A semana começou agitada para a Petrorio e seus acionistas. Não à toa!  Alguns fatores foram essenciais para causar toda essa movimentação:

  • Após oito meses, PRIO3 voltou a ultrapassar a marca de três dígitos e fechou negociado a R$ 107.
  • O preço do barril de petróleo atingiu seu maior valor em quase quatro anos e terminou o dia cotado a US$ 81,39.
  • Para a alegria dos investidores, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) publicou a resolução que prevê a redução de royalties sobre a produção incremental de campos maduros.

Diante de tantos fatores, qual deles justificam a recente alta das ações da Petrorio?

Seria a alta do petróleo ou resolução que diminuiu os royalties?

Nenhum nem outro. As notícias são ótimas, é claro. Mas o principal fator para a expectativa de aumento de lucros da companhia é a economia de escala.

O crescimento da produção da Petrorio implica um aumento proporcionalmente menor dos custos – o que significa que o custo médio cai e o lucro sobe mais do que proporcionalmente ao aumento de produção.

Por exemplo, uma empresa tem custos fixos de R$ 10 e variável de R$ 1 por produto produzido. Se fizer 10 unidades, o valor de produção total será de R$ 20, enquanto que, se fabricar 20 unidades, passará para R$ 30. Se cada produto for vendido por R$ 3, a empresa terá R$ 10 de lucro no primeiro caso e R$ 30 no segundo. A produção dobrou, mas o lucro triplicou!

Economia de escala

Vamos trazer esse exemplo para a perfuração dos três novos poços no Campo de Polvo da Petrorio. A extração de petróleo pode até alcançar, até o fim do ano, duas vezes a quantidade do início de 2018.  Até o momento foram perfurados dois poços com sucesso que aumentaram a produção em quase cinco mil barris/dia. No começo de outubro, deve ser divulgado o resultado da última perfuração.

Como o principal componente dos custos da Petrorio é o custo fixo da FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás), é esperado que este aumento da extração de petróleo dilua o custo da companhia e tenha forte impacto sobre seu resultado.

Ao dobrar a produção, os lucros devem crescer ainda mais.

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15 pensamentos

  1. Boa tarde KB. Recentemente tenho visto alguns eventos que prejudicaram os minoritários. Cito a MPLU3 e mais recentemente a QUAL3. São ações do mais alto nível governança da B3 e mesmo assim recebemos uma vassourada daquelas. A meu ver isso prejudica o mercado de ações no Brasil e, de certa forma, esse tipo de acontecimento justifica o número tão baixo de investidores na B3 até porque a CVM me parece que nada faz. Nesse aspecto, gostaria de saber sua opinião em trocar UNIP6 por UNIP3. Gostaria de saber se você ainda acredita na QUAL3 depois do ocorrido. Por fim, gostaria de saber sua opinião sobre HYPE3.
    Obrigado.

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    1. Oi Ivan,

      Parece que o Novo Mercado não tem trazido a segurança aos minoritários que se esperaria dele. É triste ter que constatar isso. Concordo plenamente que a CVM precisa acabar com episódios como esses para fazer o mercado crescer.
      Sobre a troca de UNIP6 por UNIP3, considero extremamente vantajosa: a ordinária paga 10% a menos de dividendos, mas é negociada com mais de 10% de desconto; e possui vantagem em caso de mudança de controle na companhia. Resumindo, você paga menos para ter mais direitos. A liquidez não é um fator relevante para um investidor individual.
      O que aconteceu aconteceu com Qualicorp foi decepcionante, mas prefiro ver que a companhia continua com a mesma expectativa de resultados sendo negociada com quase 30% de desconto comparado a pouco tempo atrás.
      Uma coisa preocupante foi a exposição da dependência da empresa em relação a seu presidente e o receio de uma competição. Quer dizer que a Qualicorp aceita pagar até R$ 150 milhões para evitar a concorrência dele? E se ele precisar se afastar? E o que impede de outra pessoa competente se tornar um grande concorrente?
      Me parece que o potencial de longo prazo da empresa não é tão alto quanto se imaginava. A Qualicorp não tem barreiras fortes à entrada de competidores.
      Quanto à Hypermarcas, não tenho conhecimento suficiente para dar minha opinião a respeito.

      Abraço.

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      1. Obrigado Kb. Triste mesmo. O país perde com isso tudo. A CVM deveria ser mais rígida. Mostrar seriedade. Vou fazer a troca. Estando atento as vezes se consegue até 15% de desconto da UNIP3 em relação a UNIP6. O mínimo para troca que considero é 10% (diferença de dividendos). Ao menos a UNIP3 tem TAG along de 80%.

        Curtido por 1 pessoa

  2. Muito bom Kb. Porém eu optei por fazer lucro em quase 100% na Petrorio e comprei qgep. Ela está com muito dinheiro em caixa, tem um possível farm out que ganhará mais caixa para poder aplicar em dois campo que tem 100% deles. Sem falar com o campo de Atlanta já está incomparável terceira perfuração que aumentará bastant a qtd de extração barril dia.

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  3. Olá KB ! Muito bons os seus posts! Estou sempre acompanhando seu site. Agora minha dúvida: a QGEP3 não seria uma empresa em situação muito melhor no quedisto risco/benefício ?? Explico: a Qgep também terá aumento de produção, também se benefiacará do aumento do preço do barril, é uma empresa mais consolidade, não opera com prejuízo e tem bom caixa no momento.
    A partir disto, qgep3 não seria um investimento muito melhor no momento?? (dentre as empresas de óleo e gás)
    qual seu ponto de vista ??
    abs

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    1. Obrigado Eduardo!

      Pergunta bem pertinente.
      Quanto ao caixa, as duas empresas estão em ótima condição com pequena vantagem para a Petrorio, Enquanto ela tem quase 80% do patrimônio líquido em caixa, a Queiroz tem 55%. Teoricamente, ambas poderiam adquirir novos campos.
      Quanto a ser uma empresa consolidada, tenho mais confiança na Petrorio, pois tem mantido uma eficiência operacional mais alta e com menos interrupções.
      Pelo que eu sei (me corrija se eu estiver errado), a Queiroz pretende perfurar novos poços em Atlanta que podem ou não ser produtivos. Sendo produtivos, a receita e o lucro iria explodir, mas não sei qual é a probabilidade disso ocorrer. Tenho um pouco de receito depois de ter visto OGX e HRT.
      Considero também mais confiável o modelo de negócio da Petrorio, que se baseia em comprar campos maduros produtivos e alongar sua vida útil.
      Quanto a pagamentos de dividendos, é vitória fácil da Queiroz Galvão porque ela já anunciou que pretende vender ativos e tem muito caixa, enquanto que a Petrorio nem pode pagar enquanto não zerar a conta Prejuízos Acumulados do seu balanço.
      As duas são parceiras em Manati – um verdadeiro negócio da China.
      Resumindo, a Petrorio me parece um caso com maior probabilidade de sucesso e a Queiroz Galvão com maior potencial de retorno, caso Atlanta seja um sucesso.

      Abraço.

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    1. Se não conhece a empresa, melhor não falar nada, do que falar asneira.
      Considerando os próximos 4 trimestres, está está negociando a 3x P/L.
      Fora aquisição no radar.
      E 2019 dev ter outra rodada de perfurações, o que pode fazer ela lucrar quase 50% do que custa na bolsa.

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      1. Oi Claudio,

        Acho que a preocupação dele se deve à falta de dividendos, mas entendo que isso não é motivo para descartar a ação.
        Concordo com você que o P/L deve cair muito no ano que vem, mesmo sem contar aquisições e nova rodada no Campo de Polvo.

        Abraço.

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