Carteira KB – Agosto de 2017

Pela oitava vez seguida, a Carteira KB rendeu mais que o Ibovespa; no ano, nossas ações lucraram 62,9% – entre valorização e dividendos –, enquanto o índice apenas 17,6% 

Carteira KB x Ibov - ago-17.png

Os resultados da Carteira KB estão cada vez melhores. Neste mês, a valorização foi de 12% contra apenas 7,5% do Ibovespa. Os R$ 100 mil investidos no primeiro dia do ano na Carteira KB valem hoje R$ 162.861,70. Nesse período, quem tivesse aplicado o mesmo valor no Ibovespa teria  R$ 117.613,36. São lucros de encher os olhos, ou melhor, o bolso.

Boa parte dessa valorização no mês se deve aos excelentes dividendos pagos pela Unipar, que, somando proventos e valorização da ação, nos rendeu 50,4% no período. A divulgação de um balanço favorável do segundo trimestre de 2017 e o fim da novela da OPA (Oferta Pública de Ação), com a rejeição da proposta de R$ 2,50 por ação UNIP6 oferecida pelo controlador, tornou possível a nova onda de valorização do papel.

Os resultados da Carteira KB ainda contaram com o bom desempenho da Ferbasa. A única produtora de ferrocromo das Américas teve uma valorização de 23%. O alto preço das ligas no mercado internacional e o aumento da produção das montadoras, que indica a recuperação do setor, são motivos potenciais para novas valorizações das ações da companhia.

A EZTec, Itaúsa e CSU Cardsystem vêm na sequência, com crescimento de 13,8%, 10,9% e 9,6%, respectivamente. 

A única ação que teve um resultado negativo foi a Taesa, com 2,4%.  A empresa responsável por 11 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica viu seu lucro do segundo trimestre despencar devido ao menor IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), se comparado ao mesmo período do ano passado. Por causa disso, a conta “Correção Monetária do Ativo Financeiro de Concessão”, que ficou em R$ 84 milhões positivos entre abril e junho de 2016, terminou com valor negativo de R$ 87 milhões no mesmo período desse ano.

Carteira detalhada - ago-17

Dividendos

Quatros ações pagaram dividendos neste mês: Taesa, Itaúsa, Grendene e Unipar. As três primeiras distribuíram proventos trimestrais equivalentes a pouco mais de 0,5% do valor das ações.

A Unipar, por sua vez, quitou a primeira parcela dos dividendos extraordinários anunciados em julho. Cada ação UNIP6 recebeu R$ 3,355 em 8 de agosto. A segunda parcela, de R$ 1,1727, deverá ser paga em 20 de dezembro desse ano. Além disso, a empresa distribuiu dividendos complementares de R$ 0,0345 por ação.

Conforme temos feito mensalmente, todos os dividendos recebidos foram utilizados para comprar ações das mesmas empresas.

 Veja como está a atual Carteira KB:

Carteira KB - ago-17.png

Você quer saber como foram os desempenhos nos meses anteriores?

Acesse os balanços abaixo:

Carteira KB – Janeiro de 2017

Carteira KB – Fevereiro de 2017

Carteira KB – Março de 2017 

Carteira KB – Abril de 2017

Carteira KB – Maio de 2017

Carteira KB – Junho de 2017

Carteira KB – Julho de 2017

Para este mês, planejamos fazer algumas alterações na Carteira KB.

KB Investimentos entrevista: Ferbasa

Conversamos com exclusividade com o gerente de Relações com Investidores da Ferbasa, Carlos Henrique Temporal, para entender a alta de 536% do lucro líquido da empresa

Os resultados mais recentes da Ferbasa – única produtora de ferrocromo das Américas –  levaram FESA4 a entrar na Carteira KB.  Para se ter uma ideia, o lucro líquido saltou de R$12,6 milhões para R$80,1 milhões neste primeiro trimestre, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Carlos Henrique Temporal F01A valorização do preço do ferrocromo –  matéria-prima para a fabricação de aços inoxidáveis, utilizada pela construção civil e por indústrias de diferentes segmentos, como de bens de consumo –  foi um dos indicadores que contribuíram para essa performance. Nos primeiros três meses de 2016, o produto era vendido a US$c 92/lb.Cr, e neste ano passou para US$c 154/lb.Cr.

Relativamente pouco utilizado no Brasil, os aços inoxidáveis  têm grande potencial de mercado. Basta comparar com os asiáticos. Enquanto o consumo (quilos/per capita por ano) dos brasileiros gira em torno de 2, a dos chineses que vivem na região rural chega a 3, na Europa a 15 e em Cingapura a 25.

Somando-se a essa perspectiva, a Ferbasa investe em ações para aumentar a produtividade, como: troca e aquisição de novos equipamentos, tecnologias e de um parque de geração de energia eólica para que a companhia não fique refém das oscilações do preço da energia elétrica.

A Ferbasa ainda produz ligas de ferrosilício, sendo 85% com padrão standard, que são destinadas ao setor siderúrgico para a fabricação de aço bruto comum e os outros 15% com padrão HP (high purity), que são usados para a produção de aço silicioso. Este tipo mais refinado, por sinal, é utilizado na fabricação do motor do carro híbrido Prius da Toyota.

O planejamento estratégico da Ferbasa foi revisto em dezembro do ano passado. Anteriormente, a meta era ser uma empresa globalmente competitiva em ferroligas. Com a revisão, o objetivo atual é ser uma companhia globalmente competitiva em ferroligas, minério de cromo e energia renovável.

Para entender melhor a atividade e as perspectivas da corporação, o KB Investimentos conversou com exclusividade com o gerente de Relações com Investidores da Ferbasa, Carlos Henrique Temporal. 

Qual é a expectativa para a evolução do consumo de aço inoxidável no Brasil?

É uma indústria com grande potencial. A ABINOX (Associação Brasileira do Aço Inoxidável) fomenta a utilização e aplicação do produto no mercado brasileiro, visando incrementar seu consumo.

O aço inox é um produto extremamente elástico a preço. Por exemplo: se você pretende fazer uma coluna de aço inox, numa recessão, você substitui por aço comum. Com a retomada da economia, a expectativa é de aumento do consumo no Brasil.

Hoje, a Ferbasa está bem posicionada para o crescimento da demanda, pois detém quase a totalidade do mercado de ferrocromo, produto indispensável à produção de inox, no país.

No release, a empresa diz que reduziu seus custos por causa da substituição de biorredutor por coque. O método deve continuar?

A produção de ligas precisa de redutores para agir na oxirredução dentro dos fornos, transformando elementos óxidos em elementos metálicos. O redutor mais utilizado no mundo é o carbono, produzido a partir do coque (carvão mineral) ou do biorredutor (carvão vegetal).

A Ferbasa utiliza o biorredutor na produção de ferrosilício. Na produção de ferrocromo, tradicionalmente, é usado coque, mas é possível utilizar até 20% de biorredutor. Como a Ferbasa dispõe de fazendas de produção do biorredutor e este é um insumo mais barato, a empresa vem promovendo a substituição de forma a reduzir custos.

Quais ações a companhia têm tomado nesse sentido (para reduzir custos de produção)?

Ferbasa - Metalurgia

Utilização de biorredutor também na produção de ferrocromo. Em 2014, iniciou-se a mudança de tecnologia de produção de biorredutor. Ao custo de R$ 66 milhões, substituímos 400 fornos pequenos (20 a 40 metros cúbicos) operados manualmente por 88 fornos grandes mecanizados (400 a 700 metros cúbicos). O octagésimo sexto forno está em produção no momento, e os últimos dois em fase de final da construção. Essa iniciativa diminui drasticamente os custos de produção de biorredutor e, consequentemente, de ferrosilício.

A aquisição de equipamentos de raio-X. O minério de cromo extraído em nossas minas se divide em concentrado – areia de menor valor agregado – e hard lump – uma pedra de poucos centímetros, mais valiosa. O processo de seleção antigamente era manual. A compra de equipamentos de raio X permitiu mecanizar essa seleção, aumentando a eficiência de 75% para mais de 90%. Esse aumento de eficiência permite produzir a mesma quantidade de liga utilizando menos ROM (Run of Mine), preservando assim as reservas da companhia e reduzindo os custos de produção do ferrocromo, já que o minério chega a representar 40% do custo total desta liga. Hoje, temos dois equipamentos de raio X em operação (comprados em 2015 e 2016). Em julho deste ano, mais duas máquinas serão incorporadas aos ativos da companhia.

A participação do item “Demais produtos” na receita da companhia se multiplicou nos últimos anos. Este segmento da companhia apresenta a melhor margem de lucro bruta da empresa. O que explica esse aumento de participação e qual a expectativa para os próximos anos?

Hoje, a empresa está dedicada a fazer exportações regulares de minério de cromo. Em dezembro de 2016 e fevereiro desse ano, a Ferbasa exportou para a China. Essas vendas são computadas no item demais produtos da companhia.

Qual é a estratégia da companhia para a gestão dos custos de energia?

Em 2015, quando da última renovação, o preço da energia subiu fortemente e o contrato com a CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) foi renovado até 2037, sem possibilidade de extensão, com quantidade de energia contratada 30% menor e 22% mais cara.  O contrato atual prevê o fornecimento anual de 150 MWh até 2032 e reduções gradativas de volume até zerar em 2037. Em função disso, a Ferbasa concretizou alguns contratos de energia no mercado livre para complementar a perda.

Em 2016, a companhia tinha contratado 200 MWh. Apenas os 150 MWh com a CHESF foram utilizados na produção e os outros 50 MWh tiveram que ser vendidos no mercado com prejuízo.

Neste ano, a Ferbasa contratou 215 MWh, sendo que utilizará os 150 MWh da CHESF e mais 15 MWh adquiridos de outras geradoras no mercado livre. Os outros 50 MWh serão novamente vendidos no mercado. Mas, dessa vez, acreditamos que com lucro para a empresa.

Para diminuir a exposição da companhia à oferta de energia, decidimos investir na geração de energia. Após estudos de viabilidade técnica e financeira, a opção da Ferbasa foi por dois projetos brownfields, que já estão em operação, de energia eólica. Hoje, esses projetos tem um PPA (purchase power agreement) de 20 anos (iniciados em 2014) para vender a produção para o governo.

Como a necessidade de energia da empresa hoje é satisfeita pela CHESF e outras geradoras, a compra de projeto de geração eólica representa a compra de fluxo de caixa para a companhia. Em 2034, quando termina o contrato de venda de energia eólica para o governo, a Ferbasa optará por vender energia no mercado ou utilizá-la na produção. No ano seguinte, quando termina o contrato com a CHESF, a energia eólica poderá ser usada para suprir a necessidade da companhia.

Este é o primeiro passo, para desenvolver a curva de aprendizado no novo negócio, sendo possível ainda que a Ferbasa compre projetos greenfield no futuro para aumentar a produção de energia.

Qual é a expectativa de payout da companhia para os próximos anos? Há a intenção de promover um novo programa de recompra de ações? Qual é a expectativa de CAPEX da Ferbasa para os próximos anos?

O histórico de CAPEX da companhia é de R$ 100 milhões/ano. Por conta do fim do projeto de mudança de tecnologia de produção de biorredutor, esse número deve ficar abaixo de R$ 90 milhões neste ano. Esses números desconsideram os projetos de energia.

Nós terminamos no ano passado um programa de recompra de ações. Temos em tesouraria, 3,2 milhões de ações, compradas a um preço médio de R$ 8,07. Ainda não há expectativa de venda dessas ações nem de reabertura de um novo programa de recompra.

Por conta das incertezas da energia, a Ferbasa sempre teve uma estrutura de capital muito conservadora. Hoje a companhia detém quase 400 milhões em caixa. A partir de 2015, quando a companhia passou a ter um horizonte mais claro quanto à questão de energia, o payout e dividend yield da companhia aumentou.

Hoje, existe uma proposta da Diretoria de Relações com Investidores sendo avaliada pelo Conselho de Administração para aumentar a frequência de pagamentos de dividendos.  A ideia é que a companhia distribua trimestralmente seus resultados. A expectativa é que a iniciativa seja aprovada, bem aceita pelos acionistas minoritários e gere maior liquidez das ações no mercado.

A companhia tem intenção de aumentar o nível de tag along, migrando para o Nível 2 ou Novo Mercado?

Não. A questão do tag along só é relevante para os acionistas minoritário em caso de mudança de controle acionário, o que não deve ocorrer na companhia. Ou pelo menos, não observamos sinalizações neste sentido. A Ferbasa é um caso único na Bovespa em que uma fundação é sócia majoritária de uma empresa. A Fundação José Carvalho possui sete escolas e um colégio técnico, localizados na Bahia, que atendem gratuitamente 4 mil alunos. Como a fundação depende dos dividendos recebidos para se manter, não há a mínima intenção de perder o controle acionário.

No dia 18 de maio – com a notícia dos áudios da JBS envolvendo o presidente – o dólar disparou, levando a uma alta das ações de setores tipicamente exportadores com receita em dólar, enquanto o resto do mercado despencava. Neste dia, a FESA4 – ação mais negociada da Ferbasa – caiu 4,1%. O que explica esse comportamento atípico, dado que a Ferbasa tem sua receita totalmente atrelada à moeda americana?

dólares.jpg

Foi uma leitura equivocada dos fundamentos. Não existe hoje uma leitura correta da empresa pelo mercado. Nós somos uma empresa 100% dolarizada e temos custos em reais. Este é o trabalho de equipe de RI (Relações com Investidores), assim como das casas de análises de ações e corretoras: fazer com que o mercado entenda o case da empresa, seus respectivos fundamentos e drives de mercado.

Dado que o todo o faturamento da Ferbasa depende do dólar, por que a empresa faz hedge apenas de até 30% de suas receitas?

Há uma relação negativa entre preço de commodities e dólar. O aumento da moeda americana tende a ser, em parte, compensado pela queda de preço desses produtos e vice-versa. Como os produtos vendidos pela Ferbasa têm um “comportamento” de commodities, essa relação é valida. A companhia calculou um coeficiente de correlação de aproximadamente  -0,69 entre esses ativos.

Dado que em torno de 70% da variação da receita devido ao dólar tende a ser compensada pela variação dos preços dos produtos vendidos pela Ferbasa, a companhia entendeu que há necessidade de proteger apenas os outros 30% através de hedge. A empresa utiliza NDF (Non Deliverable Forward), ou Contrato a Termo de Moeda sem Entrega Física, para travar o câmbio dos produtos vendidos.

Substituição na Carteira KB

Terminada a temporada de balanços do primeiro trimestre, faremos uma alteração na Carteira KB: Sai Comgás (CGAS5) e entra Ferbasa (FESA4)

Ferbasa – Receita

A Ferbasa tem atividades nas áreas de mineração, metalurgia e recursos florestais. Os dois principais produtos fabricados pela empresa são o ferrocromo (FeCr) e ferrosilício (FeSi). Não à toa, ela é líder no Brasil na produção desses produtos que, no momento, são negociados a preços em patamares historicamente altos. E, segundo a companhia, com boas perspectivas para o futuro, conforme os gráficos abaixo.

Ferbasa - FeCr

Ferbasa - FeSi

Ferbasa – Custos

Juntamente a esse aspecto, no último ano, a empresa diminuiu seus custos de produção ao substituir parte de biorredutor por coque como insumo para fabricação de Ferrocromo Alto Carbono (FeCrAC) – principal fonte de receita da companhia. Além disso, por ser exportadora, a Ferbasa será beneficiada em caso de alta do dólar.

dolar

Ferbasa – Caixa e Dividendos

Mais um dado a favor da empresa é que ela opera praticamente sem financiamento externo. No primeiro trimestre, o caixa e as aplicações financeiras da companhia somavam poucos mais de R$ 400 milhões, enquanto o valor de mercado da companhia girava em torno de R$ 1 bilhão.

A Ferbasa distribuiu aos detentores de sua ação preferencial R$ 0,85 por papel, o que, ao preço atual, significa dividend yield de pouco mais de 7%.

Dividendos 3

Comgás e a conta corrente regulatória

O lucro líquido da Comgás, por sua vez, caiu pela metade em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A queda é justificada pela devolução da conta corrente regulatória. Conforme explica a própria companhia em seu relatório, “as diferenças entre o custo real incorrido e o custo de gás incluído na tarifa e cobrado dos clientes (conforme estrutura tarifária definida pela ARSESP) são acumuladas na conta corrente regulatória e repassadas/cobradas conforme determinação do Regulador nos reajustes periódicos ou nas revisões tarifárias”. 

Hoje, há um saldo passivo nesta conta de R$ 354,4 milhões a devolver.

Portanto, entendemos que o potencial de valorização da Ferbasa para os próximos trimestres é maior do que a Comgás.

Com isso, essa passa a ser a nova Carteira KB

Carteira KB - 16-05-17.png