
A maior alta do dólar dos últimos 18 anos – registrada na semana passada – entrou para a história. A moeda não tinha uma alta tão expressiva desde a maxidesvalorização promovida por Gustavo Franco, então presidente do Banco Central, no milênio passado. O Ibovespa acompanhou o ritmo do mercado e sofreu a maior queda diária desde o ápice da crise de 2008, com redução de quase 9%. Algumas ações, como Cemig (CMIG4) chegaram a cair quase 50% em alguns momentos do dia.
A variação do mercado por conta da instabilidade política – ocorrida após a delação premiada dos dirigentes da JBS sobre o suposto pagamento de propina a políticos de diferentes partidos, entre eles, o presidente Michel Temer – fez com que um instrumento financeiro ganhasse destaque: as tais PUTs ou opções de venda.
Apelidadas de seguro catástrofe, as PUTs sobem de preço quando o ativo a que estão atreladas caem. Em dias de grandes quedas na Bovespa, é comum ver algumas delas valorizando 200%, 500% ou até 1000%. Por causa disso, é normal lermos ou ouvirmos conselhos sobre comprar as opções de venda para servir como uma espécie de seguro contra perdas na carteira de ações.
A questão é: o ganho extraordinário das PUTs compensa a desvalorização da carteira de ações? Vale a pena comprar esse tal seguro catástrofe?
Depende!
Vamos ao exemplo com dados reais de hoje (24), seis dias após o histórico 18 de maio.
A ação preferencial da Petrobras – PETR4 – é negociada a 13,79. A opção de venda deste ativo com vencimento em 19 de junho deste ano e preço de exercício de R$ 12 custa R$ 0,17.
Essa PUT só tem valor no vencimento quando a ação cai abaixo de R$ 12. Portanto, vamos simular uma queda de 20% no preço de PETR4, ou seja, a ação da Petrobras valerá R$ 11,03. Nesse caso, a opção de venda terá valor justo de R$ 0,97 no dia 19 de junho, pois a PUT lhe dará direito a vender por R$ 12 um papel que custa R$ 11,03.
Pois bem. Nesse caso, você ganhou R$ 0,97 com a opção e perdeu R$ 2,76 com a desvalorização da ação. Seu ganho não anulou sua perda.
Para se proteger completamente da queda de 20% da ação, você teria que comprar 2,76 opções de venda com preço de exercício de R$ 12. Mas 2,76 PUTs custariam R$ 0,48!
Ou seja, para se segurar contra uma perda de 20% utilizando as famosas PUTs, o investidor precisa sacrificar 3,5% todo mês, ou quase metade do valor de sua carteira em um ano! É como se você pagasse mais de R$ 20 mil por ano para o seguro do seu automóvel de R$ 50mil!
Esse mesmo exemplo pode ser aplicado para ações que possuem opções de venda negociadas na Bovespa, como Vale do Rio Doce e Itaú Unibanco, com resultados semelhantes.
O seguro catástrofe de fato existe, mas seu preço é alto. Cabe a cada investidor decidir se deve ou não contratá-lo
O seguro ETF IVVB11

Em tempo, uma alternativa válida para você se proteger contra perdas na carteira de ações é a ETF IVVB11.
IVVB11 é um fundo de índice, negociado na Bolsa de Valores, que busca retornos de investimentos que correspondam à performance, antes das taxas e despesas, do S&P500 (índice Standard & Poor’s 500).
Na prática, quem compra esta ETF (Exchange Traded Fund) adquire o índice com as 500 principais ações americanas em dólares.
Como mostramos no artigo “Mais retorno e menos risco na carteira: IVVB11”, a correlação entre o IVVB11 e o Ibovespa é negativa. Em geral, quando a bolsa brasileira sobe, o fundo cai e vice-versa. No dia 18 de maio, por sinal, essa regra funcionou perfeitamente: o índice Ibovespa desabou 8,8%, enquanto que a ETF IVVB11 disparou 8,6%.
KB,
Interessante informação .. conhecia o ivvb .. mas ja pensei em comprar isso como diversificação de compras e não como correlação negativa … vou dar uma olhada nisso ai .. vou ler o teu artigo ..
Abs,
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Rodolfo,
Não deixa de ser uma diversificação. Com correlação negativa, a diversificação é até mais eficiente.
Abraço.
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Olá KB!
Muito bom o texto. E concordo. Fiz um teste com PUT. No dia do circuit breaker ela valorizou sim, mas não o bastante para compensar…
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Obrigado Inglês!
Essas valorização de 1.000% em um dia impressiona, mas você quando coloca na ponta do lápis não compensa.
Abs.
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Salve, KB! Não acho ser vantajoso ficar sempre comprado em PUT, o custo disso é muito alto e no longo prazo impacta a rentabilidade, a menos que o investidor desenvolva algum método de alta confiabilidade que consiga prever as quedas do mercado.
Abraços!
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Pois é Marcelo,
Se eu soubesse, ou ao menos tivesse muita confiança sobre, em quais meses o mercado vai despencar, eu sem dúvida compraria as PUTs.
Mas não sei e nem acho que vou saber um dia. Então prefiro manter a estratégia de ficar fora.
Abraço.
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Interessante o texto.
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Obrigado Gregório!
Abs.
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Tbm tem a opção de manter uma carteira no exterior para fins de diversificação e proteção. Abs. http://www.finansferas.com
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Sim.
Essa também é uma ótima alternativa.
Abs.
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