Cauteloso, Banco Central prefere reduzir juros aos poucos

 Diretores divergiram sobre a decisão de baixar a Selic

Muita calma nessa hora!  É o que sinaliza a ata divulgada nesta terça-feira (6) do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. A decisão de baixar aos poucos a taxa básica da economia – Selic – anunciada no comunicado da semana passada se manteve e a equipe do BC optou por reduzir os juros em 0,25% ao ano.

O anúncio frustrou os analistas do mercado financeiro, que esperavam um corte de 0,50% por conta das previsões nada favoráveis de crescimento da economia brasileira. No entanto, a ata admite voltar a discutir na reunião de janeiro a intensificação do processo de corte da Selic. “Alguns membros do Comitê ponderaram que a evolução favorável da inflação no período recente, os passos positivos no processo de aprovação das primeiras reformas fiscais e a piora nas perspectivas de recuperação da atividade econômica já justificariam uma intensificação do ritmo de flexibilização monetária nessa reunião”,  disse o Banco Central.

Pela primeira vez, o BC mostra claramente que alguns diretores já vêem espaço para quedas maiores de taxa de juros diante do quadro recessivo que atravessa o país. Apesar da discussão, a decisão de corte de apenas 0,25% foi unânime.

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PIB mais fraco e menor inflação projetada ajudam na queda

Segundo o documento, “o risco palpável de que não ocorra uma retomada oportuna da atividade econômica deve permitir intensificação do ritmo de flexibilização monetária”. Neste parágrafo, a instituição sinaliza que as recentes revisões pessimistas para o crescimento esperado do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 devem abrir espaço para cortes maiores na taxa de juros. Com a atividade econômica mais fraca, haverá menos pressão sobre os preços e, consequentemente, a necessidade de manter os juros tão altos diminuirá.

O banco enfatiza que as projeções do mercado para a inflação de 2017 e 2018 encolheram desde a última reunião. De acordo com a ata, “isso sugere que pode haver mais espaço para flexibilização das condições monetárias do que o percebido anteriormente”.Mais uma vez o banco mostra uma alteração do cenário macroeconômico que possibilitaria aumentar o ritmo de queda de juros.

Cenário externo não afeta decisão 

 Ao contrário do comunicado divulgado no dia da decisão – que enfatizou o cenário externo – , esta ata não demonstra preocupação com o que pode ocorrer após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Apesar de reconhecer “elevada probabilidade de retomada do processo de normalização das condições monetárias nos EUA no curto prazo, bem como incertezas quanto ao rumo de sua política econômica”, o Banco Central aponta que a recente elevação dos preços das commodities pode diminuir o efeito no dólar, garantindo que o preço da moeda não suba, e que a possível alta dos juros americanos não tenha impacto no país tropical.

Trocando em miúdos, isso significa que um fator ajudará a equilibrar o outro: preço das commodities crescem = desvalorização do dólar e, consequentemente, a alta dos juros americanos não será suficiente para valorizar a moeda do país norte americano.   

 

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