O KB Investimentos explica como funcionam as duas formas de contabilizar os resultados da Taesa e por que ambas são importantes para os dividendos da companhia

O caixa – Contabilidade regulatória

A receita da Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica) depende da remuneração recebida pela prestação do serviço público de transmissão – chamada de RAP (Receita Anual Permitida). O valor das concessões é divulgado no momento do resultado de cada leilão.

Dada a RAP estabelecida para uma linha de transmissão, a receita não depende do uso dela, mas sim de sua disponibilidade. Desde 2012, a Taesa tem sido bastante estável, entregando uma Taxa de Disponibilidade da Linha superior a 99,9%:

Taesa - Taxa de Disponibilidade da Linha.png

Assim, a receita regulatória é facilmente calculada como o valor da RAP, reajustado pela inflação, e descontado da penalização pela indisponibilidade das linhas – a chamada perda variável (PV). No gráfico abaixo, vemos que esta parcela não ultrapassou 1,5% da RAP desde 2012. 

Taesa - Perda variável PV

A receita regulatória é, portanto, altamente previsível e indica o fluxo de caixa da empresa.

Neste terceiro trimestre, a receita líquida e o EBITDA regulatório caíram 11,5% e 12,7%, respectivamente, em função da queda de 50% da RAP de algumas concessões, conforme previsto nos contratos. Para os próximos trimestres, é esperada essa mesma redução em mais algumas concessões importantes: 

Taesa - concessões que irão vencer.png

A posição de caixa atingiu quase R$ 1,5 bilhão em função de nova emissão de debêntures e da geração de caixa da empresa.

Os dividendos  Contabilidade societária ou IFRS

A Taesa apura também o lucro societário segundo a norma contábil IFRS. Esta metodologia contabiliza o investimento na construção das linhas como um ativo financeiro e o corrige mensalmente pela inflação, calculando o fluxo de caixa futuro trazido a valor presente.

Assim, variações do índice de inflação usados para reajustar os contrato da empresa –IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e IGPM (Índice Geral Preços do Mercado) – tem forte impacto neste resultado da companhia, via conta Receita de Correção Monetária de Ativos Financeiros, como fica evidente no gráfico abaixo:

Taesa - impacto da inflação na receita IFRS

E por que este número importa?

Porque a companhia tem a política de distribuir todo o lucro líquido IFRS após a destinação da reserva legal e reserva de incentivo fiscal. O gráfico abaixo mostra o payout, percentual dos resultados distribuídos sob a forma de proventos, da companhia.

Há doze anos, a companhia mantém esse indicador acima de 85% – um dos maiores do mercado acionário brasileiro.

Taesa - payout.png

A Taesa apresentou lucro líquido de R$ 267,7 milhões no terceiro trimestre e de R$ 744,2 milhões no ano – o dobro do resultado mesmo período de 2017. Com isso, a expectativa é de que os proventos nesse ano se aproximem do recorde da companhia de 2014, quando foram distribuídos R$ 852 milhões – aproximadamente R$ 2,47 por unit TAEE11.

Dividendos em perigo?

Com a queda do fluxo de caixa por causa da redução de 50% da RAP de algumas concessões importantes, poderíamos nos perguntar: a companhia terá recursos para continuar pagando todo o lucro líquido IFRS ao acionista?

Segundo nota técnica publicada ontem pela companhia, sim. Ela terá:

A empresa informa que “a queda da receita regulatória (caixa) nos próximos anos não impactará a distribuição de proventos aos acionistas”. O caixa operacional gerado pela Taesa e suas subsidiárias é suficiente para pagar sua operação, payout máximo de dividendos, juros da dívida e os impostos.

Por falar nisso, a transmissora anunciou que pagará R$ 0,71 por unit de dividendos com base na posição acionária desta sexta-feira (9).  O pagamento será realizado no próximo dia 22. 

Anúncios

7 pensamentos

    1. Oi Gil,

      Eu parei porque algumas pessoas começaram entender a publicação da carteira como recomendação. Como alguns blogs já saíram do ar por ser interpretado pela CVM como recomendação de ações.“O pequeno investidor”, por exemplo, foi suspenso e depois extinto por decisão da CVM em 2015 por causa disso.
      http://www.cvm.gov.br/noticias/arquivos/2015/20151125-2.html
      Não pretendo ter o mesmo destino.

      Minha carteira mudava muito pouco ano passado e continua assim. Adicionei Suzano e Cristal depois de publicar textos sobre elas aqui no site.

      Abraço.

      Curtir

  1. Bom dia KB,

    A Taesa fala que consegue manter assim, mas qual a sua opinião?

    Eu sei que outras linhas de transmissão vão entrar em operação, mas elas vão conseguir suprir as perdas de RAP e manter a empresa crescendo?

    Rafael Braga

    Curtir

    1. Bom dia Rafael,

      A empresa fala em um vale de RAP nos próximos anos.
      A ideia é que enquanto essas novas concessões não entrarem em funcionamento, a RAP total deve cair para depois voltar ao patamar atual.
      Nesse intervalo, a companhia diz que tem caixa suficiente para garantir a política de proventos atual.
      Como os contratos são previsíveis, acredito que a Taesa fez as contas e tem bastante segurança para afirmar que terá capacidade para manter os dividendos.

      Abraço.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s