Prazo para se inscrever no leilão da Unipar termina nesta quinta-feira

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Em meio a tentativa de fechar o capital, a Unipar anunciou nesta segunda (24) que pagará dividendos equivalentes a metade de seu valor de mercado. No caso da ação preferencial UNIP6, a distribuição será de R$ 5 por papel, informada quando a ação era negociada a exatos R$ 10. O valor extraordinário que a fabricante de soda, cloro e derivados anunciou fez com que a ação tivesse uma valorização de R$ 20% na Bolsa no dia seguinte.

A justificativa da Unipar para esse valor surpreendente foi devido a reapresentação do balanço e demonstrativo de resultados do quarto trimestre do ano passado em que ela contabiliza os ganhos com a compra a fabricante de PVC Indupa Solvay. Com o novo cálculo, o lucro líquido da Unipar disparou 500%, atingindo R$ 215 milhões.

No mês passado, a Unipar anunciou que pagaria R$ 7,50 por ação (ordinária ou preferencial classe A ou B) para fechar o capital da companhia. Com essa distribuição de resultados, o preço foi revisado para R$ 2,50 no caso de UNIP6 (preferencial classe B).

De acordo com as normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para que o cancelamento do registro para negociação de ações seja aceito é necessário que a OPA (Oferta Pública de Aquisição) seja aceita por ao menos 2/3 (dois terços) dos papéis em circulação. Para fazer esse cálculo, a CVM leva em consideração apenas as ações de titulares que concordarem expressamente com o cancelamento de registro ou se habilitarem para o leilão da OPA.

Sendo assim, você – acionista da empresa – não pode ser omisso. Caso contrário, ficará de fora dessa conta.

Barsi renuncia ao conselho de administração

Luiz Barsi Filho

Dono de pouco mais de 15% das ações da empresa, o megainvestidor Luiz Barsi Filho decidiu renunciar ao cargo do Conselho de Administração da companhia. Com essa medida e a habilitação, seus ativos passam a ser considerados ações em circulação no dia do leilão. Conforme declarações recentes, a intenção dele é barrar a OPA ao preço ofertado.

Em entrevista ao Infomoney, Barsi pediu a reação dos investidores e considerou a OPA uma “ofensa aos acionistas minoritários, uma vez que, sem dúvida alguma, as ações da empresa valem muito além do que esse preço proposto”. “Basta saber que o valor patrimonial de cada ação é superior aos R$ 14,50, isto, sem contar com a expectativa de lucros que devem advir da Solvay Indupa, onde, por declaração do atual controlador, as receitas deverão crescer de forma significativa, ultrapassando os R$ 2,3 bilhões”, disse Barsi.

Você resolveu participar do leilão?

Se você tomou essa decisão, é melhor correr. Os interessados têm até amanhã (27) para realizar seu credenciamento junto à sua corretora.

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Para saber mais detalhes sobre o leilão, veja o artigo: Unipar tenta mais uma vez fechar seu capital”.

O leilão será realizado na sexta-feira (28), às 15h, por meio do Sistema Eletrônico de Negociação da bolsa. O andamento e o resultado do leilão poderão ser acompanhados pelos códigos: UNIP3L, UNIP5L e UNIP6L. Hoje já é possível ver, através do seu Homebroker, algumas ofertas de venda.

O lance do KB Investimentos

A Carteira KB tem ações da Unipar e já nos habilitamos para o leilão. A R$ 25 por UNIP6, aceitamos vender nossas ações. A menos do que isso, continuamos sócios.

 

KB Investimentos entrevista: Ferbasa

Conversamos com exclusividade com o gerente de Relações com Investidores da Ferbasa, Carlos Henrique Temporal, para entender a alta de 536% do lucro líquido da empresa

Os resultados mais recentes da Ferbasa – única produtora de ferrocromo das Américas –  levaram FESA4 a entrar na Carteira KB.  Para se ter uma ideia, o lucro líquido saltou de R$12,6 milhões para R$80,1 milhões neste primeiro trimestre, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Carlos Henrique Temporal F01A valorização do preço do ferrocromo –  matéria-prima para a fabricação de aços inoxidáveis, utilizada pela construção civil e por indústrias de diferentes segmentos, como de bens de consumo –  foi um dos indicadores que contribuíram para essa performance. Nos primeiros três meses de 2016, o produto era vendido a US$c 92/lb.Cr, e neste ano passou para US$c 154/lb.Cr.

Relativamente pouco utilizado no Brasil, os aços inoxidáveis  têm grande potencial de mercado. Basta comparar com os asiáticos. Enquanto o consumo (quilos/per capita por ano) dos brasileiros gira em torno de 2, a dos chineses que vivem na região rural chega a 3, na Europa a 15 e em Cingapura a 25.

Somando-se a essa perspectiva, a Ferbasa investe em ações para aumentar a produtividade, como: troca e aquisição de novos equipamentos, tecnologias e de um parque de geração de energia eólica para que a companhia não fique refém das oscilações do preço da energia elétrica.

A Ferbasa ainda produz ligas de ferrosilício, sendo 85% com padrão standard, que são destinadas ao setor siderúrgico para a fabricação de aço bruto comum e os outros 15% com padrão HP (high purity), que são usados para a produção de aço silicioso. Este tipo mais refinado, por sinal, é utilizado na fabricação do motor do carro híbrido Prius da Toyota.

O planejamento estratégico da Ferbasa foi revisto em dezembro do ano passado. Anteriormente, a meta era ser uma empresa globalmente competitiva em ferroligas. Com a revisão, o objetivo atual é ser uma companhia globalmente competitiva em ferroligas, minério de cromo e energia renovável.

Para entender melhor a atividade e as perspectivas da corporação, o KB Investimentos conversou com exclusividade com o gerente de Relações com Investidores da Ferbasa, Carlos Henrique Temporal. 

Qual é a expectativa para a evolução do consumo de aço inoxidável no Brasil?

É uma indústria com grande potencial. A ABINOX (Associação Brasileira do Aço Inoxidável) fomenta a utilização e aplicação do produto no mercado brasileiro, visando incrementar seu consumo.

O aço inox é um produto extremamente elástico a preço. Por exemplo: se você pretende fazer uma coluna de aço inox, numa recessão, você substitui por aço comum. Com a retomada da economia, a expectativa é de aumento do consumo no Brasil.

Hoje, a Ferbasa está bem posicionada para o crescimento da demanda, pois detém quase a totalidade do mercado de ferrocromo, produto indispensável à produção de inox, no país.

No release, a empresa diz que reduziu seus custos por causa da substituição de biorredutor por coque. O método deve continuar?

A produção de ligas precisa de redutores para agir na oxirredução dentro dos fornos, transformando elementos óxidos em elementos metálicos. O redutor mais utilizado no mundo é o carbono, produzido a partir do coque (carvão mineral) ou do biorredutor (carvão vegetal).

A Ferbasa utiliza o biorredutor na produção de ferrosilício. Na produção de ferrocromo, tradicionalmente, é usado coque, mas é possível utilizar até 20% de biorredutor. Como a Ferbasa dispõe de fazendas de produção do biorredutor e este é um insumo mais barato, a empresa vem promovendo a substituição de forma a reduzir custos.

Quais ações a companhia têm tomado nesse sentido (para reduzir custos de produção)?

Ferbasa - Metalurgia

Utilização de biorredutor também na produção de ferrocromo. Em 2014, iniciou-se a mudança de tecnologia de produção de biorredutor. Ao custo de R$ 66 milhões, substituímos 400 fornos pequenos (20 a 40 metros cúbicos) operados manualmente por 88 fornos grandes mecanizados (400 a 700 metros cúbicos). O octagésimo sexto forno está em produção no momento, e os últimos dois em fase de final da construção. Essa iniciativa diminui drasticamente os custos de produção de biorredutor e, consequentemente, de ferrosilício.

A aquisição de equipamentos de raio-X. O minério de cromo extraído em nossas minas se divide em concentrado – areia de menor valor agregado – e hard lump – uma pedra de poucos centímetros, mais valiosa. O processo de seleção antigamente era manual. A compra de equipamentos de raio X permitiu mecanizar essa seleção, aumentando a eficiência de 75% para mais de 90%. Esse aumento de eficiência permite produzir a mesma quantidade de liga utilizando menos ROM (Run of Mine), preservando assim as reservas da companhia e reduzindo os custos de produção do ferrocromo, já que o minério chega a representar 40% do custo total desta liga. Hoje, temos dois equipamentos de raio X em operação (comprados em 2015 e 2016). Em julho deste ano, mais duas máquinas serão incorporadas aos ativos da companhia.

A participação do item “Demais produtos” na receita da companhia se multiplicou nos últimos anos. Este segmento da companhia apresenta a melhor margem de lucro bruta da empresa. O que explica esse aumento de participação e qual a expectativa para os próximos anos?

Hoje, a empresa está dedicada a fazer exportações regulares de minério de cromo. Em dezembro de 2016 e fevereiro desse ano, a Ferbasa exportou para a China. Essas vendas são computadas no item demais produtos da companhia.

Qual é a estratégia da companhia para a gestão dos custos de energia?

Em 2015, quando da última renovação, o preço da energia subiu fortemente e o contrato com a CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) foi renovado até 2037, sem possibilidade de extensão, com quantidade de energia contratada 30% menor e 22% mais cara.  O contrato atual prevê o fornecimento anual de 150 MWh até 2032 e reduções gradativas de volume até zerar em 2037. Em função disso, a Ferbasa concretizou alguns contratos de energia no mercado livre para complementar a perda.

Em 2016, a companhia tinha contratado 200 MWh. Apenas os 150 MWh com a CHESF foram utilizados na produção e os outros 50 MWh tiveram que ser vendidos no mercado com prejuízo.

Neste ano, a Ferbasa contratou 215 MWh, sendo que utilizará os 150 MWh da CHESF e mais 15 MWh adquiridos de outras geradoras no mercado livre. Os outros 50 MWh serão novamente vendidos no mercado. Mas, dessa vez, acreditamos que com lucro para a empresa.

Para diminuir a exposição da companhia à oferta de energia, decidimos investir na geração de energia. Após estudos de viabilidade técnica e financeira, a opção da Ferbasa foi por dois projetos brownfields, que já estão em operação, de energia eólica. Hoje, esses projetos tem um PPA (purchase power agreement) de 20 anos (iniciados em 2014) para vender a produção para o governo.

Como a necessidade de energia da empresa hoje é satisfeita pela CHESF e outras geradoras, a compra de projeto de geração eólica representa a compra de fluxo de caixa para a companhia. Em 2034, quando termina o contrato de venda de energia eólica para o governo, a Ferbasa optará por vender energia no mercado ou utilizá-la na produção. No ano seguinte, quando termina o contrato com a CHESF, a energia eólica poderá ser usada para suprir a necessidade da companhia.

Este é o primeiro passo, para desenvolver a curva de aprendizado no novo negócio, sendo possível ainda que a Ferbasa compre projetos greenfield no futuro para aumentar a produção de energia.

Qual é a expectativa de payout da companhia para os próximos anos? Há a intenção de promover um novo programa de recompra de ações? Qual é a expectativa de CAPEX da Ferbasa para os próximos anos?

O histórico de CAPEX da companhia é de R$ 100 milhões/ano. Por conta do fim do projeto de mudança de tecnologia de produção de biorredutor, esse número deve ficar abaixo de R$ 90 milhões neste ano. Esses números desconsideram os projetos de energia.

Nós terminamos no ano passado um programa de recompra de ações. Temos em tesouraria, 3,2 milhões de ações, compradas a um preço médio de R$ 8,07. Ainda não há expectativa de venda dessas ações nem de reabertura de um novo programa de recompra.

Por conta das incertezas da energia, a Ferbasa sempre teve uma estrutura de capital muito conservadora. Hoje a companhia detém quase 400 milhões em caixa. A partir de 2015, quando a companhia passou a ter um horizonte mais claro quanto à questão de energia, o payout e dividend yield da companhia aumentou.

Hoje, existe uma proposta da Diretoria de Relações com Investidores sendo avaliada pelo Conselho de Administração para aumentar a frequência de pagamentos de dividendos.  A ideia é que a companhia distribua trimestralmente seus resultados. A expectativa é que a iniciativa seja aprovada, bem aceita pelos acionistas minoritários e gere maior liquidez das ações no mercado.

A companhia tem intenção de aumentar o nível de tag along, migrando para o Nível 2 ou Novo Mercado?

Não. A questão do tag along só é relevante para os acionistas minoritário em caso de mudança de controle acionário, o que não deve ocorrer na companhia. Ou pelo menos, não observamos sinalizações neste sentido. A Ferbasa é um caso único na Bovespa em que uma fundação é sócia majoritária de uma empresa. A Fundação José Carvalho possui sete escolas e um colégio técnico, localizados na Bahia, que atendem gratuitamente 4 mil alunos. Como a fundação depende dos dividendos recebidos para se manter, não há a mínima intenção de perder o controle acionário.

No dia 18 de maio – com a notícia dos áudios da JBS envolvendo o presidente – o dólar disparou, levando a uma alta das ações de setores tipicamente exportadores com receita em dólar, enquanto o resto do mercado despencava. Neste dia, a FESA4 – ação mais negociada da Ferbasa – caiu 4,1%. O que explica esse comportamento atípico, dado que a Ferbasa tem sua receita totalmente atrelada à moeda americana?

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Foi uma leitura equivocada dos fundamentos. Não existe hoje uma leitura correta da empresa pelo mercado. Nós somos uma empresa 100% dolarizada e temos custos em reais. Este é o trabalho de equipe de RI (Relações com Investidores), assim como das casas de análises de ações e corretoras: fazer com que o mercado entenda o case da empresa, seus respectivos fundamentos e drives de mercado.

Dado que o todo o faturamento da Ferbasa depende do dólar, por que a empresa faz hedge apenas de até 30% de suas receitas?

Há uma relação negativa entre preço de commodities e dólar. O aumento da moeda americana tende a ser, em parte, compensado pela queda de preço desses produtos e vice-versa. Como os produtos vendidos pela Ferbasa têm um “comportamento” de commodities, essa relação é valida. A companhia calculou um coeficiente de correlação de aproximadamente  -0,69 entre esses ativos.

Dado que em torno de 70% da variação da receita devido ao dólar tende a ser compensada pela variação dos preços dos produtos vendidos pela Ferbasa, a companhia entendeu que há necessidade de proteger apenas os outros 30% através de hedge. A empresa utiliza NDF (Non Deliverable Forward), ou Contrato a Termo de Moeda sem Entrega Física, para travar o câmbio dos produtos vendidos.

Carteira KB – Maio de 2017

Pelo quinto mês consecutivo, ficamos à frente do Ibovespa e garantimos um rendimento no ano de 37,4% contra apenas 4,1% do índice

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O mês de maio foi de turbulência no cenário político e, consequentemente, na economia. Após as denúncias dos executivos da JBS de que o presidente Michel Temer teria dado aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o valor de diversas ações despencou. Não à toa, o Ibovespa teve um rendimento negativo de 4,12%, enquanto a Carteira KB atingiu uma valorização de 3,81%, considerando dividendos.

A diferença de resultados é ainda maior se considerarmos o acumulado do ano: os nossos ativos somam um ganho de 37,4% – quase dez vezes maior que o Ibovespa.

O grande destaque do mês foi a Unipar Carbocloro – empresa do setor químico – que registrou uma valorização de 30,1%, considerando os dividendos pagos.  Na sequência, as ações que tiveram o maior rendimento foram Qualicorp, Grendene e Grazziotin, com 26,2%, 8,0% e 5,9%, respectivamente.

Alguns ativos tiveram queda por conta do cenário nebuloso. Entre eles, a empresa do setor de incorporação, venda e construção de imóveis, EZTEC, com perda de 12,5% de seu valor, seguida de Smiles – com 8,7% – e CSU – com 6,7%.

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Dividendos

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Os investidores que aguardavam a enxurrada de dividendos prevista para esse mês podem comemorar. As empresas Taesa, Unipar, Qualicorp e CSU pagaram seus acionistas, conforme esperado. Sendo que a Grendene já distribuiu a segunda parcela de seus resultados. Os proventos que recebemos foram aplicados nas próprias companhias.  

Considerando os dividendos reinvestidos, esta é a atual Carteira KB:

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Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Março de 2017

As águas de março fecharam um belo verão para a Carteira KB que rendeu 25,88% no ano contra apenas 7,9% do Ibovespa

carteira kb x ibovespa - março 2017

A Carteira KB terminou o mês de março com leve alta diante do recuo do Ibovespa. Enquanto nossas ações valorizaram-se 3,1%, o índice apresentou queda de 2,5%. Se considerarmos o acumulado do ano, os nossos ativos renderam 25,88% e o Índice Bovespa não conseguiu nem um terço dessa valorização: 7,9%.

Os destaques do mês foram a Grendene – com 13,4% de rendimento – e a Grazziotin – com 10,3%. Na contramão, a Itaúsa perdeu 6,9% de seu valor.

Para os acionistas da Comgás, o motivo de comemoração foi a distribuição de dividendos referentes aos lucros do ano passado de R$3,3829 por ação preferencial – CGAS5.

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Balanceamento

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As empresas da Carteira KB já publicaram os resultados do quarto trimestre de 2016 e nenhuma delas apresentou prejuízo no ano. Apesar da crise econômica, a maioria teve aumento dos lucros líquidos.

As ações da CSU Cardsystem foram o grande destaque nesses primeiros meses por ter dobrado de preço no período. O desempenho – mais do que desejável – trouxe uma situação “desconfortável”: o peso dela na carteira é quase o dobro dos demais ativos.

O tamanho que as ações CSU alcançaram em tão pouco tempo deixou a variação da Carteira KB muito dependente de seu desempenho. No entanto, o objetivo de se ter uma carteira é justamente mitigar o impacto de variações de um papel específico no resultado. 

 E agora?

 Simples!

Para resolver essa situação, vamos fazer um balanceamento da Carteira KB: venderemos as ações das companhias com maiores altas e compraremos os ativos que menos valorizaram-se. Usaremos também os dividendos recebidos da Comgás no mês.

O nosso objetivo é voltar a situação do início do ano e ter todas as ações com o mesmo peso na carteira. Com os ganhos obtidos até aqui, será possível começar o trimestre com R$12.588,20 de cada companhia.

Com o balanceamento, esta é a atual Carteira KB:

carteira kb - março 2017

Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Quer saber como criamos a Carteira KB? Veja aqui como escolhemos as ações.

Carteira de Ações KB

Selecionamos 10 ações e compramos R$10 mil de cada uma delas no dia 29/12/2016, último dia de negociação da Bovespa no ano passado. O nosso objetivo é analisar o desempenho desta carteira ao longo de 2017 e compará-la com a performance do índice Bovespa.

Seleção das ações

Utilizamos critérios fundamentalistas – que estão sendo detalhados na série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista” – como preço/lucro, preço/valor patrimonial, margem líquida, retorno sobre o capital investido e sobre o patrimônio líquido, dívidas líquida e bruta e dividendos/preço para selecionar as ações.

Os dados estão disponíveis no Fundamentus – sistema online de informações financeiras das empresas com ações listadas na Bovespa – e no item “relações com investidores” nos sites das próprias companhias.

Não utilizamos modelos sofisticados para prever fluxo de caixa ou receita das empresas. Não nos adentramos em pequenos detalhes específicos de cada companhia. Não tentaremos acertar o timing da tendência das ações usando análise técnica.

A estratégia aqui foi selecionar de maneira simples as ações que se encaixam nesse perfil, seguindo algumas regras:

  • Apenas uma empresa por setor
  • Altas margens líquidas de lucros, ou seja, alto lucro líquido em relação à receita líquida
  • Boas pagadoras de dividendos
  • Altos lucros líquidos em relação ao seu preço, ou seja, baixa razão preço/lucro
  • Dívida bruta e líquida baixa e controlada
  • Liquidez diária maior do que R$ 50 mil
  • Apenas ações ordinárias, exceto quando estas não tiverem liquidez suficiente

Ações escolhidas

CARD3 – CSU Cardsystem. Firma líder na prestação de serviços de alta tecnologia voltada ao consumo, relacionamento com clientes, processamento e transações eletrônicas.

CGRA4 – Grazziotin. Única ação preferencial escolhida em virtude da baixa liquidez da ação ordinária. Atua majoritariamente no setor de vestuário na região sul do país.

EZTC3 – EZTEC – Empresa integrada que atua no setor de incorporação, venda e construção de imóveis, com foco na região da grande São Paulo.

GRND3 – Grendene. Uma das maiores produtoras de calçados do mundo, dona das marcas Melissa, Rider, Ipanema, entre outras.

ITSA3 – Itaúsa. Holding que controla o Itaú Unibanco Holding S. A., suas controladas – Banco Itaú e Banco Itaú BBA -, no segmento financeiro, Duratex, Itautec e Elekeiroz, líderes de seus respectivos ramos industriais.

SEER3 – Ser Educacional. Organização privada com atuação no setor de ensino superior em São Paulo e nas regiões nordeste e norte do Brasil.

TAEE11 – Taesa. Presente em 16 estados, é responsável por aproximadamente 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica.

PSSA3 – Porto Seguro. Quarta maior companhia seguradora do Brasil e líder nos segmentos de automóvel e residência.

SMLE3 – Smiles. Responsável por administrar programas de fidelidade de uma companhia aérea. 

UNIP6 – Unipar Carbocloro. Empresa do setor químico cuja atividade principal é a atuação no setor de soda, cloro e derivados.

Análise da Carteira KB

Foram utilizados os dados disponíveis referentes aos últimos 12 meses para lucro, receita e margem líquidas e dividendos. Para patrimônio líquido, preço e dívida bruta consideramos os últimos números divulgados por cada empresa.

Para visualizar melhor a comparação que pretendemos fazer, construímos gráficos com a mediana da Carteira KB e da carteira de ações que compõem o índice Ibovespa. Foi escolhida a mediana – uma medida central de tendência – ao invés da média, pois ela sofre menor distorção por conta de observações extremas.

Preço: quanto menor o preço/lucro, maior é o lucro da empresa em relação ao seu valor de mercado. Ações com essa medida mais baixa apresentam maior margem de segurança para o investidor.

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A Carteira KB apresenta preço/lucro pouco acima de 7, enquanto que o Ibovespa é pouco superior a 11.

Lucratividade – margem líquida: uma maior margem líquida indica que a firma lucra mais para cada real em vendas de produtos ou serviços.

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A Carteira KB dá um show! As margens são quatro vezes maiores do que a mediana do Ibovespa.

Lucratividade – ROE (retorno sobre o patrimônio líquido): o ROE (return on equity) indica quanto de lucro em relação ao patrimônio líquido a companhia é capaz de auferir.

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A Carteira KB tem retorno sobre o patrimônio líquido um terço maior do que o Ibovespa.

Dividendos: quanto maior a razão dividendo pago/preço (dividend yield), mais proventos o investidor pode esperar para cada real que detém em ações da empresa.

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A mediana da Carteira KB vence a mediana do índice Ibovespa com facilidade. A KB distribui mais do que o triplo em proventos.

Dívida: a relação dívida bruta/patrimônio líquido índica qual o nível da dívida da firma. Empresas muito endividadas tendem a ter menos espaço para investimentos e sofrem mais em períodos de crise.

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A dívida da Carteira KB é quase oito vezes menor do que a das ações que compõem o índice Ibovespa. Além disso, a dívida líquida de muitas ações da carteira é negativa, ou seja, as disponibilidades da empresa são maiores do que a dívida bruta total.

Mais retorno e menos risco na carteira: IVVB11

 

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ETF IVVB11! Poderia até ser uma senha de banco ou de cofre, mas não é! Pelo contrário, essa sequência de letras e números é uma interessante alternativa de investimento.

Antes de começar, precisamos agradecer ao Frugal Simple! Foi a partir do excelente artigo que ele fez sobre esse assunto que resolvemos estudar mais o tema e perceber as vantagens do IVVB11.

Analisamos dados históricos para mostrar o que um investidor brasileiro pode esperar com esse ativo na carteira. Afinal, dúvidas é o que não faltam:

Será que se eu comprar o IVVB11 o risco da minha carteira vai diminuir?

E os retornos, melhoram?

E por aí vai…

Vamos agora tentar desvendar tudo isso!

O ETF (Exchange Traded Fund) é uma cota de fundo de investimentos negociada na Bolsa de Valores. Sendo assim, é possível comprá-la na Mesa de Operações ou Homebroker – igual quando queremos uma ação, opção ou fundo imobiliário.

O IVVB11 – gerido pela BlackRockInc, maior gestora de fundo mundial, e com taxa de administração de apenas 0,27% ao ano – é um fundo de índice que busca retornos de investimentos que correspondam à performance, antes das taxas e despesas, do S&P500 (índice Standard & Poor’s 500) em reais.

Na prática, quem compra o IVVB11 adquire o índice com as 500 principais ações americanas em dólares. Por exemplo:

  1. Se o índice da Standard & Poor não varia no dia da compra e o dólar sobe 2%, esperamos que o IVVB11 negociado na Bovespa se valorize 2%.
  1. Se o índice da Standard & Poor valoriza 1% e o dólar se mantém inalterado, esperamos que o IVVB11 negociado na Bovespa valorize 1%.

Quanto menor o risco, melhor

Um pressuposto básico e intuitivo no mundo dos investimentos é que quanto maior o retorno e menor o risco, melhor será a carteira do investidor. Para mensurar o risco, usamos o desvio padrão dos retornos, uma medida de variação média.

Todos querem uma carteira que aumente de valor e não sofra tanto em momentos de crise. Para isso, o ideal é ter ativos que se compensem – quando um tem queda, o outro garante a rentabilidade, e vice-versa.

Acontece que – via de regra – as ações brasileiras são sempre positivamente correlacionadas com a Bovespa. Ou seja, em geral, quando o índice da bolsa sobe, as ações acompanham e quando o índice cai, todas caem.

 Qual é a correlação da Bovespa com as variáveis?

O economista Jeremy Siegel, no livro Stocks for the Long Run, diz:

“As long as two assets are not perfectly correlated, i.e., their correlation coeficient is less than 1, then combining these assets will lower the risk of your portfolio for a given return, or, alternatively, raise the return for a given risk.”

Ou seja, qualquer ativo com correlação menor do que 1 diminui o risco da carteira para o mesmo retorno. Além disso, quanto menor a correlação, mais esse risco diminui.

Bovespa x Dólar

Como vemos diariamente, quando a bolsa brasileira sobe, o dólar cai e vice-versa. A variação ocorre da seguinte maneira:

Quando o investidor estrangeiro aumenta a confiança no Brasil, ele vende dólares e compra reais para investir na Bovespa – fazendo com que o preço do dólar caia, enquanto que o índice da bolsa suba. O mesmo mecanismo funciona quando a confiança no país diminui, no entanto, com resultados invertidos – alta do dólar e queda do índice Bovespa.

Fazendo os cálculos a partir de janeiro de 2000 – ano seguinte à forte desvalorização cambial, quando o país passou a ter o câmbio flutuante – vemos que a correlação entre o índice Bovespa e o dólar é de -0,62.

Bovespa x S&P 500

As bolsas brasileira e americana costumam variar na mesma direção. O índice de correlação entre o índice Bovespa e o S&P 500 no período é de 0,65. Portanto, se comprarmos o S&P 500 não diminuiremos o substancialmente o risco da carteira.

Bovespa x IVVB11

Ao comprar a ETF IVVB11 teremos duas variáveis: S&P 500 e dólar, positivamente e outra negativamente correlacionada, respectivamente. O resultado é que esse instrumento apresenta índice de correlação entre Bovespa e IVVB11 ligeiramente negativa (-0,08).

E o melhor: diminuímos substancialmente o risco de uma carteira formada apenas por ações da Bovespa com baixíssimo custo.

Resultados

Como o índice IVVB11 começou a ser negociado no Brasil apenas a partir de março de 2014, construímos uma proxy – série que reproduz a variável de interesse não observada – para o preço do fundo.

Levando em consideração que o fundo muda conforme a variação do dólar e do S&P 500, calculamos:

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No gráfico abaixo, comparamos o valor efetivamente observado e o teórico estimado pela fórmula:

ivvb-teorico-x-observado

Percebemos que a proxy tem sucesso em estimar a variação esperada do IVVB11. A correlação entre as duas variáveis é de 0,99 – elas se movem na mesma direção consistentemente.

Utilizaremos essa proxy – IVVB teórico – para analisar como variou uma carteira formada apenas pelo índice Bovespa, uma carteira apenas com IVVB11 e uma carteira Média que combinou 50% de cada uma, a partir de janeiro de 2000.

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Vemos que a carteira Média – formada pelo mesmo valor de IVVB11 e Ibovespa no começo do ano 2000 – apresentou maior rendimento e menor variação neste período de taxa de câmbio flutuante.

Quem investiu R$ 10 mil em 01/01/2000, teria:

  • R$ 36.132,05, se comprasse apenas Ibovespa
  • R$ 28.233,46, se investisse apenas em IVVB11
  • R$ 39.136,79, se dividisse o valor igualmente entre os dois ativos

Quanto ao risco, os dados indicam que:

  • A carteira Ibovespa – a mais arriscada, segundo nosso critério – teve desvio padrão de 7,55%
  • A carteira IVVB11 teórico – a menos rentável – apresentou desvio padrão de 4,84%
  • A carteira Média mostrou desvio padrão de apenas 4,25%

Em resumo, combinar o índice Bovespa e o fundo ETF IVVB11 aumentou o retorno e diminuiu o risco da carteira no nosso longo período analisado.

Para seus próximos investimentos, considere comprar IVVB11!

Montando uma carteira de ações fundamentalista–Parte 2– Margem Líquida

Você sabe o que é margem líquida?

Vamos pensar em um exemplo para ver o que esse termo significa na prática.

A empresa de Antônio tem R$100 de receita líquida e gasta R$80 com custos de produtos, serviços, impostos, empregados, juros de empréstimos, amortização, depreciação e outros custos. Os R$20 que sobraram representam a margem líquida, que chamaremos de margem de lucro.

formulaO analista financeiro Philip Fisher – um dos mentores de Warren Buffet – conseguiu definir brilhantemente a importância dessa variável:

“Do ponto de vista do investidor, as vendas são somente consideráveis quando produzirem, e se produzirem, lucros elevados”

Ou seja, a margem líquida é uma boa medida da vantagem comparativa da empresa em relação aos seus pares.

Ora, quando um setor da economia passa por um momento de prosperidade, é natural que – quase – todas as empresas apresentem bons lucros líquidos.

No entanto, quando o cenário é inverso os compradores diminuem o valor que estão dispostos a pagar pelos bens e serviços. O que obriga as empresas a diminuírem os preços cobrados aos clientes – reduzindo assim as margens de lucro.

Assim, adquirir ações de companhias com melhores margens é menos arriscado porque diminui o risco de a empresa sofrer com prejuízos em períodos de crise, pois a mesma tem “gordura para queimar” nesses cenários.

Outra consequência de empresas com boas margens de lucro líquido é a sua menor dependência quanto ao capital de terceiros. No Brasil, onde temos a taxa básica da economia – SELIC – em dois dígitos, torna-se uma grande vantagem não depender de empréstimo e financiamentos.

E, mesmo que exista essa necessidade, as empresas com altas margens conseguem obter menores taxas de financiamento para seus projetos, pois o banco atribuirá menor risco, dispondo-se a emprestar a taxas menores.

Escolha da ação

logo-eztec3Ao escolher uma empresa pelo critério de margem líquida, devemos compará-la com seus pares. Entre as 17 ações do setor de construção civil negociadas na Bovespa, oito apresentaram lucros nos últimos 12 meses encerrados em setembro. As margens de lucro líquido variaram entre 2% para a Trisul e 13% para a MRV. A última delas, no entanto, destaca-se ao apresentar margem superior ao triplo da segunda colocada.

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Os dados acima pura e simplesmente não são suficientes. De acordo com Fisher, devemos analisar a margem líquida não apenas do último ano, mas  de todo o histórico da companhia.

No gráfico abaixo temos a margem líquida da EZTEC desde a sua abertura de capital até o momento atual.Percebemos que a companhia apresenta a menor margem (25%) no início da série em 2007. Ainda sim, trata-se de quase o dobro da margem obtida pela segunda melhor empresa da Bovespa no momento atual.

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Como esperado, no momento de expansão da construção civil a margem subiu acompanhando o setor. Entre 2013 e 2015, ela ultrapassa a incrível marca de 50%. Ou seja, para cada real vendido em imóveis, mais de 50 centavos se tornavam lucro líquido!

Recentemente, com o agravamento da crise – crédito mais caro e diminuição da cofiança na economia – a margem líquida vem caindo consistentemente.

Entretanto, enquanto companhias famosas e consolidadas no mercado, como Tecnisa e PDG, viram suas margens definharem até se tornarem prejuízos líquidos, a EZTEC mantém uma margem de lucro líquido em saudáveis 41%. Índice pra lá de expressivo, qualquer que seja o setor analisado.

Por tais motivos, escolhemos a ação ordinária EZTC3 para compor nossa carteira fundamentalista levando em consideração a margem líquida.

Saiba mais:

Veja aqui o primeiro texto da série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista”.