarou que o principal mecanismo de estímulo para o crescimento deveria ser um corte maior na taxa de juros. “Para a PEC [projeto em tramitação no Congresso que prevê reduzir os gastos públicos] funcionar e ajudar no PIB, só se injetar demanda na economia. Para isso, teria que cortar os juros de forma muito mais efetiva e muito mais forte, o que não estamos vendo o Banco Central querendo fazer”, sinalizou.

A mesma matéria conta com a opinião da pesquisadora do IBRE/FGV Silvia Matos. “[…] Aí os juros podem cair mais, as empresas podem ficar menos endividadas e cria-se uma perspectiva de retomada. Mas isso é um processo demorado, esse é o ponto”, argumentou.

O blog da jornalista Thais Herédia traz um artigo comentando a frustração com a ata divulgada pelo Copom (Comitê de Política Monetária). “A decisão de baixar os juros em 0,25 pontos percentuais, para 13,75%, foi conservadora, pautada pelo receio com os riscos que rebentam diariamente no Brasil. A frustração é perceber a armadilha que pegou o BC e vai nos manter todos amarrados com juros altos por mais tempo”, opinou.

O economista da LCA Consultores Antonio Madeira defendeu em reportagem publicada pelo jornal Extra que a redução de juros deve ser imediata. “Há alto endividamento nas empresas e isso vai atrapalhar na recuperação da economia”, comentou.

Juro real permanece alto

Até mesmo o gestor de fundos Luis Stuhlberger não ameniza a situação que o Banco Central enfrenta. Em reportagem publicada pelo Estadão, ele diz “[…]Mas o Ilan se amarrou numa camisa de força nessa de fazer a convergência da inflação para 4,5% no ano que vem. Na nossa opinião, com todo respeito que a gente tem com ele, isso é um equívoco. Não dá para ter esse juro real de hoje.”

O juro real a que se refere Stuhlberger permanece alto, apesar dos recentes cortes na taxa básica da economia. Se utilizarmos a meta Selic e a expectativa de inflação do mercado, divulgada no relatório Focus, para construir a série de juros reais esperados, vemos que a taxa para o ano de 2017 permanece acima de 8% ao ano desde o mês abril.

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Com famílias e empresas altamente endividadas, fica difícil ver a retomada do aumento do consumo e do investimento quando temos um mercado esperando taxa de juros real tão alta.

Apesar do discurso de independência do Banco Central, na prática, vemos que a instituição mostra sinais claros de que cederá às pressões por cortes maiores na taxa Selic.

As cenas do próximo capítulo serão exibidas dia 11 de janeiro, data da próxima reunião do Copom.

 

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