Carteira KB – Junho de 2017

Ficamos à frente do Ibovespa pelo sexto mês consecutivo e garantimos um rendimento no ano de 38% contra apenas 4,4% do índice

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A Carteira KB superou – durante o primeiro semestre inteiro – o Ibovespa. Em junho, foi por pouco: garantimos uma valorização de 0,4% contra 0,3% do índice. O resultado foi acirrado neste período marcado pelas incertezas sobre a aprovação de medidas importantes, como as reformas trabalhista e previdenciária e a permanência de Michel Temer na presidência.

No entanto, a diferença de resultados entre a Carteira KB e o Ibovespa no acumulado do ano é grande: os nossos ativos somam um ganho de 38% e o índice de apenas 4,4%.

A Grazziotin foi o grande destaque do mês. A empresa do setor de vestuário da região sul do Brasil registrou uma valorização de 10,9%. Logo atrás empatadas, vêm as ações da Unipar Carbocloro e da Qualicorp com 2,4% de rendimento no período.

Os outros ativos da Carteira KB apresentaram pequenas quedas. Lideradas pela Smiles – com  recuo de 4,2% –, as ações da Taesa, Ferbasa e Grendene vieram na sequência, com perda de 2,9%, 2,6% e 2,5%, respectivamente.

A Itaúsa foi a única ação da Carteira KB que continuou sendo negociada ao mesmo preço – R$ 8,63.

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Balanceamento

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Neste segundo trimestre, algumas ações tiveram grande destaque e passaram a ter um peso maior na Carteira KB, como a Unipar Carbocloro e a Qualicorp. O que nos levou a fazer o balanceamento dos ativos para que a Carteira KB não fique dependente do desempenho específico de um determinado papel.

Para diminuir esse impacto, vendemos as ações das companhias com maiores altas e compramos os ativos que menos valorizaram-se. A nossa meta é voltar a situação do início do ano e ter todos os ativos com o mesmo peso na Carteira KB. Sendo assim, começaremos o segundo semestre com R$13.802,26 de cada companhia.

Balanceamento feito, esta é a Carteira KB atualizada:

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Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

 

Por que reinvestir dividendos?

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Previsto na Lei de Sociedade de Ações, toda empresa deve distribuir anualmente no mínimo 25% do lucro líquido ajustado. A exceção fica por conta dos casos em que o estatuto da firma for omisso e a assembleia-geral decidir alterar esse valor.

O lucro líquido ajustado é calculado como o resultado do exercício menos a reserva legal (5% do lucro líquido) menos a quantia destinada para reserva de contingência mais a reversão dessa reserva de exercícios anteriores. Como, na prática, raramente é constituída ou revertida a reserva de contingência, no ano t calculamos:

reinvestindo dividendos - formula 1

A companhia deve destinar anualmente para pagamentos de dividendos ao menos:

reinvestindo dividendos - formula 2

Apesar do mínimo obrigatório, nada impede que empresas optem por distribuição mais robusta dos resultados da companhia. Em geral, companhias com fluxo de caixa mais previsível pagam maiores quantias. A Taesa S. A. – uma das empresas da Carteira KB –, por exemplo, distribuiu nos últimos 11 anos a maioria de seus lucros:

reinvestindo dividendos - taesa.png

A estratégia vencedora

Uma vez recebidos os dividendos, o investidor deve escolher entre reinvestir ou gastar os recursos. Se optar pela primeira opção, deve ainda decidir para onde destinar o dinheiro recebido – se na própria companhia ou em outra opção disponível.

O reinvestimento de dividendos na própria empresa apresenta resultados consistentes no longo prazo. Companhias que tradicionalmente pagam dividendos fornecem recursos a seus acionistas para que estes aumentem o número de ações detidas.

Veja os exemplos de duas firmas pertencentes à Carteira KB:

Itaúsa

reinvestindo dividendos - itaúsa.png

Grendene

reinvestindo dividendos - grendene.png

Como vemos acima, em ambas as companhias os resultados para o investidor aumentaram em mais de 50% quando os dividendos foram reinvestidos na própria empresa.

A Carteira KB adota a estratégia de reinvestimento dos dividendos recebidos na própria empresa.

Carteira KB – Março de 2017

As águas de março fecharam um belo verão para a Carteira KB que rendeu 25,88% no ano contra apenas 7,9% do Ibovespa

carteira kb x ibovespa - março 2017

A Carteira KB terminou o mês de março com leve alta diante do recuo do Ibovespa. Enquanto nossas ações valorizaram-se 3,1%, o índice apresentou queda de 2,5%. Se considerarmos o acumulado do ano, os nossos ativos renderam 25,88% e o Índice Bovespa não conseguiu nem um terço dessa valorização: 7,9%.

Os destaques do mês foram a Grendene – com 13,4% de rendimento – e a Grazziotin – com 10,3%. Na contramão, a Itaúsa perdeu 6,9% de seu valor.

Para os acionistas da Comgás, o motivo de comemoração foi a distribuição de dividendos referentes aos lucros do ano passado de R$3,3829 por ação preferencial – CGAS5.

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Balanceamento

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As empresas da Carteira KB já publicaram os resultados do quarto trimestre de 2016 e nenhuma delas apresentou prejuízo no ano. Apesar da crise econômica, a maioria teve aumento dos lucros líquidos.

As ações da CSU Cardsystem foram o grande destaque nesses primeiros meses por ter dobrado de preço no período. O desempenho – mais do que desejável – trouxe uma situação “desconfortável”: o peso dela na carteira é quase o dobro dos demais ativos.

O tamanho que as ações CSU alcançaram em tão pouco tempo deixou a variação da Carteira KB muito dependente de seu desempenho. No entanto, o objetivo de se ter uma carteira é justamente mitigar o impacto de variações de um papel específico no resultado. 

 E agora?

 Simples!

Para resolver essa situação, vamos fazer um balanceamento da Carteira KB: venderemos as ações das companhias com maiores altas e compraremos os ativos que menos valorizaram-se. Usaremos também os dividendos recebidos da Comgás no mês.

O nosso objetivo é voltar a situação do início do ano e ter todas as ações com o mesmo peso na carteira. Com os ganhos obtidos até aqui, será possível começar o trimestre com R$12.588,20 de cada companhia.

Com o balanceamento, esta é a atual Carteira KB:

carteira kb - março 2017

Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Quer saber como criamos a Carteira KB? Veja aqui como escolhemos as ações.

Carteira de Ações KB

Selecionamos 10 ações e compramos R$10 mil de cada uma delas no dia 29/12/2016, último dia de negociação da Bovespa no ano passado. O nosso objetivo é analisar o desempenho desta carteira ao longo de 2017 e compará-la com a performance do índice Bovespa.

Seleção das ações

Utilizamos critérios fundamentalistas – que estão sendo detalhados na série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista” – como preço/lucro, preço/valor patrimonial, margem líquida, retorno sobre o capital investido e sobre o patrimônio líquido, dívidas líquida e bruta e dividendos/preço para selecionar as ações.

Os dados estão disponíveis no Fundamentus – sistema online de informações financeiras das empresas com ações listadas na Bovespa – e no item “relações com investidores” nos sites das próprias companhias.

Não utilizamos modelos sofisticados para prever fluxo de caixa ou receita das empresas. Não nos adentramos em pequenos detalhes específicos de cada companhia. Não tentaremos acertar o timing da tendência das ações usando análise técnica.

A estratégia aqui foi selecionar de maneira simples as ações que se encaixam nesse perfil, seguindo algumas regras:

  • Apenas uma empresa por setor
  • Altas margens líquidas de lucros, ou seja, alto lucro líquido em relação à receita líquida
  • Boas pagadoras de dividendos
  • Altos lucros líquidos em relação ao seu preço, ou seja, baixa razão preço/lucro
  • Dívida bruta e líquida baixa e controlada
  • Liquidez diária maior do que R$ 50 mil
  • Apenas ações ordinárias, exceto quando estas não tiverem liquidez suficiente

Ações escolhidas

CARD3 – CSU Cardsystem. Firma líder na prestação de serviços de alta tecnologia voltada ao consumo, relacionamento com clientes, processamento e transações eletrônicas.

CGRA4 – Grazziotin. Única ação preferencial escolhida em virtude da baixa liquidez da ação ordinária. Atua majoritariamente no setor de vestuário na região sul do país.

EZTC3 – EZTEC – Empresa integrada que atua no setor de incorporação, venda e construção de imóveis, com foco na região da grande São Paulo.

GRND3 – Grendene. Uma das maiores produtoras de calçados do mundo, dona das marcas Melissa, Rider, Ipanema, entre outras.

ITSA3 – Itaúsa. Holding que controla o Itaú Unibanco Holding S. A., suas controladas – Banco Itaú e Banco Itaú BBA -, no segmento financeiro, Duratex, Itautec e Elekeiroz, líderes de seus respectivos ramos industriais.

SEER3 – Ser Educacional. Organização privada com atuação no setor de ensino superior em São Paulo e nas regiões nordeste e norte do Brasil.

TAEE11 – Taesa. Presente em 16 estados, é responsável por aproximadamente 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica.

PSSA3 – Porto Seguro. Quarta maior companhia seguradora do Brasil e líder nos segmentos de automóvel e residência.

SMLE3 – Smiles. Responsável por administrar programas de fidelidade de uma companhia aérea. 

UNIP6 – Unipar Carbocloro. Empresa do setor químico cuja atividade principal é a atuação no setor de soda, cloro e derivados.

Análise da Carteira KB

Foram utilizados os dados disponíveis referentes aos últimos 12 meses para lucro, receita e margem líquidas e dividendos. Para patrimônio líquido, preço e dívida bruta consideramos os últimos números divulgados por cada empresa.

Para visualizar melhor a comparação que pretendemos fazer, construímos gráficos com a mediana da Carteira KB e da carteira de ações que compõem o índice Ibovespa. Foi escolhida a mediana – uma medida central de tendência – ao invés da média, pois ela sofre menor distorção por conta de observações extremas.

Preço: quanto menor o preço/lucro, maior é o lucro da empresa em relação ao seu valor de mercado. Ações com essa medida mais baixa apresentam maior margem de segurança para o investidor.

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A Carteira KB apresenta preço/lucro pouco acima de 7, enquanto que o Ibovespa é pouco superior a 11.

Lucratividade – margem líquida: uma maior margem líquida indica que a firma lucra mais para cada real em vendas de produtos ou serviços.

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A Carteira KB dá um show! As margens são quatro vezes maiores do que a mediana do Ibovespa.

Lucratividade – ROE (retorno sobre o patrimônio líquido): o ROE (return on equity) indica quanto de lucro em relação ao patrimônio líquido a companhia é capaz de auferir.

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A Carteira KB tem retorno sobre o patrimônio líquido um terço maior do que o Ibovespa.

Dividendos: quanto maior a razão dividendo pago/preço (dividend yield), mais proventos o investidor pode esperar para cada real que detém em ações da empresa.

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A mediana da Carteira KB vence a mediana do índice Ibovespa com facilidade. A KB distribui mais do que o triplo em proventos.

Dívida: a relação dívida bruta/patrimônio líquido índica qual o nível da dívida da firma. Empresas muito endividadas tendem a ter menos espaço para investimentos e sofrem mais em períodos de crise.

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A dívida da Carteira KB é quase oito vezes menor do que a das ações que compõem o índice Ibovespa. Além disso, a dívida líquida de muitas ações da carteira é negativa, ou seja, as disponibilidades da empresa são maiores do que a dívida bruta total.

Montando uma carteira de ações fundamentalista–Parte 1–Dividendos

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Amor pelos dividendos. Essa é a característica que une os dois maiores investidores individuais da Bovespa, Lírio Parisoto e Luiz Carlos Barsi, e que fará parte da nossa estratégia para montar uma carteira de ações de sucesso.

A tática adotada por esses homens tão admirados no mundo dos investimentos nunca foi segredo para ninguém. Barsi sempre foi taxativo ao ser questionado sobre o critério utilizado ao escolher as ações. “Eu dou preferência ao yield (dividendo). Escolho empresas que pagam um bom dividendo”, sinalizou o bilionário, que começou a adquirir ações com o objetivo de ter uma carteira previdenciária lastreada em dividendos e juros sobre o capital próprio.

O mesmo revelou Parisoto em entrevista ao jornal Valor Econômico de 2011. “O segredo do mundo é viver de dividendos, a valorização é só um plus. O importante é investir em empresas que pagam dividendos acima da média. É verdade que, quando a bolsa de valores sobe, esses papéis sobem menos, mas quando ela despenca, eles se depreciam menos”, disse o médico.

Enquanto a distribuição de dividendos é boa para os bilionários brasileiros, ela é abominada pelo investidor mais rico e famoso do mundo, Warren Buffet. Ele é declaradamente contra essa estratégia e se orgulha pelo fato de sua holding de empresas – Berkshire Hathaway – ter pago dividendos pela última vez em 1967.

O economista prefere utilizar os recursos para investir em suas empresas a fim de aumentar a eficiência, expandir mercados e diferenciar seus produtos

Você deve estar se perguntando: como estratégias opostas podem resultar em muitos bilhões?

As diferentes características utilizadas no mercado. Se nos Estados Unidos a tática de Buffet é vantajosa, no Brasil a mesma prática não teria tanto sucesso.

Vamos aos pontos:

  • Não tributação sobre dividendos

Apesar de soar natural para nós, não pagar dividendos sobre os lucros distribuídos pelas empresas trata-se de uma anomalia entre os países mais desenvolvidos. É o que revelou o estudo publicado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo, ligado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.  De acordo com a pesquisa, entre todos os 34 países pertencentes à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apenas a pequena ex-república soviética da Estônia não tributa os dividendos, como no Brasil.

A título de curiosidade, a taxa média cobrada nos EUA é de 28,52%. Nesta tabela da OCDE, é possível consultar a taxação sobre dividendos cobrada nesses países.

  • Altos retornos em renda fixa

Quando recebemos dividendos das empresas, optamos por gastar ou reinvestir os recursos. Diferentemente dos Estados Unidos, aqui podemos aplicá-los a riscos baixíssimos em títulos dos governos a taxa reais superiores à 5% ao ano. Assim, na balança que mede os benefícios e custos de investir ou distribuir dividendos no Brasil pende a última opção.

É preciso que o investimento analisado tenha retorno esperado, considerando o risco e o pagamento de impostos, maior do que as altas de juros reais tupiniquins.

“Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”

Ao auferir o lucro, a empresa basicamente decide entre reinvestir, reter os lucros, usar os recursos para recomprar suas ações ou distribuir aos acionistas.

Como sócio da empresa, cada investidor tem direito a uma parcela dos lucros da companhia, mas cabe à diretoria analisar as opções de investimentos disponíveis e decidir se o retorno do capital investido será maior do que o custo de oportunidade dos recursos.

Quando o retorno esperado dos reinvestimentos não atinge um patamar suficiente para compensar o risco é preferível que a empresa:

  1. retenha os lucros para pagamentos de dívidas futuras ou formação de caixa para reinvestir em outros períodos
  2. recompre suas próprias, caso o preço de mercado esteja excessivamente deprimido
  3. distribua seus lucros aos acionistas sobre a forma de dividendos

No entanto, há evidências de que empresas brasileiras tendem a reinvestir seus lucros além do recomendado, gerando perdas para seus acionistas.

Nesta tese de doutorado defendida na FEA-RP – USP, que analisa o mercado de ações brasileiro, “constatou-se que grande parte das companhias apresentaram elevados níveis de sobreinvestimento no período [analisado], provocado pela retenção do FCLA [Fluxo de Caixa Livre do Acionista], e que este problema pode ter sido a causa de uma Taxa de Retorno da Ação menor em alguns setores”.

Para evitar esse tipo de companhia, devemos procurar por empresas que investem apenas em projetos altamente lucrativos e evitam aventuras pouco promissoras. Assim, em geral, é preferível ser acionista de uma empresa estável e pagadora de dividendos à se tornar sócio de vendedora de sonhos.

Escolha da ação

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A primeira ação escolhida para compor nossa carteira fundamentalista é a TAESA – Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. Trata-se de uma empresa exclusivamente dedicada à construção, operação e manutenção de ativos de transmissão, com aproximadamente 9.803 km de linhas em operação.

A unit – TAEE11 – composta de uma ação ordinária – TAEE3 – e duas ações preferenciais –TAEE4 – possui volume de negócios diários na casa das dezenas de milhões de reais. A empresa apresenta índice preço/lucro abaixo de 8, preço/valor patrimonial abaixo de 2, ROE (retorno sobre patrimônio líquido) maior que 20% e margens líquidas superiores a 50%. Além disso, é notável a tendência de crescimento na receita líquida e lucro líquido nos últimos anos.

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Para selecionar a ação da carteira, excluímos:

  1. Empresas que pagaram dividendo extraordinário no último ano, inflando artificialmente o dividend yield (dividendo pago / lucro líquido) dos últimos 12 meses, como Fibria (papel e celulose) e Comgás (gás).
  2. Ações com volume médio negociado muito baixo, pois qualquer compra ou venda pode afetar substancialmente o preço. Assim, cortamos Afluente (energia elétrica), por exemplo, que negocia, em média, menos de R$ 10 mil diariamente.
  3. Ações altamente endividadas pelo maior risco que representam ao investidor, tais como a Braskem (químicos).

Saiba mais:

Veja aqui o segundo texto da série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista”.