Carteira KB – Setembro de 2017

Pelo nono mês seguido, a Carteira KB venceu o Ibovespa e alcançou um rendimento de 75,3% no ano contra apenas 23,4% do índice

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Nove meses de Carteira KB e nove meses consecutivos batendo o Ibovespa. Em setembro, as nossas ações tiveram uma valorização de 7,6% e o índice apenas de 4,9%. No acumulado do ano, conquistamos 75,3% de rendimento – mais que o triplo que o Ibovespa –, considerando o reinvestimento dos dividendos recebidos.

As ações da Smiles puxaram essa alta com 15,8% de crescimento. Se você é acionista da empresa, ainda tem mais motivos para comemorar. A companhia anunciou que distribuirá o valor bruto de R$ 0,074 por ação a título de Juros sobre Capital Próprio no próximo mês.

Os ativos da Unipar, CSU Cardsytem, Qualicorp e Grazziotin não ficaram atrás e nos garantiram bons rendimentos com 15,4%, 11,5%, 9,8% e 8%, respectivamente. A Qualicorp ainda pagou dividendos de R$ 0,35 por ação, impulsionando os nossos resultados.

Até o dia 9, a Taesa registrou alta de 2,2%. Neste dia, a trocamos pela PetroRio, que teve um pequena queda de 0,8% até o fim do mês. Somando-se os resultados das duas empresas chegamos aos 1,4% mostrados no gráfico.

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A Melhor Carteira de Ações do Brasil

Na semana passada, muito se comentou sobre a carteira mais lucrativa do Brasil. De acordo com um levantamento feito pela revista Exame, as ações indicadas pela corretora Rico teriam os melhores resultados até agosto, com 42%.

A Empiricus, no entanto, contestou. O portfólio deles gerou um retorno 11 pontos percentuais superior ao da Rico.

Nem um e nem outro. A primeira colocada até agosto foi a Carteira KB, que atingiu 62,9% de valorização.

Acontece na Carteira KB

A CSU Cardsystem anunciou a entrada da ação nos índices SMLL – índice de ações de empresas de menor valor de mercado – e IDIV – índice de ações de empresas que mais distribuem resultados. Segundo a companhia, “a presença em índices, como o SMLL e o IDIV, potencializa a visibilidade da CSU no mercado de capitais brasileiro, possibilitando, inclusive, a entrada de um maior número de fundos de investimento, viabilizando também a geração de negócios indiretos via ETFs (Exchange Traded Funds) para a ação”.

A EZTEC comunicou a venda da Torre B do empreendimento EZ Towers, o maior já construído pela companhia, pelo preço de R$ 650 milhões. Além disso, a companhia pagou R$ 1,09 por ação a título de dividendos, conforme anunciado em abril.

A Ferbasa pagou Juros sobre Capital Próprio de R$ 0,235 para cada ação preferencial. A companhia anunciou ainda que foi definido o preço do FeCrAC (Ferro Cromo Alto Carbono) – principal produto vendido pela empresa. O valor de US$ 139/lb.Cr significa um aumento de 26% em relação ao terceiro trimestre de 2017.

A Itaúsa comunicou a conclusão da compra de 27,1% do capital da Alpargatas, assumindo assim seu controle acionário. Por causa disso, a holding deverá realizar oferta pública para aquisição das ações ordinárias dos demais acionistas da Alpargatas, assegurando o pagamento de 80% do valor ofertado para os vendedores do controle.

Veja como está a atual Carteira KB:

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Você quer saber como foram os desempenhos nos meses anteriores?

Acesse os balanços abaixo:

 Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

Carteira KB – Junho de 2017

Carteira KB – Julho de 2017

Carteira KB – Agosto de 2017

Carteira KB – Agosto de 2017

Pela oitava vez seguida, a Carteira KB rendeu mais que o Ibovespa; no ano, nossas ações lucraram 62,9% – entre valorização e dividendos –, enquanto o índice apenas 17,6% 

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Os resultados da Carteira KB estão cada vez melhores. Neste mês, a valorização foi de 12% contra apenas 7,5% do Ibovespa. Os R$ 100 mil investidos no primeiro dia do ano na Carteira KB valem hoje R$ 162.861,70. Nesse período, quem tivesse aplicado o mesmo valor no Ibovespa teria  R$ 117.613,36. São lucros de encher os olhos, ou melhor, o bolso.

Boa parte dessa valorização no mês se deve aos excelentes dividendos pagos pela Unipar, que, somando proventos e valorização da ação, nos rendeu 50,4% no período. A divulgação de um balanço favorável do segundo trimestre de 2017 e o fim da novela da OPA (Oferta Pública de Ação), com a rejeição da proposta de R$ 2,50 por ação UNIP6 oferecida pelo controlador, tornou possível a nova onda de valorização do papel.

Os resultados da Carteira KB ainda contaram com o bom desempenho da Ferbasa. A única produtora de ferrocromo das Américas teve uma valorização de 23%. O alto preço das ligas no mercado internacional e o aumento da produção das montadoras, que indica a recuperação do setor, são motivos potenciais para novas valorizações das ações da companhia.

A EZTec, Itaúsa e CSU Cardsystem vêm na sequência, com crescimento de 13,8%, 10,9% e 9,6%, respectivamente. 

A única ação que teve um resultado negativo foi a Taesa, com 2,4%.  A empresa responsável por 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica viu seu lucro do segundo trimestre despencar devido ao menor IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), se comparado ao mesmo período do ano passado. Por causa disso, a conta “Correção Monetária do Ativo Financeiro de Concessão”, que ficou em R$ 84 milhões positivos entre abril e junho de 2016, terminou com valor negativo de R$ 87 milhões no mesmo período desse ano.

Carteira detalhada - ago-17

Dividendos

Quatros ações pagaram dividendos neste mês: Taesa, Itaúsa, Grendene e Unipar. As três primeiras distribuíram proventos trimestrais equivalentes a pouco mais de 0,5% do valor das ações.

A Unipar, por sua vez, quitou a primeira parcela dos dividendos extraordinários anunciados em julho. Cada ação UNIP6 recebeu R$ 3,355 em 8 de agosto. A segunda parcela, de R$ 1,1727, deverá ser paga em 20 de dezembro desse ano. Além disso, a empresa distribuiu dividendos complementares de R$ 0,0345 por ação.

Conforme temos feito mensalmente, todos os dividendos recebidos foram utilizados para comprar ações das mesmas empresas.

 Veja como está a atual Carteira KB:

Carteira KB - ago-17.png

Você quer saber como foram os desempenhos nos meses anteriores?

Acesse os balanços abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

Carteira KB – Junho de 2017

Carteira KB – Julho de 2017

Para este mês, planejamos fazer algumas alterações na Carteira KB.

Carteira KB – Junho de 2017

Ficamos à frente do Ibovespa pelo sexto mês consecutivo e garantimos um rendimento no ano de 38% contra apenas 4,4% do índice

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A Carteira KB superou – durante o primeiro semestre inteiro – o Ibovespa. Em junho, foi por pouco: garantimos uma valorização de 0,4% contra 0,3% do índice. O resultado foi acirrado neste período marcado pelas incertezas sobre a aprovação de medidas importantes, como as reformas trabalhista e previdenciária e a permanência de Michel Temer na presidência.

No entanto, a diferença de resultados entre a Carteira KB e o Ibovespa no acumulado do ano é grande: os nossos ativos somam um ganho de 38% e o índice de apenas 4,4%.

A Grazziotin foi o grande destaque do mês. A empresa do setor de vestuário da região sul do Brasil registrou uma valorização de 10,9%. Logo atrás empatadas, vêm as ações da Unipar Carbocloro e da Qualicorp com 2,4% de rendimento no período.

Os outros ativos da Carteira KB apresentaram pequenas quedas. Lideradas pela Smiles – com  recuo de 4,2% –, as ações da Taesa, Ferbasa e Grendene vieram na sequência, com perda de 2,9%, 2,6% e 2,5%, respectivamente.

A Itaúsa foi a única ação da Carteira KB que continuou sendo negociada ao mesmo preço – R$ 8,63.

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Balanceamento

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Neste segundo trimestre, algumas ações tiveram grande destaque e passaram a ter um peso maior na Carteira KB, como a Unipar Carbocloro e a Qualicorp. O que nos levou a fazer o balanceamento dos ativos para que a Carteira KB não fique dependente do desempenho específico de um determinado papel.

Para diminuir esse impacto, vendemos as ações das companhias com maiores altas e compramos os ativos que menos valorizaram-se. A nossa meta é voltar a situação do início do ano e ter todos os ativos com o mesmo peso na Carteira KB. Sendo assim, começaremos o segundo semestre com R$13.802,26 de cada companhia.

Balanceamento feito, esta é a Carteira KB atualizada:

Carteira KB - jun-17.png

Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

 

Carteira KB – Março de 2017

As águas de março fecharam um belo verão para a Carteira KB que rendeu 25,88% no ano contra apenas 7,9% do Ibovespa

carteira kb x ibovespa - março 2017

A Carteira KB terminou o mês de março com leve alta diante do recuo do Ibovespa. Enquanto nossas ações valorizaram-se 3,1%, o índice apresentou queda de 2,5%. Se considerarmos o acumulado do ano, os nossos ativos renderam 25,88% e o Índice Bovespa não conseguiu nem um terço dessa valorização: 7,9%.

Os destaques do mês foram a Grendene – com 13,4% de rendimento – e a Grazziotin – com 10,3%. Na contramão, a Itaúsa perdeu 6,9% de seu valor.

Para os acionistas da Comgás, o motivo de comemoração foi a distribuição de dividendos referentes aos lucros do ano passado de R$3,3829 por ação preferencial – CGAS5.

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Balanceamento

balanceamento

As empresas da Carteira KB já publicaram os resultados do quarto trimestre de 2016 e nenhuma delas apresentou prejuízo no ano. Apesar da crise econômica, a maioria teve aumento dos lucros líquidos.

As ações da CSU Cardsystem foram o grande destaque nesses primeiros meses por ter dobrado de preço no período. O desempenho – mais do que desejável – trouxe uma situação “desconfortável”: o peso dela na carteira é quase o dobro dos demais ativos.

O tamanho que as ações CSU alcançaram em tão pouco tempo deixou a variação da Carteira KB muito dependente de seu desempenho. No entanto, o objetivo de se ter uma carteira é justamente mitigar o impacto de variações de um papel específico no resultado. 

 E agora?

 Simples!

Para resolver essa situação, vamos fazer um balanceamento da Carteira KB: venderemos as ações das companhias com maiores altas e compraremos os ativos que menos valorizaram-se. Usaremos também os dividendos recebidos da Comgás no mês.

O nosso objetivo é voltar a situação do início do ano e ter todas as ações com o mesmo peso na carteira. Com os ganhos obtidos até aqui, será possível começar o trimestre com R$12.588,20 de cada companhia.

Com o balanceamento, esta é a atual Carteira KB:

carteira kb - março 2017

Você pode conferir os fechamentos mensais anteriores abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Quer saber como criamos a Carteira KB? Veja aqui como escolhemos as ações.

Carteira de Ações KB

Selecionamos 10 ações e compramos R$10 mil de cada uma delas no dia 29/12/2016, último dia de negociação da Bovespa no ano passado. O nosso objetivo é analisar o desempenho desta carteira ao longo de 2017 e compará-la com a performance do índice Bovespa.

Seleção das ações

Utilizamos critérios fundamentalistas – que estão sendo detalhados na série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista” – como preço/lucro, preço/valor patrimonial, margem líquida, retorno sobre o capital investido e sobre o patrimônio líquido, dívidas líquida e bruta e dividendos/preço para selecionar as ações.

Os dados estão disponíveis no Fundamentus – sistema online de informações financeiras das empresas com ações listadas na Bovespa – e no item “relações com investidores” nos sites das próprias companhias.

Não utilizamos modelos sofisticados para prever fluxo de caixa ou receita das empresas. Não nos adentramos em pequenos detalhes específicos de cada companhia. Não tentaremos acertar o timing da tendência das ações usando análise técnica.

A estratégia aqui foi selecionar de maneira simples as ações que se encaixam nesse perfil, seguindo algumas regras:

  • Apenas uma empresa por setor
  • Altas margens líquidas de lucros, ou seja, alto lucro líquido em relação à receita líquida
  • Boas pagadoras de dividendos
  • Altos lucros líquidos em relação ao seu preço, ou seja, baixa razão preço/lucro
  • Dívida bruta e líquida baixa e controlada
  • Liquidez diária maior do que R$ 50 mil
  • Apenas ações ordinárias, exceto quando estas não tiverem liquidez suficiente

Ações escolhidas

CARD3 – CSU Cardsystem. Firma líder na prestação de serviços de alta tecnologia voltada ao consumo, relacionamento com clientes, processamento e transações eletrônicas.

CGRA4 – Grazziotin. Única ação preferencial escolhida em virtude da baixa liquidez da ação ordinária. Atua majoritariamente no setor de vestuário na região sul do país.

EZTC3 – EZTEC – Empresa integrada que atua no setor de incorporação, venda e construção de imóveis, com foco na região da grande São Paulo.

GRND3 – Grendene. Uma das maiores produtoras de calçados do mundo, dona das marcas Melissa, Rider, Ipanema, entre outras.

ITSA3 – Itaúsa. Holding que controla o Itaú Unibanco Holding S. A., suas controladas – Banco Itaú e Banco Itaú BBA -, no segmento financeiro, Duratex, Itautec e Elekeiroz, líderes de seus respectivos ramos industriais.

SEER3 – Ser Educacional. Organização privada com atuação no setor de ensino superior em São Paulo e nas regiões nordeste e norte do Brasil.

TAEE11 – Taesa. Presente em 16 estados, é responsável por aproximadamente 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica.

PSSA3 – Porto Seguro. Quarta maior companhia seguradora do Brasil e líder nos segmentos de automóvel e residência.

SMLE3 – Smiles. Responsável por administrar programas de fidelidade de uma companhia aérea. 

UNIP6 – Unipar Carbocloro. Empresa do setor químico cuja atividade principal é a atuação no setor de soda, cloro e derivados.

Análise da Carteira KB

Foram utilizados os dados disponíveis referentes aos últimos 12 meses para lucro, receita e margem líquidas e dividendos. Para patrimônio líquido, preço e dívida bruta consideramos os últimos números divulgados por cada empresa.

Para visualizar melhor a comparação que pretendemos fazer, construímos gráficos com a mediana da Carteira KB e da carteira de ações que compõem o índice Ibovespa. Foi escolhida a mediana – uma medida central de tendência – ao invés da média, pois ela sofre menor distorção por conta de observações extremas.

Preço: quanto menor o preço/lucro, maior é o lucro da empresa em relação ao seu valor de mercado. Ações com essa medida mais baixa apresentam maior margem de segurança para o investidor.

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A Carteira KB apresenta preço/lucro pouco acima de 7, enquanto que o Ibovespa é pouco superior a 11.

Lucratividade – margem líquida: uma maior margem líquida indica que a firma lucra mais para cada real em vendas de produtos ou serviços.

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A Carteira KB dá um show! As margens são quatro vezes maiores do que a mediana do Ibovespa.

Lucratividade – ROE (retorno sobre o patrimônio líquido): o ROE (return on equity) indica quanto de lucro em relação ao patrimônio líquido a companhia é capaz de auferir.

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A Carteira KB tem retorno sobre o patrimônio líquido um terço maior do que o Ibovespa.

Dividendos: quanto maior a razão dividendo pago/preço (dividend yield), mais proventos o investidor pode esperar para cada real que detém em ações da empresa.

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A mediana da Carteira KB vence a mediana do índice Ibovespa com facilidade. A KB distribui mais do que o triplo em proventos.

Dívida: a relação dívida bruta/patrimônio líquido índica qual o nível da dívida da firma. Empresas muito endividadas tendem a ter menos espaço para investimentos e sofrem mais em períodos de crise.

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A dívida da Carteira KB é quase oito vezes menor do que a das ações que compõem o índice Ibovespa. Além disso, a dívida líquida de muitas ações da carteira é negativa, ou seja, as disponibilidades da empresa são maiores do que a dívida bruta total.

Montando uma carteira de ações fundamentalista–Parte 2– Margem Líquida

Você sabe o que é margem líquida?

Vamos pensar em um exemplo para ver o que esse termo significa na prática.

A empresa de Antônio tem R$100 de receita líquida e gasta R$80 com custos de produtos, serviços, impostos, empregados, juros de empréstimos, amortização, depreciação e outros custos. Os R$20 que sobraram representam a margem líquida, que chamaremos de margem de lucro.

formulaO analista financeiro Philip Fisher – um dos mentores de Warren Buffet – conseguiu definir brilhantemente a importância dessa variável:

“Do ponto de vista do investidor, as vendas são somente consideráveis quando produzirem, e se produzirem, lucros elevados”

Ou seja, a margem líquida é uma boa medida da vantagem comparativa da empresa em relação aos seus pares.

Ora, quando um setor da economia passa por um momento de prosperidade, é natural que – quase – todas as empresas apresentem bons lucros líquidos.

No entanto, quando o cenário é inverso os compradores diminuem o valor que estão dispostos a pagar pelos bens e serviços. O que obriga as empresas a diminuírem os preços cobrados aos clientes – reduzindo assim as margens de lucro.

Assim, adquirir ações de companhias com melhores margens é menos arriscado porque diminui o risco de a empresa sofrer com prejuízos em períodos de crise, pois a mesma tem “gordura para queimar” nesses cenários.

Outra consequência de empresas com boas margens de lucro líquido é a sua menor dependência quanto ao capital de terceiros. No Brasil, onde temos a taxa básica da economia – SELIC – em dois dígitos, torna-se uma grande vantagem não depender de empréstimo e financiamentos.

E, mesmo que exista essa necessidade, as empresas com altas margens conseguem obter menores taxas de financiamento para seus projetos, pois o banco atribuirá menor risco, dispondo-se a emprestar a taxas menores.

Escolha da ação

logo-eztec3Ao escolher uma empresa pelo critério de margem líquida, devemos compará-la com seus pares. Entre as 17 ações do setor de construção civil negociadas na Bovespa, oito apresentaram lucros nos últimos 12 meses encerrados em setembro. As margens de lucro líquido variaram entre 2% para a Trisul e 13% para a MRV. A última delas, no entanto, destaca-se ao apresentar margem superior ao triplo da segunda colocada.

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Os dados acima pura e simplesmente não são suficientes. De acordo com Fisher, devemos analisar a margem líquida não apenas do último ano, mas  de todo o histórico da companhia.

No gráfico abaixo temos a margem líquida da EZTEC desde a sua abertura de capital até o momento atual.Percebemos que a companhia apresenta a menor margem (25%) no início da série em 2007. Ainda sim, trata-se de quase o dobro da margem obtida pela segunda melhor empresa da Bovespa no momento atual.

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Como esperado, no momento de expansão da construção civil a margem subiu acompanhando o setor. Entre 2013 e 2015, ela ultrapassa a incrível marca de 50%. Ou seja, para cada real vendido em imóveis, mais de 50 centavos se tornavam lucro líquido!

Recentemente, com o agravamento da crise – crédito mais caro e diminuição da cofiança na economia – a margem líquida vem caindo consistentemente.

Entretanto, enquanto companhias famosas e consolidadas no mercado, como Tecnisa e PDG, viram suas margens definharem até se tornarem prejuízos líquidos, a EZTEC mantém uma margem de lucro líquido em saudáveis 41%. Índice pra lá de expressivo, qualquer que seja o setor analisado.

Por tais motivos, escolhemos a ação ordinária EZTC3 para compor nossa carteira fundamentalista levando em consideração a margem líquida.

Saiba mais:

Veja aqui o primeiro texto da série “Montando uma Carteira de Ações Fundamentalista”.