KB Investimentos entrevista: CSU

Conversamos com exclusividade com o CFO da empresa, Ricardo Ribeiro Leite, para comentar os resultados da companhia que fizeram a ação CARD3 dobrar de preço em 2017

CSU Ricardo Leite

O boom das ações da CSU – empresa de prestação de serviços de alta tecnologia – chamou a atenção do mercado. Vendida no primeiro dia de janeiro a R$ 4,91, os papéis CARD3 mais do que dobraram de valor em março. Hoje acumulam alta de quase 100% no ano.

As diferentes facetas da CSU foram fundamentais para esse sucesso. Fundada em 1992, a companhia conseguiu se reinventar em momentos delicados. Inclusive quando viu suas ações derreterem no mercado e seu lucro líquido despencar mais de 90%, em 2013, com a saída de um de seus principais clientes, o HSBC.

A queda de resultados levou a CSU a criar novas frentes de negócios – para não depender exclusivamente de um único setor – e a oferecer soluções completas aos seus clientes com os serviços prestados pela CSU CardSystem, CSU Contact, CSU MarketSystem e CSU ITS.

A fórmula deu certo. Com a reestruturação, o lucro da CSU chegou a R$ 34,9 milhões no ano passado. Os bons resultados conquistados começaram a se refletir no mercado de ações e a CARD3 deixou de ser figurante para se tornar protagonista da Bovespa.

Ponto para o KB Investimentos ao selecionar o ativo para compor a Carteira KB. Graças ao bom desempenho da CARD3 e nossas outras ações, tivemos até agora um rendimento de 25,88% no acumulado do ano contra apenas 7,9% do índice Ibovespa.

Para comentar os resultados e saber quais serão os próximos passos da companhia, o KB Investimentos conversou com exclusividade com o CFO (Chief Financial Officer) da CSU, Ricardo Ribeiro Leite. 

As ações da CSU mais do que dobraram de preço neste ano. Vocês ficaram surpresos com o resultado? A reestruturação e o aumento do lucro da empresa trouxeram mais segurança para os investidores?

Foi uma satisfação, mas não uma surpresa. A gente vem apresentando, por oito ou nove trimestres consecutivos, resultados bastante favoráveis. Os múltiplos em termos de preço no mercado versus os resultados da companhia estavam se distanciando mais e mais. Foi uma reação tardia e entendemos que não se esgota por aqui, ou seja, os múltiplos da companhia ainda não estão alinhados com os peers dos mercados nacional e internacional nos setores em que a CSU opera.

Além disso, percebemos um momento desfavorável a investidores estrangeiros e institucionais locais e decidimos dar atenção a outros segmentos do mercado – pessoas físicas e clubes de investimentos – com apresentações setoriais e regionais. Vimos que o crescimento recente dos preços das ações e do volume negociado está ligado a estes segmentos. Correlacionado a isso, a Sul América diminuiu a participação na companhia, o que possibilitou um aumento da liquidez das ações e a entrada de novos investidores.

No release do último trimestre de 2016, é destacado que o uso da OPTe+, como plataforma de resgate, mais do que dobrou em dois anos.  Qual o impacto da OPTe+ na melhora dos resultados da companhia?

Os setores que nós não apresentamos informações com maiores detalhes ainda não atingiram relevância dentro da companhia. No caso da Marketsystem, passamos algumas informações para verificar a tendência, mostrar a evolução da Opte+ e outras alternativas de resgates. O mesmo vale para a unidade CSU ITS.

O lucro bruto da empresa cresceu R$ 18 milhões de 2015 para 2016. Nesse mesmo período, a conta “Custos dos Prêmios Entregues” caiu de R$ 41,8 milhões para R$ 21,1 milhões, variação maior até que o aumento do lucro. Qual o motivo dessa redução pela metade desse custo? E qual é a expectativa para esse item nos próximos anos?

Essa é uma questão de modelagem de negócios com os clientes de uma maneira diferente. Por exemplo, um contrato com um cliente que antes tratávamos como receitas e custos de serviços, por causa de uma alteração na contratação, deixamos de faturar como prestação de serviço. O valor deixa de ser receita e deixa de ser custo e transita no balanço da companhia apenas como nota de débito. É uma questão de alteração no registro contábil. Essa redução de custos dos prêmios entregues teve um impacto em termos de lucro absolutamente zero.

A CSU Contact e a CSU CardSystem têm receitas em níveis semelhantes e lucros muito diferentes. A margem EBITDA da Contact em 2016 foi doze vezes menor que a da CardSystem. Até que ponto a Contact é importante para oferecer uma solução completa e integrada aos seus clientes?

O mercado de contact center é muito concorrido, o que torna mais difícil conseguir uma diferenciação que permita maiores margens.  A CSU Contact apresenta pontos positivos ao possibilitar a diluição de custos operacionais e complementar as atividades da Marketsystem, Cardsystem e ITS, que têm necessidade de atendimento ao cliente. Ao trazer clientes novos para a empresa, cria-se um potencial para que estes se tornem usuários dos outros serviços da CSU. Portanto, independentemente do patamar bem abaixo de rentabilidade, a CSU Contact deve permanecer como um core business da empresa.

A CSU prevê investimentos da ordem de R$ 45 milhões para 2017. A necessidade de investimento para os próximos anos tende a se manter nesse nível?

O nível de investimento da companhia está muito atrelado às novas contratações comerciais. Cada contrato adicional implica investimento inicial. Um bom plano comercial no ano significa capex mais acentuado. Como em 2014 e 2015 não houve crescimento forte, os orçamentos de capital aprovados não foram executados. Em 2017, nosso desejo é que esse orçamento se torne realidade, mas vai depender do sucesso comercial da CSU.

Qual a expectativa de distribuição de resultados para os próximos anos?

Quanto aos dividendos, buscaremos uma política agressiva girando em torno do percentual de 35% a 40% do resultado líquido anual.

Neste ano a CSU anunciou que fechou uma parceria com um novo cliente na área de processamento de cartões. Já é possível divulgar o nome, o setor ou o número de cartões desse novo cliente?

É uma instituição financeira de médio porte com foco regional. O acordo significa o lançamento do projeto. Não tem um portfólio já existente, como o Banco Mercantil do Brasil, que veio com seus 900 mil cartões. Nós teremos a satisfação de emitir o primeiro cartão desse novo cliente. Há potencial para várias centenas de milhares de cartões.

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