Mais retorno e menos risco na carteira: IVVB11

 

ivvb-11-etf

ETF IVVB11! Poderia até ser uma senha de banco ou de cofre, mas não é! Pelo contrário, essa sequência de letras e números é uma interessante alternativa de investimento.

Antes de começar, precisamos agradecer ao Frugal Simple! Foi a partir do excelente artigo que ele fez sobre esse assunto que resolvemos estudar mais o tema e perceber as vantagens do IVVB11.

Analisamos dados históricos para mostrar o que um investidor brasileiro pode esperar com esse ativo na carteira. Afinal, dúvidas é o que não faltam:

Será que se eu comprar o IVVB11 o risco da minha carteira vai diminuir?

E os retornos, melhoram?

E por aí vai…

Vamos agora tentar desvendar tudo isso!

O ETF (Exchange Traded Fund) é uma cota de fundo de investimentos negociada na Bolsa de Valores. Sendo assim, é possível comprá-la na Mesa de Operações ou Homebroker – igual quando queremos uma ação, opção ou fundo imobiliário.

O IVVB11 – gerido pela BlackRockInc, maior gestora de fundo mundial, e com taxa de administração de apenas 0,27% ao ano – é um fundo de índice que busca retornos de investimentos que correspondam à performance, antes das taxas e despesas, do S&P500 (índice Standard & Poor’s 500) em reais.

Na prática, quem compra o IVVB11 adquire o índice com as 500 principais ações americanas em dólares. Por exemplo:

  1. Se o índice da Standard & Poor não varia no dia da compra e o dólar sobe 2%, esperamos que o IVVB11 negociado na Bovespa se valorize 2%.
  1. Se o índice da Standard & Poor valoriza 1% e o dólar se mantém inalterado, esperamos que o IVVB11 negociado na Bovespa valorize 1%.

Quanto menor o risco, melhor

Um pressuposto básico e intuitivo no mundo dos investimentos é que quanto maior o retorno e menor o risco, melhor será a carteira do investidor. Para mensurar o risco, usamos o desvio padrão dos retornos, uma medida de variação média.

Todos querem uma carteira que aumente de valor e não sofra tanto em momentos de crise. Para isso, o ideal é ter ativos que se compensem – quando um tem queda, o outro garante a rentabilidade, e vice-versa.

Acontece que – via de regra – as ações brasileiras são sempre positivamente correlacionadas com a Bovespa. Ou seja, em geral, quando o índice da bolsa sobe, as ações acompanham e quando o índice cai, todas caem.

 Qual é a correlação da Bovespa com as variáveis?

O economista Jeremy Siegel, no livro Stocks for the Long Run, diz:

“As long as two assets are not perfectly correlated, i.e., their correlation coeficient is less than 1, then combining these assets will lower the risk of your portfolio for a given return, or, alternatively, raise the return for a given risk.”

Ou seja, qualquer ativo com correlação menor do que 1 diminui o risco da carteira para o mesmo retorno. Além disso, quanto menor a correlação, mais esse risco diminui.

Bovespa x Dólar

Como vemos diariamente, quando a bolsa brasileira sobe, o dólar cai e vice-versa. A variação ocorre da seguinte maneira:

Quando o investidor estrangeiro aumenta a confiança no Brasil, ele vende dólares e compra reais para investir na Bovespa – fazendo com que o preço do dólar caia, enquanto que o índice da bolsa suba. O mesmo mecanismo funciona quando a confiança no país diminui, no entanto, com resultados invertidos – alta do dólar e queda do índice Bovespa.

Fazendo os cálculos a partir de janeiro de 2000 – ano seguinte à forte desvalorização cambial, quando o país passou a ter o câmbio flutuante – vemos que a correlação entre o índice Bovespa e o dólar é de -0,62.

Bovespa x S&P 500

As bolsas brasileira e americana costumam variar na mesma direção. O índice de correlação entre o índice Bovespa e o S&P 500 no período é de 0,65. Portanto, se comprarmos o S&P 500 não diminuiremos o substancialmente o risco da carteira.

Bovespa x IVVB11

Ao comprar a ETF IVVB11 teremos duas variáveis: S&P 500 e dólar, positivamente e outra negativamente correlacionada, respectivamente. O resultado é que esse instrumento apresenta índice de correlação entre Bovespa e IVVB11 ligeiramente negativa (-0,08).

E o melhor: diminuímos substancialmente o risco de uma carteira formada apenas por ações da Bovespa com baixíssimo custo.

Resultados

Como o índice IVVB11 começou a ser negociado no Brasil apenas a partir de março de 2014, construímos uma proxy – série que reproduz a variável de interesse não observada – para o preço do fundo.

Levando em consideração que o fundo muda conforme a variação do dólar e do S&P 500, calculamos:

formula-ivvb

No gráfico abaixo, comparamos o valor efetivamente observado e o teórico estimado pela fórmula:

ivvb-teorico-x-observado

Percebemos que a proxy tem sucesso em estimar a variação esperada do IVVB11. A correlação entre as duas variáveis é de 0,99 – elas se movem na mesma direção consistentemente.

Utilizaremos essa proxy – IVVB teórico – para analisar como variou uma carteira formada apenas pelo índice Bovespa, uma carteira apenas com IVVB11 e uma carteira Média que combinou 50% de cada uma, a partir de janeiro de 2000.

carteiras-ibov-ivvb11-e-media

Vemos que a carteira Média – formada pelo mesmo valor de IVVB11 e Ibovespa no começo do ano 2000 – apresentou maior rendimento e menor variação neste período de taxa de câmbio flutuante.

Quem investiu R$ 10 mil em 01/01/2000, teria:

  • R$ 36.132,05, se comprasse apenas Ibovespa
  • R$ 28.233,46, se investisse apenas em IVVB11
  • R$ 39.136,79, se dividisse o valor igualmente entre os dois ativos

Quanto ao risco, os dados indicam que:

  • A carteira Ibovespa – a mais arriscada, segundo nosso critério – teve desvio padrão de 7,55%
  • A carteira IVVB11 teórico – a menos rentável – apresentou desvio padrão de 4,84%
  • A carteira Média mostrou desvio padrão de apenas 4,25%

Em resumo, combinar o índice Bovespa e o fundo ETF IVVB11 aumentou o retorno e diminuiu o risco da carteira no nosso longo período analisado.

Para seus próximos investimentos, considere comprar IVVB11!

19 comentários sobre “Mais retorno e menos risco na carteira: IVVB11

  1. Alysson Xavier 18 de agosto de 2017 / 08:23

    Excelente post!! Me esclareceu bastante a respeito de ETFs, principalmente essas em questão!! Obrigado e parabéns!!

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  2. Charlito 9 de julho de 2017 / 08:47

    Obrigado pelo tempo tomado esclarecendo esse assunto. Vou estudar por mim esse ETF que vc fez aparecer no meu radar.

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  3. dionizio de jesus ramos vieira 11 de junho de 2017 / 23:50

    qual o valor mínimo para aplicar?

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    • KB Investimentos 12 de junho de 2017 / 12:11

      Oi Dionizio,

      O IVVB11 é negociado na Bovespa em lote padrão de 10 unidades.
      Hoje, 12/06/2017, cada cota é negociada por volta de R$ 83,50. Então, você precisaria de R$ 835,00 para comprar um lote padrão.
      Tem também o mercado fracionário. onde é possível comprar uma única cota de cada vez, mas o custo de corretagem e o spread – diferença entre o preço de compra e venda – é muito grande, o que o torna menos vantajoso.

      Abraço.

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  4. CDB 8 de abril de 2017 / 11:25

    Olá, amigo. Tudo bem? Gostaria de parabenizá-lo por esse estudo em cima do IVVB11, pois é um ativo que tenho estudado, e por ser novo não tem um histórico, até que consegui encontrar esse seu estudo simulando o comportamento. Seria possível você fornecer a planilha que montou esse estudo? Você teria disponível ela em excel? Se puder fornecer, ficaria muito grato. Um abraço!

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    • KB Investimentos 12 de abril de 2017 / 02:27

      Oi CDB,

      Obrigado pelo elogio. Sobre a planilha que usei, tenho bastante coisa nela e está confusa para outra pessoa usar, mas minha fonte de dados foi o site:
      https://br.investing.com/
      Nele, você consegue as principais séries financeiras. Basta selecionar dados históricos e escolher período e periodicidade.
      Espero ter ajudado.

      Abraço.

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  5. Ernesto 27 de janeiro de 2017 / 13:29

    Não consigo admitir a possibilidade matemática do que foi coocado. Ou seja, de que alguém que investiu R$ 10 mil em 01/01/2000, poderia ter:

    R$ 36.132,05, se comprasse apenas Ibovespa
    R$ 28.233,46, se investisse apenas em IVVB11
    R$ 39.136,79, se dividisse o valor igualmente entre os dois ativos

    Matematicamente, entendo que aquele que dividiu seus investimentos igualmente entre Ibovespa e IVVB11 deveria ter obtido algum resultado intermediário entre os obtidos pelos que investiram somente num ou noutro ativo, ou seja, forçosamente um resultado intermediário entre R$ 28.233,46 e R$ 36.132, 05. Estarei equivocado?

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    • KB Investimentos 27 de janeiro de 2017 / 16:45

      Oi Ernesto,

      Sua dúvida é bastante pertinente.
      Quando se diversifica uma carteira de ativos com o objetivo de diminuir o risco, pode-se fazer, grosso modo, de duas maneiras:
      1. comprar uma proporção determinada de cada ativo e, ao final de cada período, rebalancear a carteira para manter a proporção inicial deles.
      2. comprar uma determinada proporção de cada ativo no início e esquecer.
      As estratégias de investimento de longo prazo, via de regra, trabalham com o primeiro método. Este artigo foi feito utilizando esta abordagem.
      Relendo o texto, vejo que eu poderia deixar mais claro a utilização desse método. Obrigado por seu comentário.

      Para ilustrar o caso que a carteira Média rende mais do que as outras duas, fiz este exemplo com dois períodos:
      tempo 1: Bovespa sobe 15% e IVVB11 cai 10%
      tempo 2: Bovespa cai 10% e IVVB11 sobe 14%

      Ao final do tempo 2, a carteira Bovespa vale 103,5% do valor investido e a carteira IVVB11 vale 102,6%.

      A carteira Média vale, ao final do primeiro período, 102,5% do valor investido. Considerando que metade desse valor é aplicado em Bovespa e a outra metade em IVVB11, ao final do segundo período a carteira Média vale 104,55%. Portanto, a carteira Média obteve o melhor resultado.

      Abraço.

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      • Samuel Morais 28 de março de 2017 / 12:59

        Fiz algumas simulações com o cenário proposto, supondo que eu tenho R$ 100,00 para investir para efeito didático:
        * OBS: Todos os resultados se referem ao fim do “tempo 2”

        Investindo individualmente:

        IBOV = R$ 103,50
        IVVB11 = R$ 102,60

        Utilizando Carteira Média (IBOV + IVVB11) realocando periodicamente (maneira 1):

        IBOV = R$ 46,12
        IVVB11 = R$ 58,42
        TOTAL = R$ 104,54

        Utilizando Carteira Média (IBOV + IVVB11) sem rebalanceamento periódico (maneira 2):

        IBOV = R$ 51,75
        IVVB11 = R$ 51,30
        TOTAL = R$ 103,05

        Se invertermos o cenário proposto:

        tempo 1: Bovespa cai 15% e IVVB11 sobe 10%
        tempo 2: Bovespa sobe 10% e IVVB11 cai 14%

        Ou seja, onde havia “sobe”, troca por “cai” e vice-versa, tempos:

        Investindo individualmente:

        IBOV = R$ R$ 93,50
        IVVB11 = R$ 94,60

        Utilizando Carteira Média (IBOV + IVVB11) realocando periodicamente (maneira 1):

        IBOV = R$ 53,62
        IVVB11 = R$ 41,92
        TOTAL = R$ 95,54

        Utilizando Carteira Média (IBOV + IVVB11) sem rebalanceamento periódico (maneira 2):

        IBOV = R$ 46,75
        IVVB11 = R$ 47,30
        TOTAL = R$ 94,05

        Em todos os cenários, a carteira média realocada periodicamente, ganha, é isso mesmo?

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        • KB Investimentos 1 de abril de 2017 / 11:55

          Isso mesmo Samuel!
          A estratégia de rebalancear a carteira a cada período rende retornos maiores mesmo no cenário invertido.
          Aliás, bom exemplo esse que você propôs.

          Abraço.

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      • Ernesto 28 de março de 2017 / 14:32

        Ficou bem claro. Obrigado !

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  6. NooB Investidor 9 de janeiro de 2017 / 17:06

    Olá KB!

    Li o livro de alocação de ativos do Henrique Carvalho neste final de ano e na mesma hora pensei na compra deste ETF para compor minha carteira de ativos.

    Este seu ótimo post veio como uma luva para ratificar minha decisão e aporte neste primeiro mês do ano.

    Valeu!

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